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Terra Santa: misteriosa e fascinante

2 de abril de 2015

Considerada terra sagrada para o povo judeu desde os tempos bíblicos, sempre foi alvo de conquistadores, conflitos religiosos e interesses políticos. Mas, por que o pequeno território de terra seca causa tanto interesse? De acordo com a Torá, a região foi prometida por Deus aos três patriarcas do povo judeu como a sua pátria. Em Jerusalém estão as maiores riquezas do judaísmo: os restos do Primeiro e do Segundo Templos. Foi lá que o rei-pastor Davi se estabeleceu e foi seguido por homens como Salomão, Herodes e Saladino.

– Por Roberto Maia

Muçulmanos seguidores do Islamismo acreditam que foi lá que Maomé ascendeu aos céus montado em um cavalo. E a fé cristã também consagra a terra onde Jesus Cristo nasceu, cresceu, morreu crucificado e ressuscitou.

Claro que entre tantos povos e adeptos de diferente credos e religiões os entendimentos são diferentes e ai surgem as divergências. Convivem no mesmo espaço com os judeus israelitas tradicionais, judeus etíopes, judeus messiânicos, árabes cristãos, muçulmanos, cristãos ortodoxos, drusos, palestinos, sunitas, evangélicos, budistas, hindus, coptas – cristãos egípcios – e sefarditas – judeus originários de Portugal e Espanha, entre outros credos e nacionalidades.

Israel

Os restos do Primeiro e do Segundo Templos de Jerusalém datam da época de Herodes, o Grande, e formam o que hoje se designa como a Esplanada das Mesquitas. FOTO: THINKSTOCK / MBEARS

Nós brasileiros frequentemente lemos, ouvimos e assistimos noticiários dando conta das tensões envolvendo Israel, Palestina, Cisjordânia e Faixa de Gaza. Difícil de entender e mais ainda fazer juízo. E nem poderia ser diferente. Apesar disso, o fato é que uma viagem à chamada Terra Santa é segura e principalmente enriquecedora. Cada dia em Israel é pura história, capaz de provocar reflexões e modificar conceitos. Enfim, trata-se de uma viagem que convida a pensar sobre a nossa própria existência.

Nossa viagem, realizada em dezembro passado, começou e terminou em Tel Aviv, cidade onde está o moderno aeroporto internacional Ben-Gurion. Acompanhado pela guia Aline Szewkies, uma gauchinha que sabe tudo sobre Israel e o povo judeu, passei pela bíblica Jaffa; por Cesareia, cidade construída por Herodes, o Grande; o santuário Bahai, em Haifa; São João de Acre, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco; Tiberíades, na região do Mar da Galileia; Banias, que era uma cidade pagã dedicada ao deus Pan; Volcano Bental, uma das montanhas mais altas sobre as Colinas do Golan; Cafarnaum, o centro do ministério de Jesus na Galileia e local de nascimento de São Pedro; Nazaré, onde está a casa em que Jesus passou sua infância; Canna, local do primeiro milagre da transformação da água em vinho; Megido, onde, segundo a Bíblia, está o Armagedom; Monte Tabor; Jericó, a cidade mais velha do mundo; Deserto da Judeia; Mar Morto; Rio Jordão; Massada, onde estão os restos de fortificações e palácios do rei Herodes; as montanhas e cavernas de Qumran, onde viviam os essênios há 2 mil anos; e a fantástica Jerusalém com mais de 6 mil anos de história.


Tel aviv

Tel Aviv é uma cidade perfeita para turistas e para pessoas que adoram se divertir. FOTO: THINKSTOCK / MEDIOIMAGES/PHOTODISC

1º DIA

Caminhar pelos principais pontos de Tel Aviv, capital cultural e financeira de Israel, é a melhor pedida para começar o roteiro pelo país. Fundada em 1909, possui cerca de 3 milhões de habitantes, o que representa cerca de 40% da população do estado judeu. Moderna, oferece muitos bares, cafés, restaurantes e intensa e variada vida noturna. Há programas para todos os tipos de pessoas. Considerada a “capital GLS do Oriente Médio”, realiza a maior Parada Gay do mundo.

Conhecida como “Cidade Branca”, foi tombada como Patrimônio Mundial pela Unesco, em 2003, por ter a maior concentração mundial de edifícios com a arquitetura Bauhaus, oriunda da escola de Bauhaus na Alemanha e que chegou através de arquitetos judeus europeus que fugiam do regime nazista. Percorra a “Greenwich Village” de Tel Aviv, a Rua Sheinkin, com seus elegantes cafés e lojas chiques, e o calçadão da Rothschild Boulevard, onde a cidade começou. No caminho está a casa de Meir Dizengoff, o primeiro prefeito de Tel Aviv. Foi lá que David Ben-Gurion anunciou a Declaração de Independência de Israel em 14 de maio de 1948.

