As Montanhas Capixabas permitem montar uma viagem que vai muito além da tradicional visita à Pedra Azul. Entre reservas ambientais, parques estaduais, estradas cercadas pela Mata Atlântica, produtores artesanais e restaurantes que valorizam ingredientes locais, a região reúne experiências para quem deseja alternar natureza, gastronomia, cultura e momentos de descanso.
Com cinco dias disponíveis, é possível conhecer diferentes pontos do território sem transformar a viagem em uma sequência apressada de deslocamentos. O roteiro passa por Vargem Alta, Pedra Azul, Domingos Martins e Castelo e inclui áreas que integram o Corredor Ecológico Pedra Azul–Forno Grande, responsável por conectar importantes remanescentes de Mata Atlântica e contribuir para a conservação de nascentes, rios, fauna e flora da serra capixaba.
Confira:
Dia 1 – Imersão na Mata Atlântica em Vargem Alta
A primeira parada pode ser Vargem Alta, a cerca de duas horas de Vitória. É no município que está a Reserva Ambiental Águia Branca, área com aproximadamente 2.200 hectares de Mata Atlântica preservada e mais de 350 espécies de aves registradas.
Dentro da Reserva está o Eco Lodge Natureza, opção para começar a viagem já em contato direto com a floresta. O empreendimento possui 30 acomodações, entre chalés à beira do lago, chalés na montanha e apartamentos, e oferece uma programação que permite ao hóspede explorar o ambiente ao redor sem precisar deixar a propriedade.

Foto por Divulgação/ Eco Lodge Natureza
O primeiro dia pode ser dedicado às trilhas guiadas ou autoguiadas da Reserva. Os caminhos atravessam diferentes ambientes da Mata Atlântica e possibilitam observar aves e pequenos mamíferos, além de cursos d’água e árvores centenárias.
Outra possibilidade é experimentar o Banho de Floresta, atividade inspirada no shinrin-yoku japonês e baseada em uma caminhada contemplativa, com estímulos aos sentidos e atenção aos sons, aromas e elementos naturais do entorno.
Dia 2 – Reserva Kaetés e biodiversidade vista do alto
O segundo dia mantém a natureza como protagonista, desta vez com uma visita à Reserva Kaetés. A área possui 667 hectares protegidos e foi reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural em 2024, reforçando o mosaico de conservação existente entre diferentes pontos das Montanhas Capixabas.

Foto por Matheus Clemente
A experiência inclui caminhadas guiadas pela floresta e contato com iniciativas de pesquisa e conservação da biodiversidade. Um dos principais atrativos é a torre de observação construída acima da copa das árvores. Do alto, o visitante consegue dimensionar a extensão da vegetação preservada e compreender melhor a importância da conectividade entre as áreas de Mata Atlântica. O passeio também cria novas oportunidades para observação de aves e de outras espécies nativas.
Dia 3 – Pedra Azul, Rota do Lagarto e sabores da serra

Foto por Divulgação/ Eliria Buso
No terceiro dia, o roteiro segue em direção a Pedra Azul. Uma das formas mais conhecidas de percorrer a região é pela Rota do Lagarto, estrada cercada por paisagens montanhosas, propriedades rurais, restaurantes e pequenos produtores.
O Parque Estadual da Pedra Azul é uma das principais paradas. Dependendo do planejamento e das condições de visitação, é possível incluir trilhas pelo parque e atividades nos arredores, como passeios a cavalo e experiências ligadas ao agroturismo, incluindo a colheita de morangos durante a época de produção.
Para quem pretende dividir a viagem entre duas hospedagens, este pode ser o momento de seguir para o Rabo do Lagarto, utilizando Pedra Azul como base para os próximos passeios.

Foto por Divulgação/ Pousada Rabo do Lagarto
A gastronomia merece espaço no roteiro. No final da Rota do Lagarto está o Quadrado de São Paulinho, que reúne cerca de 20 empreendimentos ao longo de aproximadamente sete quilômetros. Restaurantes, cafés, chocolaterias, cervejarias e produtores artesanais mostram uma vertente da serra que vem ganhando força nos últimos anos.

Foto por Divulgação/ Eliria Buso
Entre as possibilidades estão o Restaurante Túia, o Café Alice, os chocolates bean to bar da Ocakau, a gelateria Le Gustto e a Cervejaria Azurra. Outra parada é o Alecrim Restaurante, comandado pela chef Cecília Cunha, que combina produtos locais com referências de diferentes cozinhas. O trabalho também deu origem à Lab Kombucha, produzida na região.

Foto por Divulgação/ Eliria Buso
Para encerrar o dia, a Ronchi Beer oferece cervejas artesanais em um espaço de frente para a Pedra Azul.
Dia 4 – Forno Grande revela outra paisagem das montanhas
O quarto dia pode ser dedicado ao município de Castelo e ao Parque Estadual do Forno Grande, onde está o segundo ponto mais alto do Espírito Santo, a 2.039 metros de altitude.

Foto por Divulgação/ Eliria Buso
A unidade de conservação reúne diferentes possibilidades de passeio, entre cachoeiras, piscinas naturais, formações rochosas e trilhas. Há alternativas para visitantes interessados em percursos mais leves e também opções de maior dificuldade para quem busca uma experiência de aventura.
Entre os atrativos estão os Poços Amarelos, a Cachoeira do Forno Grande e mirantes naturais que revelam o conjunto montanhoso da região. Para os mais preparados, as trilhas de maior duração oferecem uma perspectiva diferente da serra e ajudam a mostrar por que o eixo entre Pedra Azul e Forno Grande é considerado estratégico para a conservação da Mata Atlântica no Espírito Santo.
O passeio complementa as experiências dos primeiros dias ao apresentar outro ambiente dentro do mesmo corredor ecológico, unindo altitude, floresta, água e formações rochosas.
Dia 5 – Cultura e herança europeia em Domingos Martins
Depois de quatro dias com forte presença de natureza e gastronomia, o último pode ser reservado à história e à cultura regional em Domingos Martins, município marcado pela imigração europeia, especialmente alemã.
No centro da cidade, a Praça Dr. Arthur Gerhardt e a Rua do Lazer concentram parte das atrações, além de bares, restaurantes, lojas e construções que ajudam a contar a formação do município.
O passeio também permite compreender outra característica das Montanhas Capixabas: a maneira como as tradições trazidas por imigrantes alemães e italianos se combinaram com agricultura, produção artesanal e ingredientes cultivados na própria serra, formando uma identidade que hoje aparece tanto na gastronomia quanto no agroturismo.
Ao combinar a experiência em Vargem Alta com dias em Pedra Azul e passeios por Castelo e Domingos Martins, o viajante tem a oportunidade de descobrir uma região que não depende apenas de seu cartão-postal mais famoso. As Montanhas Capixabas se revelam como um território de biodiversidade, sabores e histórias que merece uma visita com tempo.
Serviço
Eco Lodge Natureza – naturezaecolodge.com.br
Pousada Rabo do Lagarto – rabodolagarto.com.br
Reserva Kaetés – reservakaetes.com.br
Parque Estadual do Forno Grande – iema.es.gov.br/PEFG
Restaurante Tuia – @tuia_gastronomia_arte
Ocakau – @ocakau_
Alecrim Restaurante – @alecrimcozinhaartesanal
Cervejaria Azzurra – @azzurracervejaria
Ronchi Beer – @ronchibeer
Gelateria Le Gustto – @gelatolegustto
Texto por: Agência com edição
Foto destaque por: Prefeitura de Castelo






