Em entrevista, o empresário Rafael Accorsi conta como a decisão de reformar um bar de drinks em 2008 deu origem ao Grupo Café Boteco e mudou o eixo gastronômico da cidade
Em 2008, um bar de drinks e chope na praça central de Serra Negra virou um restaurante com clima de boteco. Na época, a cidade ainda não era vista como destino gastronômico, e as mesas dos estabelecimentos da região eram, em sua maioria, de plástico. Foi esse cenário que o empresário Rafael Dias Accorsi decidiu mudar ao inaugurar o Café Boteco, o embrião do que hoje é o Grupo Café Boteco.
Em entrevista, Accorsi conta que a ideia nasceu da vontade de recriar, no interior paulista, a atmosfera dos restaurantes de rua que conhecia em Paris e Nova York, do trânsito de gente pela calçada. Sem experiência prévia em gastronomia, ele investiu no que a concorrência não tinha. Segundo ele, esse padrão logo passou a se destacar dos demais estabelecimentos da região, o que motivou uma reforma da cozinha, com equipamentos e desenvolvimento de cardápio, dando início a um novo formato de se comer à mesa, na cidade de Serra Negra.

Americana
O efeito boulevard
O padrão criado pelo Café Boteco não ficou restrito a um endereço. Nos anos seguintes, concorrentes passaram a se instalar no entorno, usando a casa como referência, um movimento que, segundo Accorsi, resultou na formação de um boulevard gastronômico no centro da cidade, deslocando o eixo do movimento turístico para a região e beneficiando o comércio e a hotelaria locais.
Para o empresário, competir isoladamente deixou de ser uma opção. Ele reconhece que o crescimento do polo gastronômico se tornou um estímulo natural à concorrência que, na visão dele, é positivo para quem visita a cidade, ainda que exija mais do empreendedor.

Café Boteco Bar
Um padrão, oito casas diferentes
Hoje à frente de oito casas, do boteco raiz à alta gastronomia da La Terrazza, passando por padaria artesanal, wine bar, gelateria e choperia, Accorsi afirma que o grupo não abre mão de um padrão elevado de qualidade em nenhuma delas, independentemente do tipo de estabelecimento ou do público de passagem. Segundo ele, essa exigência vale tanto para o boteco quanto para o La Terrazza, restaurante de DNA italiano que trabalha com insumos importados e ultrafrescos, e que carrega uma certificação internacional de sustentabilidade. Para Accorsi, esse tipo de reconhecimento ajuda a validar o trabalho do grupo perante o público e contribui para colocar o destino no radar de quem busca onde viajar e viaja para comer.

Dita Café
Sazonalidade, produto local e os próximos passos
Um dos desafios do turismo de interior é a sazonalidade, concentrada em feriados e alta temporada. Para atenuar esse efeito, o grupo aposta em eventos e menus alternativos na baixa temporada, mantendo a movimentação das casas o ano inteiro. Na composição dos cardápios, Accorsi destaca a priorização de produtores locais, leite, café, queijos, cachaça, embutidos, mel e secos fazem parte do que as casas servem.
Questionado sobre o futuro, o empresário diz que o momento do grupo é de organização e estruturação de processos, mas confirma que projetos de expansão podem estar em andamento, ainda que, segundo ele, com cautela. Para os próximos dez anos, o desejo de Accorsi para Serra Negra é que a cidade seja lembrada pelas boas experiências vividas por quem passou por ali. Na visão dele, transformar uma cidade em destino gastronômico de verdade depende da soma de vários fatores – acesso, estacionamento, atendimento, eventos, ação do poder público e o entendimento da comunidade de que o turismo movimenta a economia local, tendo a gastronomia como um elo importante dessa engrenagem.
Texto por: Agência com edição
Fotos por: Divulgação