Na região central da cidade também está o mercado público Shuk HaCarmel. A visita vale pela oportunidade de conhecer de perto os hábitos e o trabalho dos moradores de Israel, além é claro de poder saborear algumas receitas e temperos árabes. Barracas de frutas, legumes, queijos, doces, especiarias, louças coloridas e souvenires estão espalhadas em uma rua principal e em outras menores.

O bairro boêmio de Tel Aviv é Nevetzedek com suas galerias de arte, bares e charmosos cafés. Lembra muito a paulistana Vila Madalena. Bom lugar para uma parada para o almoço.

Israel

A história de Tel Aviv começa em Jaffa (Yafo) – a antiga cidade adjacente com mais de 4 mil anos. FOTO: THINKSTOCK / LIORPT

Entre os principais atrativos turísticos da cidade está Jaffa, área com mais de 4 mil anos e um porto importante desde a antiguidade. Entre as histórias que contam sobre o local está a de Jonas, que foi engolido por uma gigantesca baleia, além de várias passagens bíblicas do Novo Testamento, principalmente ligadas a Pedro. Vale uma parada em frente ao monumento Hope, que está em um planalto com uma vista excepcional sobre a costa de Tel Aviv. Passar uma tarde nas sinuosas ruas do bairro é o suficiente para conhecer lugares interessantes como a Torre do Relógio, a galeria Ilana Goor – instalada em um edifício do século 18 que também é residência da artista israelense -, a histórica estação de trem e o Porto de Yafo com seus imensos galpões com exposições de arte, lojas, restaurantes e cafés. O lugar mais visitado é a Igreja de São Pedro. Segundo a Bíblia, foi lá que São Pedro realizou o milagre de ressuscitar uma menina.

Jaffa também concentra algumas feirinhas de artesanato e um mercado de pulgas, o Shuk Hapishpeshim, onde uma infinidade de artigos são encontrados com preços bastante convidativos.


2º DIA

Saímos bem cedo de Tel Aviv com destino a Cesareia, no norte do país. Construída entre os anos 25 a.C. e 13 a.C., por Herodes, o Grande, foi sede do Império Romano e também capital de Israel durante muitos séculos. O ponto alto do lugar é o imponente teatro romano  com anfiteatro e estádio. Por causa da sua acústica perfeita é utilizado para a realização de shows e festivais de música. Megalomaníaco, Herodes também construiu um porto artificial fazendo uso de concreto debaixo da água, algo nunca utilizado à época. Escavações recentes descobriram também um hipódromo e um aqueduto. Durante o domínio romano, Cesareia foi a capital da Palestina.

Em seguida percorremos Muhraka, onde estão o santuário e monastério carmelita de São Elias, a mais de 570 metros acima do nível do mar em um dos três picos do Monte Carmelo. No local há uma igreja, um bosque, um jardim muito bem cuidado e um ponto de observação no telhado do mosteiro com visão excepcional para todas as direções.

A caminho de Haifa, paramos na aldeia drusa de Daliat el-Carmel para almoçar em um restaurante típico. A cidade concentra muitos adeptos da comunidade e fé drusa, considerada uma religião monoteísta que surgiu no século 11, no Egito. Suas origens derivam dos manuscritos do Alcorão e outras fontes filosóficas árabes, persa, gregas e crenças orientais antigas. Atualmente, cerca de 120 mil drusos vivem em Israel. Suas cidades e locais sagrados estão localizados na região montanhosa do Monte Carmelo, a oeste da Galileia Superior, e ao leste das Colinas de Golan. Após o almoço seguimos viagem e ao longo da estrada já é possível avistar a cúpula dourada do suntuoso templo Bahai, localizado em meio a um belo jardim e marco importante de Haifa. A fé Bahai – religião também monoteísta surgida no Irã – enfatiza a união espiritual de toda a humanidade e acredita na beleza e na perfeição. O resultado é belo e grandioso.

Terceira maior cidade de Israel, também é uma das mais bonitas e tem muito a oferecer aos visitantes. Ela abriga o maior porto do país, tem praias bastante movimentadas, bairros modernos e distritos antigos, além de igrejas e mesquitas. Infelizmente o tempo foi curto para tantas atrações. Seguimos em direção a São João de Acre (Akko) ao norte de Israel e que foi palco de numerosos acontecimentos históricos. Ao longo de quase 4 mil anos foi cobiçada e habitada por diversos povos devido a sua posição costeira estratégica. Por lá passaram os cananeus, gregos, romanos, bizantinos, cruzados, mamelucos, turcos e britânicos. É considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco por suas muralhas e fortificações. Ganhou importância durante o século 12 como a capital dos Cruzados. Resistiu a Saladino – um chefe militar curdo muçulmano que se tornou sultão do Egito e da Síria – e foi entregue ao poder egípcio em troca da permissão da peregrinação na Terra Santa pelos cristãos.

