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Da maior igreja do mundo ao cacau: a Costa do Marfim que surpreende

14 de setembro de 2026

Uma capital que não é Abidjan, chimpanzés que usam ferramentas e o maior produtor de cacau do planeta: um giro pelas curiosidades de um país que reúne praia, floresta e história.

 

Há países que cabem em um clichê. A Costa do Marfim não é um deles, a começar pelo nome. Desde meados dos anos 1980, o país pede para ser chamado de Côte d’Ivoire em qualquer idioma, sem tradução. No rigor, portanto, Costa do Marfim é justamente a versão que ele prefere evitar.

 

Foi com essa disposição de rever certezas que percorremos esse pedaço da África Ocidental, onde o Atlântico encontra florestas, casarões coloniais e uma cultura cheia de ritmo. Reunimos aqui algumas descobertas que talvez surpreendam você tanto quanto surpreenderam a gente.

 

A primeira vem logo na aula de geografia. A capital não é Abidjan. Embora seja a maior cidade e o coração econômico do país, com cerca de 6 milhões de habitantes, Abidjan divide funções com Yamoussoukro, a capital oficial desde 1983. E é em Yamoussoukro, a cerca de três horas e meia de carro da capital econômica, que está uma das construções mais improváveis do continente: a Basílica de Nossa Senhora da Paz, reconhecida pelo Guinness World Records como a maior igreja do mundo. Vale a correção que quase todo mundo precisa fazer: por definição, ela é uma basílica, não uma catedral.

 

Na costa, a história colonial aparece preservada em Grand-Bassam, Patrimônio Mundial da Unesco desde 2012. Primeira capital colonial do país, a cidade guarda um raro conjunto de urbanismo e arquitetura coloniais, de galerias e varandas desbotadas, lado a lado com a tradicional vila de pescadores N’zima.

 

Quem imagina a Costa do Marfim apenas urbana se surpreende com o interior. O Parque Nacional de Taï, também Patrimônio Mundial da Unesco, desde 1982, protege uma das últimas grandes florestas tropicais primárias da África Ocidental. Ali vivem hipopótamos-pigmeus e, sobretudo, chimpanzés célebres entre os cientistas por um comportamento raro: usam pedras como ferramentas para quebrar castanhas.

 

Boa parte do que o mundo consome também nasce por aqui. A Costa do Marfim é o maior produtor de cacau do planeta, respondendo por cerca de 40% da produção global. Ou seja, é bem provável que o chocolate da sua última sobremesa tenha começado nessas plantações. 

 

E, se o cacau move a economia, o futebol move o país: a seleção marfinense sediou e venceu a Copa Africana de Nações de 2023, disputada no início de 2024, o terceiro título de sua história. Não à toa, Didier Drogba, um dos maiores nomes do futebol africano, é marfinense.

 

No dia a dia, dois detalhes ajudam a entender o lugar. À mesa, o aloko, banana-da-terra frita, aparece como acompanhamento ou petisco em quase toda refeição, simples e viciante. Na conversa, o francês é a língua oficial e praticamente onipresente, enquanto o inglês é pouco falado, o que torna um aplicativo de tradução no celular um grande aliado.

Como chegar e o que levar

Do Brasil, a Costa do Marfim ficou mais acessível. A TAAG, companhia angolana, liga São Paulo, a partir de Guarulhos, a Abidjan com conexão em Luanda, capital de Angola. Não há voo direto, mas é possível até incluir uma parada em Luanda no caminho, conhecendo Angola na mesma viagem. Vale conferir frequências e tarifas diretamente com a companhia antes de fechar.

 

Na bagagem, alguns cuidados facilitam a rotina. A moeda local é o franco CFA, e o euro costuma ser o mais fácil de trocar. Como o cartão é aceito em poucos lugares, dinheiro em espécie é quase indispensável no dia a dia. Vale também chegar com um chip local e um bom pacote de dados, já que o wi-fi é raro e lento, e deixar um aplicativo de tradução baixado para driblar a barreira do idioma.

 

Viagem realizada a convite do Bureau da Côte d’Ivoire no Brasil, em parceria com a TAAG.

 

Texto e fotos por Monica Quinta