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A Rota de Pedro, o Grande: a caminhada que atravessa os símbolos do fundador de São Petersburgo

Claudia Costa 24 de setembro de 2026

Entre a visita ao Palácio Yusupov e o jantar de boas-vindas no Shalyapin, o roteiro reserva uma hora de caminhada livre — sem museu, sem ingresso, só a cidade em si — batizada de “Rota de Pedro, o Grande”. Não existe um passeio oficial único com esse nome exato; na prática, é o apelido que guias e operadores turísticos costumam dar a uma caminhada pelo centro histórico que conecta os principais símbolos deixados pelo fundador da cidade, geralmente saindo das margens do Moika, perto do Yusupov, em direção à Praça do Senado e à orla do Nevá.

O Cavaleiro de Bronze e a mensagem política de Catarina

O ponto alto dessa caminhada costuma ser o Cavaleiro de Bronze, a estátua equestre de Pedro, o Grande, erguida em 1782 por ordem de Catarina, a Grande, e esculpida pelo francês Étienne Falconet. A imperatriz, que não tinha um pingo de sangue Romanov e havia chegado ao trono por um golpe, queria deixar claro que se via como sucessora legítima do projeto de Pedro — daí a inscrição na base do monumento, em latim e russo: “A Catarina II, de Pedro I”. O cavalo empinado sobre a rocha, pisando uma serpente que simboliza os inimigos vencidos pelo czar, se tornou tão icônico que deu nome ao poema de Pushkin “O Cavaleiro de Bronze”, sobre uma enchente catastrófica que assolou a cidade em 1824 — e, por extensão, ao apelido popular do próprio monumento, já que oficialmente ele nunca se chamou assim.

A pedra que levou dois anos para chegar

A rocha usada como pedestal também tem sua própria história digna de lenda: o chamado “Trovão de Pedro”, um monólito de granito de mais de 1.500 toneladas encontrado numa floresta perto do Golfo da Finlândia, precisou ser arrastado por terra e depois transportado por barcaça até a Praça do Senado — uma operação de engenharia tão complexa para a época que levou quase dois anos só para movê-lo até o local final, entre 1769 e 1770.

De volta ao Almirantado e ao Jardim Alexandre

Da Praça do Senado, a caminhada segue naturalmente para a Admiralteyskaya Embankment, de onde se avista o Almirantado erguido pelo próprio Pedro em 1704 como estaleiro e fortaleza da nova frota russa, e para o Jardim Alexandre, encostado à mesma fachada. É um trajeto curto, mas denso: em pouco mais de um quilômetro, cruza o monumento mais reprodutivo da cidade, o marco naval que deu origem à vocação marítima de São Petersburgo e o parque que hoje serve de porta de entrada para quem visita o centro histórico.

Vale caminhar com calma, sobretudo ao entardecer: é nesse horário que a luz baixa sobre o Nevá deixa a estátua e a fachada do Almirantado com um tom dourado particular, e o movimento de turistas costuma ser bem menor do que durante o dia. Depois da caminhada, o trajeto até qualquer restaurante do centro histórico — como o Shalyapin, na Tverskaya — costuma levar apenas alguns minutos de carro.

Texto e fotos por: Por Guillermo Bastos Oliva – O jornalista viajou a convite do Comitê de Turismo de São Petersburgo.