Conquistada pelo Império Otomano, a cidade cristã – considerada impura – foi destruída e depois reconstruída. Escavações iniciadas em 1990 descobriram que existem duas cidades, uma sobre a outra. Em cima, a atual, a otomana de Akko, e, embaixo, quase intacta, a dos Cruzados. Durante o período de dominação otomana foi importante entreposto comercial de trocas entre o ocidente e o oriente. Não deixe de visitar a fortaleza dos monges-cavaleiros hospitalários, localizada ao lado da segunda maior mesquita de Israel – onde estão fios da barba de Maomé. Os hospitalários eram monges guerreiros que receberam autorização do Papa para utilizarem armas. A fortaleza tem salões e colunas suntuosas, calabouços e um túnel que leva à cidadela dos templários. Em seu interior estão guardados utensílios usados pelos cristãos medievais. Já noite, seguimos em direção ao Mar da Galileia para hospedagem em Tiberíades.


3º DIA

Logo após o café da manhã partimos para Banias, cidade construída pelo filho de Herodes em homenagem ao deus pagão Pan – metade bode, metade homem. Muitos acreditam que foi lá que Pedro fez sua proclamação de fé em Jesus. Localizada na divisa com a Síria, tem uma das nascentes do Rio Jordão. No caminho para o Monte Bental – uma das montanhas mais altas de Golan – cruzamos com alguns tanques militares da ONU.

O lugar proporciona um visual fantástico de toda a região – Israel e Síria -, o que explica a base militar com os soldados da força internacional em constante observação da fronteira.

Na sequência partimos rumo a Katzrin, onde visitamos uma fábrica boutique de azeite de oliva com direito a degustação dos melhores produtos. Aliás essa é uma ação comercial estratégica. Após sentir os aromas e sabores dos quatro tipos de azeites produzidos de forma artesanal você é direcionado a uma loja em que os produtos – incluindo cosméticos à base de azeite de oliva – estão expostos. Difícil resistir à tentação de não levar algumas garrafas para casa. Há azeites produzidos com azeitonas verdes, pretas, com alho e um mix. O azeite com alho é o melhor e também o mais caro, cerca de US$ 20.

Após o almoço seguimos para Cafarnaum, onde estão os restos da grande sinagoga de pedra calcária branca com lindas colunas e também a casa de Pedro. A cidade foi muito próspera durante o período do Segundo Templo e também foi o centro do ministério de Jesus na Galileia, além de ser o local de nascimento de Pedro. No entanto, Cafarnaum foi uma das três cidades condenadas por Jesus. Foi destruída por um terremoto e nunca mais foi reconstruída.

Viajamos em torno do lago Kinneret percorrendo lugares como Tabgha, na costa norte do Mar da Galileia, local famoso e com muitas histórias do Evangelho, incluindo a da multiplicação dos pães e dos peixes. Foi lá que Jesus delegou a Pedro o Primado da igreja e ensinou seus discípulos a rezar. Na Igreja da Multiplicação – construída sobre uma capela destruída pelos persas – há parte de um mosaico no piso original. Ao lado está a igreja do Primado de Pedro, onde investigações arqueológicas recentes descobriram que sob ela estão restos de dois santuários datados dos séculos IV e V.

Para terminar o dia e apreciar um belíssimo pôr do sol nada melhor que um passeio de barco pelo Mar da Galileia, que na verdade é um grande lago de água doce situado a 213 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. Ele é citado na Bíblia por estar associado ao famoso Sermão da Montanha, que aconteceu em uma colina com vista para o lago, além do episódio em que Jesus caminhou sobre suas águas. Durante os passeios de barco, alguns grupos aproveitam para celebrar missas. Em outros acontecem shows. Os passeios noturnos também são interessantes.


4º DIA

Logo pela manhã fomos para Nazaré para visitar a casa de Jesus e os locais onde ele passou a infância e juventude. Cidade com população predominantemente muçulmana, recebe peregrinos de todas as partes, que percorrem suas ruas estreitas à procura da casa que teria pertencido a Maria, mãe de Jesus. Os restos da casa estão bem no centro da Basílica da Anunciação, uma grande igreja de dois andares. Contam que foi ali que o arcanjo Gabriel apareceu para Maria para anunciar a sua concepção de Jesus. Há, também, o Poço de Maria, onde foi construída a Igreja Grega Ortodoxa. Próximo está a Igreja de St. Joseph, conhecida como a “oficina de José”.

