Conhecido como o “Mar de Minas”, o Lago de Furnas é um gigantesco reservatório artificial criado na década de 1960 para regular o sistema elétrico nacional. Hoje, impulsiona o turismo, a pesca e o lazer no Sul do estado.
O reservatório congrega 34 municípios. Para desenvolver a economia regional, está sendo elaborado o Projeto Sol de Furnas. A proposta contempla um moderno sistema de alta tecnologia para a implantação progressiva de uma plataforma regional de transição energética no Sul de Minas, integrando geração fotovoltaica, desenvolvimento experimental de hidrogênio de baixo carbono, pesquisa aplicada e formação de competências, associando o desenvolvimento econômico à valorização ambiental, turística e territorial.

O Projeto Sol de Furnas integra uma visão de longo prazo: produzir energia renovável, estimular novos investimentos e fortalecer atividades públicas, privadas, rurais e turísticas, preservando a identidade regional e ampliando as oportunidades dos municípios envolvidos. Diversos segmentos participam de sua elaboração, incluindo a ALAGO (Associação dos Municípios do Lago de Furnas), EDERSUL (Empresa de Desenvolvimento Regional do Sul de Minas), Prefeitura de Varginha, Campos e Campos Advogados e o Sindicato dos Produtores Rurais de Campo Belo.
Com tecnologia moderna, o planejamento preliminar prevê 165 usinas fotovoltaicas ao longo de 15 anos, organizadas em quatro etapas sucessivas. A implantação será modular e dependerá, em cada localidade, de estudos de conexão, disponibilidade de áreas, licenciamento, engenharia, demanda, financiamento e modelagem jurídica.
1ª etapa: 34 usinas | Início da expansão
2ª etapa: 40 usinas | Ampliação regional
3ª etapa: 40 usinas | Consolidação
4ª etapa: 51 usinas | Escala de longo prazo
Segundo os estudos do grupo de trabalho, os quatro polos iniciais do planejamento somam um potencial preliminar de 1.800 MWp (1,8 GWp) de potência instalada: Varginha (720 MWp), Capitólio (360 MWp), Três Pontas (360 MWp) e Nepomuceno (360 MWp). Esses valores representam referências de planejamento e não capacidades já licenciadas, conectadas ou contratadas.
A segunda frente prevê uma planta experimental de hidrogênio associada à energia renovável, voltada ao aprendizado tecnológico, testes, segurança operacional, pesquisa aplicada e avaliação de usos economicamente justificáveis.
Entre as possibilidades a serem estudadas estão aplicações de difícil eletrificação, armazenamento energético, mobilidade e transporte pesado, blending e retrofit, metanação, amônia verde e conexão futura com mercados externos. Cada alternativa será tratada como hipótese técnica sujeita a estudos específicos, sem resultado previamente assegurado.
Para o turismo, o Sol Furnas pode posicionar o lago como referência em sustentabilidade, inovação e desenvolvimento responsável. A energia renovável apoiará empreendimentos turísticos, equipamentos públicos e atividades produtivas, fortalecendo a imagem regional associada à proteção das águas e à transição energética.

O projeto cria uma narrativa territorial integrada entre turismo, natureza, energia limpa, ciência, agronegócio e novos investimentos, ampliando a atratividade do destino e estimulando roteiros técnicos.
Seus resultados impulsionarão o desenvolvimento econômico (atração de investimentos, empresas, fornecedores e serviços especializados), o desenvolvimento regional (oportunidades para municípios, propriedades rurais e cadeias produtivas), a inovação e conhecimento (parcerias com universidades e centros de pesquisa), a sustentabilidade e turismo (referência em energia limpa e turismo responsável) e a governança pública (articulação entre Estado, municípios, setor produtivo, universidades e investidores).
A apresentação do Projeto Sol de Furnas será no dia 25 de agosto, na capital mineira, no escritório Campos e Campos Advogados, reunindo empresários, prefeitos regionais e os elaboradores do sistema. O evento construirá uma agenda institucional para avaliar o projeto por etapas, definir prioridades, organizar estudos técnicos e aproximar órgãos estaduais, municípios, concessionárias, instituições financeiras, universidades e potenciais investidores.
Os responsáveis ressaltam que as capacidades, cronogramas, aplicações e investimentos dependem de estudos de viabilidade, conexão elétrica, licenciamento, engenharia, financiamento, contratação e governança. O Sol Furnas configura um programa regional, progressivo e estrutural para unir energia limpa, desenvolvimento econômico e valorização sustentável.
No mesmo evento de 25 de agosto, será apresentado o Projeto de Cultura Tecnológica e Educação Socioambiental (PROCULTES), que propõe um modelo inovador de desenvolvimento territorial sustentável no Lago de Furnas, integrando educação ambiental, turismo de base comunitária, biotecnologia e transformação digital.
A proposta fundamenta-se nos marcos legais da educação brasileira (BNCC, PNEA – Lei nº 9.795/1999 e Diretrizes Curriculares Nacionais – Parecer e Resolução CNE/CP nº 14/2012 e 2/2012) para integrar a educação socioambiental de forma transversal, multi, inter e transdisciplinar, visando à formação cidadã, ética e sustentável do estudante. O objetivo geral é implantar um ecossistema integrado para transformar escolas, comunidades e atividades econômicas em agentes de regeneração ambiental.
O núcleo do projeto baseia-se em quatro eixos: formação continuada presencial para professores, orientadores, coordenadores e gestores; acervo digital midiático centralizado para disseminação de informações; e premiação de projetos ambientais para alunos, professores, coordenadores, gestores e escolas.
Apoiado pela ALAGO, o PROCULTES atuará em escolas dos 34 municípios e oito polos regionais, com monitoramento via visitas técnicas, relatórios e devolutivas pedagógicas.
O projeto projeta impactos e metas no eixo ambiental (regeneração de ecossistemas, melhoria da qualidade hídrica, gestão de resíduos e conservação da fauna e flora); no eixo educacional (capacitação cidadã, processos pedagógicos práticos e cultura de sustentabilidade); e no setor socioeconômico (estímulo à renda comunitária, turismo sustentável de baixo impacto e negócios da economia criativa).
Com a iniciativa, os 34 municípios do Lago de Furnas se posicionarão como referência nacional em pedagogia ambiental prática, restauração territorial e hídrica, aprendizagem contínua, turismo regenerativo e bioeconomia.
Serviço
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Texto por agência com edição de Rebeca Dias
Fotos por Edersul