Outro local que faz sucesso entre os turistas é o Nazaré Village, que oferece uma experiência autentica dos tempos bíblicos. Os visitantes são recebidos por personagens com roupas de época que mostram como era a vida há mais de 2 mil anos. O passeio completo dura aproximadamente 2 horas. Não há acessibilidade. O preço do ingresso (50 NIS) pode incluir a refeição no restaurante típico do local.

À tarde, os destinos foram Canna, ou Caná, onde se diz que Jesus realizou o seu primeiro milagre transformando água em vinho em uma festa de casamento; e Megido, tombada como Patrimônio Histórico pela Unesco. Local importante, remondos cananeus (3.600 a.C.) e é onde está o Armagedom, lugar onde se diz que será travada a batalha apocalíptica final entre o bem e o mal. Em Megido está uma colina totalmente artificial com
uma cidade construída sobre outras destruídas. Sob o antigo Monte Megido estão os restos de 25 civilizações. Em sua planície foram travadas várias e sangrentas batalhas.

O final do quarto dia em Israel foi às margens do Rio Jordão, em um dos locais onde possivelmente Jesus foi batizado. Chamado de Yardenit – onde o rio sai do Mar da Galileia –, permite banhos com ou sem as túnicas brancas que podem ser alugadas por US$ 15 ou compradas por US$ 25. Antes de voltar ao hotel em Tiberíades ainda deu tempo de conhecer a empresa Caprice, especializada na lapidação de diamantes. O país é o principal centro de lapidação do mundo. Cerca de 50% de todas as pedras preciosas encontradas no planeta são enviadas a Israel para serem lapidadas. Não deixa de ser uma visita interessante.


5º DIA

O roteiro do dia começou com visita ao Monte Tabor, localizado a 588 metros de altitude. Segundo a tradição cristã foi lá que ocorreu a Transfiguração de Jesus. É acessível apenas através de vans que sobem e descem uma estradinha sinuosa. O trajeto dura apenas seis minutos e ônibus não conseguem subir.

O local com muitas passagens bíblicas tem uma igreja e um mosteiro franciscano, além de um visual encantador. A igreja, concluída em 1924, foi construída sobre as ruínas de um antigo templo Bizantino (séculos 4 a 6) e de uma igreja do século 12.

De volta ao nível do mar partimos com destino a Jericó, considerada a cidade mais velha do mundo com mais de 10 mil anos e administrada pela Autoridade Palestina. Ela está localizada na Cisjordânia, região com 5,6 mil quilômetros quadrados que em 2 mil anos foi muitas vezes alvo de disputas e conquistada por muitos povos. Na primeira metade do século 20, a ONU dividiu a região em duas partes. Os judeus aceitaram mas os árabes não, o que motivou uma guerra entre os lados. Israel venceu a disputa em 1967. De lá para cá desenvolveram-se negociações para a criação e reconhecimento do Estado Palestino. Na década de 1990 as negociações evoluíram e criaram-se ilhas independentes: A e B (Palestina) e C (Israel).

Israel

Monte Carmelo está a mais de 570 metros acima do nível do mar. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em Jericó não entram carros alugados em Israel. Portanto, quem vai em excursões encontra maior facilidade para entrar. Foi o nosso caso. Visitamos um parque cortado pelo Rio Jordão na fronteira com a Jordânia. O país vizinho dominou a região durante muito tempo e até hoje existem campos minados e isolados, claro. O lugar chamado Kasser el Yahud – Castelo dos Judeus – abriga um mosteiro importante para o povo judeu, pois segundo a tradição judaica é o lugar onde os israelitas atravessaram o rio em seu caminho para a Terra Santa. Bastante popular, é frequentado por muita gente para batismos e renovação de votos. O principal local de interesse histórico e turístico em Jericó é o Monte das Tentações. Segundo o Evangelho de Mateus, foi lá que Jesus foi tentado pelo diabo após um jejum de 40 dias. Para chegar ao alto da montanha utiliza-se um teleférico doado pela Suíça, que leva até um antigo monastério grego ortodoxo. Além do monastério, há, também, um restaurante com uma bela vista do vale. Boa oportunidade para provar a culinária palestina. Quem não gosta de gatos vai estranhar os bichados circulando entre as mesas em busca de comida.

Outros pontos de atração em Jericó são o Tel es-Sultan, vestígios arqueológicos de civilizações que viveram no local há mais de 10 mil anos; o Palácio de Hirsham, construído no século 8 d.C. pelo califa Hirsham Ibn Abd al-Malik e apelidado de “Versalhes do Oriente Médio” antes de ser destruído por um terremoto; e a curiosa árvore em que Zaqueu teria subido para conseguir ver Jesus em meio a uma multidão.

Se tiver tempo, a oferta de passeios de camelo está por todas as partes por módicos US$ 5. Com a noite próxima, partimos em direção ao Mar Morto e suas águas incrivelmente salgadas. Atração única no planeta, ao mergulhar a alta salinidade não permite que se afunde. Considerado o ponto mais baixo da Terra, o Mar Morto está a 423 metros abaixo do nível do mar e para aproveitar a experiência alguns cuidados são necessários: não mergulhar a cabeça na água, não passar a mão molhada nos olhos, não usar joias pois estragam e não usar biquínis ou sungas brancas para não manchar. Pernoitei em um hotel que tem um spa com as águas do Mar Morto. Muito relaxante, acreditem!

Se tiver interesse, vale uma visita à fábrica e loja da Ahava, produtora de cremes à base da lama do Mar Morto.


6º DIA

Após cinco dias intensos, passei a manhã na praia. Boiei um pouquinho claro e caminhei pela areia. Um pequeno corte no dedo me fez ver o que pode significar se deixar a água entrar nos olhos. Durante a caminhada me chamou a atenção vários jatos militares sobrevoando a região em velocidades supersônicas.

Depois do check out no hotel parti rumo a Masada. Lá, no alto de uma montanha – com acesso via teleférico -, estão os restos de fortificações e palácios construídos por Herodes. Esse é o terceiro lugar mais visitado em Israel. A Fortaleza de Masada é considerada Patrimônio da Humanidade. Uma recomendação imprescindível é não esquecer de levar uma garrafa de água. No alto da montanha a umidade é zero, fazendo com que você não sue. Seu corpo começa a armazenar calor e, em pouco tempo, a sensação térmica será muito alta. É possível observar com bastante clareza os contornos dos antigos acampamentos romanos. A segunda parada do dia foi nas montanhas e cavernas do Qumran, no deserto da Judeia. Há 2 mil anos, a região era habitada pelos essênios e onde foram encontrados, em 1947, os originais dos Manuscritos do Mar Morto. João Batista viveu por lá.


Templo bahai

Marco importante de Haifa, o suntuoso templo Bahai está localizado em meio a um belo jardim. FOTO: THINKSTOCK / CAHKT

7º DIA

Início do ponto alto da viagem. Cheguei em Jerusalém, a capital político-administrativa de Israel e a maior cidade do país. Ela reúne os principais pontos de atração da viagem à Terra Santa. Considerada sagrada pelas três grandes religiões monoteístas – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo -, possui uma infinidade de lugares sagrados e templos de interesse universal.

Começamos o tour pelo Monte das Oliveiras, lugar alto que permite uma bela vista panorâmica da região. No Jardim de Getsêmani as velhas oliveiras do tempo de Jesus são testemunhas da história e embelezam o lugar. Junto delas Jesus viveu a agonia da espera na quinta-feira e também foi preso. Nos arredores estão também o Túmulo de Absalão, num antigo cemitério judaico de 3 mil anos; o Dominus Flevit; a Igreja da Agonia (Igreja de Todas as Nações) e a Igreja Ortodoxa Russa de Maria Madalena. No cemitério chama a atenção as pedras colocadas sobre os túmulos. Uma tradição semelhante à nossa de colocar flores.

O número de pedras mostra o quanto a pessoa era amada. Descemos e fomos ao Monte Sião, que é ladeado de um lado pelos muros da Cidade Velha, onde estão o túmulo do rei David, que é feito de pedra e leva as coroas de prata da Torá; a Sala da Última Ceia, em que Jesus fez a última refeição na companhia dos seus discípulos e previu a negação de Pedro e a traição de Judas; e a Abadia da Dormição, que acredita-se ter sido a casa de Maria depois da crucificação. O rei David viveu cerca de mil anos antes de Jesus e o Novo Testamento diz que ambos possuem grau de parentesco. Na visitação ao túmulo as mulheres são separadas dos homens.

Depois de um almoço em um restaurante típico armênio, era chegada a hora de conhecer a Cidade Velha. Tradicionalmente dividida em quatro bairros – armênio, cristão, muçulmano e judeu – é cercada por muralhas e tem oito portões de acesso. O portão por onde Jesus passou está fechado. Entre 1948 e 1967 esteve sob o domínio da Jordânia. Seu principal ponto de interesse é o Monte do Templo, local onde está o Domo da Rocha, cartão postal da cidade e o terceiro santuário mais sagrado do Islã. O pedaço de rocha preta que ele cobre foi o lugar onde Abraão tentou sacrificar Ismael – não Isaque, como judeus e cristãos acreditam -, o local do Templo de Salomão e onde Maomé deixou suas pegadas antes de subir em direção aos céus para o seu encontro com o divino. A mesquita construída no século 7 é sagrada para os árabes.

Também é onde está o antigo Templo de Jerusalém, do qual resta atualmente apenas o Muro das Lamentações, considerado o lugar mais sagrado para os judeus. Com cerca de 60 metros é a única parte que sobrou do Segundo Templo, destruído pelos romanos. No bairro muçulmano casas foram construídas aproveitando os demais 400 metros do muro. É possível fazer um tour subterrâneo para conhecer a parte escondida sob as residências. Em áreas separadas, homens e mulheres oram fervorosamente e colocam seus pedidos nas frestas do muro. As mulheres são separadas para não tirar a atenção dos homens durante as orações.

A área onde está o bairro judaico foi totalmente destruída durante o período de dominação. Quando voltou ao controle israelense foi reconstruído e conserva algumas partes originais. A sinagoga Há-hurva, por exemplo, foi destruída e reconstruída quatro vezes. Vários museus subterrâneos funcionam no local. Uma das atrações do bairro é o Menorah de Ouro, uma réplica do que estava dentro do Templo de Jerusalém. A peça feita em ouro pesa cerca de duas toneladas e está avaliada em mais de US$ 1 milhão.


Terra Santa

Colinas do Golan estão entre os lugares mais belos de Israel. FOTO: THINKSTOCK / AJLBER

8º DIA

 De volta à Cidade Velha fui ao bairro muçulmano, onde está um dos principais destinos de peregrinação dos cristãos, a Via Dolorosa, circuito que marca a condenação, flagelo, crucificação e o túmulo de Cristo. O caminho é identificado por estações numeradas para facilitar o entendimento. Ultima Estação, o túmulo de Jesus, é a que recebe o maior número de pessoas. Hoje ele está no centro da Igreja do Santo Sepulcro, próxima ao Gólgota, a colina onde teria sido crucificado. Se for visitar durante a alta temporada prepare-se para enfrentar uma fila que pode chegar a uma hora ou mais. Em dezembro, inverno, eu levei cerca de 35 minutos. Aqui permitam-me um comentário. Não me considero muito religioso embora acredite em Deus. Confesso que quando entrei ao local do túmulo, juntamente com uma mulher e seu filho, fiquei muito emocionado e senti um nó na garganta. Entram apenas três pessoas por vez e ficam apenas 30 segundos. São pessoas de todas as idades e raças, principalmente mães com seus filhos no colo. Emoção pura!

No bairro cristão estão as piscinas de Bathesta, que remonta do século 2 a.C. e foi onde Jesus curou um homem doente. Ao lado da piscina fica a Igreja Cruzada de Santa Anna. Dedique algum tempo para curtir os bazares coloridos com pequenas lojas que vendem especiarias aromáticas, tapetes, joias, cerâmicas e uma infinidade de lembrancinhas.

A parte da tarde eu reservei para conhecer Belém, a terra natal do rei David e de Jesus Cristo. A cidade é controlada desde 1995 pela Autoridade Palestina e não permite a entrada de judeus. Não esqueça de levar o passaporte pois ele poderá ser pedido no posto de verificação. Pequena, com apenas 35 quilômetros quadrados, abriga cerca de 40 mil pessoas entre cristãos e muçulmanos. Entre as atrações está a Basílica da Natividade, construída sobre o local onde Jesus nasceu – identificado por uma estrela de 14 pontas. É considerada a mais antiga do mundo com 1,7 mil anos. Dividida entre as igrejas católica, ortodoxa grega e armênia tem grande colunas de pedra e mármore vermelho. Ao lado está a caverna onde estava a manjedoura. Antes de deixar Belém, visitei os campos e grutas dos Pastores, local onde o arcanjo Gabriel teria avisado aos pastores o nascimento do menino Jesus. Peregrinos se reúnem no local para celebrar a véspera do Natal.


9º DIA

Reservei o penúltimo dia da viagem para conhecer a história de Israel e do povo judeu. Comecei por uma visita aoYad Vashem – o Museu do Holocausto -, situado no Monte Herzl, um memorial às 6 milhões de vítimas judias massacradas pelo nazismo. Em torno do prédio do museu um imenso jardim tem árvores em homenagem a pessoas de outras nacionalidades que ajudaram os judeus. São chamados de “justos entre as nações”. O museu é muito grande e seriam necessários pelo menos dois dias para percorre-lo com calma. Está organizado de forma cronológica e para facilitar o entendimento use o áudio guide em espanhol pois não há tradução para o português. Se quiser contratar um guia que fale português o museu pode disponibilizar. A entrada é grátis.

Ao percorrer seus corredores é evidente a emoção das pessoas e o silêncio é uma marca no Yad Vashem. Difícil não ficar abalado com o que se vê. São listas de nomes, fotos de adultos e crianças, roupas, objetos e documentos das vítimas. Tem gente que chora e tem gente que não consegue seguir até o final.

Não deixe de visitar o Memorial Hall das Crianças, que homenageia as 1,5 milhão de crianças mortas durante o holocausto. Tem um projeto arquitetônico belíssimo. Na entrada, colunas quebradas e no interior uma única vela permanece acesa em memória eterna. Totalmente escuro e com muitos espelhos, a imagem da chama é multiplicada e proporciona um ambiente emocionante e visual incrível.

O segundo museu do dia conta a história do país. O Museu de Israel tem logo à entrada um grande modelo em escala do Segundo Templo de Jerusalém. Fundado em 1965 e localizado na região central da cidade, guarda um dos maiores acervos do mundo em arqueologia bíblica. São várias alas mostrando a vida e a história dos judeus através dos tempos. Há objetos da antiguidade, arte moderna e exposições itinerantes. Chama a atenção pela beleza o setor com sinagogas originais de várias partes do mundo, que foram trazidas e remontadas no museu. Uma outra área monumental é o Santuário do Livro, onde estão depositados os Manuscritos do Mar Morto. Oito dos pergaminhos estão lá divididos em 30 mil fragmentos. Os textos contêm partes de todos os livros do Velho Testamento.

Na lojinha do museus estão à venda réplicas de muitas das coisas em exposição, inclusive de joias de 5 mil anos atrás. A noite chega e Jerusalém se transforma. Para atender a demanda de uma grande população de jovens, muitas casas de shows e boates de diferentes gêneros oferecem músicas de todos os tipos. Um espetáculo para toda a família é o show de luzes e som realizado na Torre de David. Utilizando técnica inovadora e recursos computadorizados, projeta imagens em HD nas pedras e paredes da torre num espetáculo de tirar o fôlego. Os 4 mil anos de história de Jerusalém estão refletidos na apresentação. Leve um agasalho, pois o show de 45 minutos é realizado ao ar livre. Os preços variam entre 45 e 55 NIS.


10º DIA

Último dia em Israel. É incrível mas em Jerusalém há um outro lugar que garantem e acreditam ser o verdadeiro local onde o corpo de Jesus foi enterrado. Para não deixar a cidade tendo visitado apenas o Santo Sepulcro, resolvi conhecer o chamado Jardim do Túmulo, localizado em um terreno próximo da Porta de Damasco ao lado de um terminal de ônibus que fazem a ligação com o Monte das  liveiras e perto de uma pequena colina com um
cemitério muçulmano.

Terra Santa

Atração única no mundo, o Mar Morto tem águas absurdamente salgadas, o que não permite que se afunde; FOTO: THINKSTOCK / VVVITA

É possível chegar ao local caminhando a partir da Via Dolorosa. Descoberto em 1867, o túmulo de duas câmaras talhado na rocha data do primeiro século. O general britânico, Charles Gordon, em 1882, defendeu a teoria de que este lugar teria sido o local da crucifixão de Jesus. Certeza não há, mas não deixa ser curiosa a semelhança da rocha.

O Jardim do Túmulo é cuidadosamente preservado como um local sagrado para os cristãos, já que algumas denominações evangélicas e protestantes acreditam que Jesus foi ali sepultado. O lugar é mantido por uma associação beneficente e independente de voluntários, a Associação do Jardim do Túmulo. Os passeios precisam ser agendados previamente e é possível solicitar um guia que fale português. Se preferir use o áudio guide. A entrada é gratuita.

Como a distância para Tel Aviv não é longa, dá para aproveitar a tarde inteira antes de partir. Já saindo de Jerusalém a caminho do aeroporto, resolvi
dar uma passada na reserva paisagística bíblica de Neot Kedumim, conhecida também comoJardim da Sabedoria. O lugar com 600 hectares tem centenas de variedades de plantas bíblicas e talmúdicas, cisternas e prensas antigas e reconstruídas para a produção de azeite e vinho. Um parque de reflorestamento tem árvores originais de Israel. Bom passeio para relaxar antes de embarcar de volta ao Brasil e aproveitar para aprender sobre as conexões entre as plantas e os seus antepassados bíblicos. Aproveite para plantar uma árvore e deixar a sua marca na Terra Santa. SHALOM!

O jornalista viajou a convite do Ministério do Turismo de Israel, Amiel Tours e Turkish Airlines e contou com a proteção do seguro viagem da GTA – Global Travel Assistance.


PRA QUANDO VOCÊ FOR A ISRAEL:

LÍNGUA: Hebraico e árabe. O inglês e o francês também são amplamente utilizados.

FUSO HORÁRIO: Cinco horas a mais em relação ao horário de Brasília.

MOEDA: Shekel Novo (NIS) – Além das casas de câmbio, quase todos os bancos de Israel trocam dinheiro. R$1 vale cerca de 0,72NIS.

VISTO: Não é necessário. O passaporte deve ter validade de pelo menos seis meses da data de saída do país.

CLIMA: Nos meses de abril e maio e setembro e outubro, o clima é bastante agradável. Os verões são quentes, longos e secos (abril a outubro) e geralmente invernos amenos (novembro a março).

ELETRICIDADE: 220 volts. A maioria das tomadas elétricas possui buracos de três pinos, mas a maioria aceita o plug europeu de dois pinos.

EMBAIXADA E CONSULADO DE ISRAEL NO BRASIL:

EMBAIXADA DO BRASIL EM ISRAEL: Rua Yehuda HaLevi, 23 – 30º andar – Tel Aviv. O atendimento no Setor Consular é de segunda a quinta-feira, das 9h às 13h. Informações: tel. (+9723)/(03) 797-1500 ou telaviv.itamaraty.gov.br/pt-br/

TRANSPORTE:  A partir do aeroporto internacional Ben-Gurion, em Tel Aviv, as melhores opções são os táxis ou as vans (Egged Bus). As vans funcionam 24h e levam diretamente aos principais hotéis. Preço: 70NIS. Informações: www.egged.co.il . Se for alugar um carro lembre-se que a direção é à direita. Circular em Israel é muito fácil. As estradas são boas, bem sinalizadas e não há cobranças de pedágios. Já em Jerusalém e arredores nem sempre a tarefa será fácil. Para chegar a cidades turísticas como Jericó e Belém – controladas pela autoridade Palestina – passa-se, muitas vezes, por bloqueios militares. Se optar por uma viagem de ônibus para destinos palestinos terá que utilizar a rodoviária árabe, próxima ao Portão de Damasco. Destinos judeus são servidos pelo Terminal Rodoviário Central.

DICAS:

  • Faça um roteiro de modo que você não tenha que passar um sábado em Jerusalém, o principal destino da viagem. O dia é especial e de descanso para os judeus. O shabbat começa com o pôr do sol da sexta-feira e só termina no início da noite de sábado. Tudo para em Israel. Os ônibus não circulam, o comércio fecha completamente, etc.
  • Não coloque cadeados nas malas, pois eles poderão ser quebrados para vistoria na bagagem no aeroporto.
  • Chegue ao aeroporto três horas antes da partida do voo. Se for alugar um automóvel peça para configurar o GPS para circular apenas na zona C. As zonas A e B são administradas pela Autoridade Palestina.
  • Israel dispõe de Tax Free – reembolso de 17% do imposto em compras únicas acima de US$ 120.

O QUE COMER: A gastronomia israelense reúne muitas tradições culinárias e alimentos locais como azeitonas, tâmaras, figos, romãs, trigo, cevada e uvas. A maioria dos judeus é imigrante da Europa Oriental, da Antiga União Soviética, e do Norte da África, que trouxeram com eles antigas tradições envolvendo a comida judaica. As refeições sempre têm húmus – típico da cozinha árabe, feito com pasta de grão-de-bico -, tahine, arroz, purê de batatas e legumes. Entre os pratos principais estão o baba ganoush, malawach, sabih e shnitzel. Os temperos bastante exóticos incluem suco de limão, cominho, alho, azeite e páprica. O falafel no pão pita e o shawarma de cordeiro – também conhecido como churrasquinho grego – são opções para refeições rápidas e leves. Restaurantes que servem a culinária kosher e árabe estão por todas as partes. Não deixe de provar o suco natural de romã, fruta símbolo de Israel.

ONDE FICAR: As opções de hospedagem em Israel são variadas. Em Jerusalém, dentro da Cidade Velha, há hotéis e pousadas bem simples e com bons preços. Do lado de fora dos muros há hotéis de todas as categorias. Confira algumas opções:

COMO CHEGAR: Não há voos diretos do Brasil para Israel. São várias as opções a partir da Europa. Confira algumas delas:

PACOTES TURÍSTICOS:

INFORMAÇÕES TURÍSTICAS: www.goisrael.com.br

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