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Aurora Borealis in Ersfjordbotn, Tromso Norway during winter season.

Noruega: espetáculo das luzes verdes da aurora boreal

23 de dezembro de 2020

O país conquista todos não só com suas magníficas belezas naturais, mas com a oportunidade de ver um dos mais belos fenômenos da natureza. Confira como fazer essa expedição!

A neve caindo e quase cobrindo boa parte da entrada do aeroporto anunciava que eu estava sendo recepcionada com o inverno europeu no lugar mais ao norte da Noruega. O destino é Tromsø, um dos poucos lugares no mundo em que é possível ver a aurora boreal, um dos fenômenos mais deslumbrantes da natureza, e fazia parte da minha lista dos desejos para realizar. Localizada no Círculo Polar Ártico, a cidade de 70 mil habitantes é um dos lugares mais procurados pela maioria dos viajantes que querem assistir as “northern lights” (luzes do norte), por ter condições climáticas propícias para o fenômeno. Com um inverno mais longo e gélido, a temperatura varia de -6°C a 15°C e raramente é inferior a -15°C ou superior a 21°C.

A aurora boreal, está no “bucket list” (lista de sonhos) de muitos viajantes que gostam de viver uma aventura, mas há pessoas que acreditam que essa expedição pode ser difícil de se realizar, seja pelo custo, dificuldade de encontrá-la, pelo clima e até mesmo por não falar o idioma. Mas além da Noruega, o fenômeno pode ser caçado também em outros países como Islândia, Finlândia, Suécia, e no Canadá.


Viajar por conta própria pode ser arriscado, mas eu resolvi tentar. O investimento para uma viagem dessa envolve além de passagens aéreas para esse país que não é um dos mais baratos, mas hotel, roupas adequadas para o clima e até mesmo contratar uma pessoa especializada para tentar ver as luzes do norte. Há também a oportunidade de você comprar alguns pacotes de caça a aurora boreal partindo já do Brasil, mas os valores podem chegar até quase R$ 28 mil reais, incluindo apenas a expedição. Mas nessa minha viagem, resolvi não contratar um guia especialista e nem alugar um carro como alguns viajantes fazem, e fui tentar na sorte junto com um colega noruego que já tinha uma experiência em aventura. O meu voo saiu de Barcelona com destino a Bergen, segunda maior cidade do país, e só depois o destino final Tromsø.

Eu teria cinco dias na cidade e algumas tentativas de ver o fenômeno, é uma previsão que muitos especialistas sugerem para essa expedição, já que é uma caçada bem imprevisível. Ao chegar no aeroporto, o taxista pergunta: vieram para ver a aurora boreal? E sem pensar disse um sim empolgante, e logo ele veio me dizendo que eu poderia ter uma grande vantagem no próximo dia, já que as nuvens não estariam muito fortes naquele dia, e nem previsões de chuva.

Isso é algo que eu já havia pensado antes de ir, acompanhar as informações meteorológicas e alguns aplicativos que indicam a intensidade solar da aurora boreal naquele lugar.

A primeira coisa que fiz foi chegar ao hotel, e pedir informação para saber onde era a localização da oficina de turismo da cidade para viabilizar um mapa que nos fornecesse quais pontos na cidade onde poderíamos buscar a aurora boreal sem precisar de transporte, como também os passeios que faríamos por ali.

Expedição

Para ser possível ver o espetáculo da aurora, é preciso que o céu não esteja encoberto de nuvens e também não tenha interferências das luzes da cidade, por isso suas chances são de aparecer durante a noite. A melhor recomendação segundo especialistas no assunto é percorrer alguns quilômetros fora da região da cidade, onde não há mais nenhum sinal de luz. Mas essa não seria uma opção para nós que estávamos sem carro, então vimos que um dos pontos que poderia vê-la e seria no topo da montanha Storsteinen (421m acima do nível do mar), onde existe um bonde elétrico que leva até uma parte onde fica um espaço para ski e restaurante.

O relógio marcava 22h01. Começava ali uma grande aventura que iria acontecer madrugada a dentro. Munidos de lanternas, botas adequadas, e roupas apropriadas para uma temperatura provável que poderíamos passar de -15°C, foi ali que aprendi com os noruegos que no inverno “não existe temperatura ruim, só roupa inadequada”. Carregava na mochila meu equipamento fotográfico e também um tripé. Aos amantes da fotografia, fotografar a aurora boreal pode ser uma das tarefas mais difíceis, não só pelas técnicas de fotos noturnas e em longa exposição, mas bem como também a temperatura que você vai enfrentar. Não sou uma fotógrafa especializada nesse trabalho, mas me arrisquei em querer aprender e tentar colocar em prática, o que para mim a prática foi bem mais difícil do que os ensinamentos que aprendi.

Saímos eu e o meu colega a pé do hotel, distante 2 km do centro da cidade, e atravessamos a ilha até o outro lado dela. Chegamos até o início da montanha para pegar o “cable car”, o nosso conhecido bondinho elétrico, que funcionava até às 23h. A nossa estratégia era aguardar até o restaurante fechar às 23h e só depois começar o hicking até o topo da montanha. Fazia -10°C lá fora, e o céu parecia ficar estrelado durante toda a noite. Nos minutos de espera, aproveitamos para comer alguma coisa e nos aquecer o quanto fosse possível, e separei um tempo para testar o equipamento fotográfico. “Ali não é a aurora?” levamos um susto quando vimos pelas janelas alguns turistas fotografando algo que parecia sim ser um rastro em tons acizentados da aurora boreal. Corremos para fora e abrimos um sorriso pensando que a noite prometia ser épica.

Eram 23h01, as portas do restaurante se fecham, e ali começava a expedição para subir ainda mais a montanha pelo menos mais cerca de 200 m e chegar no seu topo para conseguir avistar a aurora de uma maneira que ficássemos o quanto mais distante possível das luzes da cidade. Não sou uma atleta, e nem praticante de esportes, e pensava que a aventura seria mais tranquila do que ela realmente aconteceu.

No caminho, passei por duas crises de pânico pela altura, por mais que a neve estivesse alta, ela amortecia os meus pés quando caminhava, mas você olhar para trás o que já percorreu e ver a ilha toda iluminada abaixo me deu crises de choro que não conseguia me movimentar. Criei forças para continuar porque ali era o meu sonho, e assim consegui chegar até o lugar mais alto por volta das 23h40. A noite prometia ser longa, e assistir a aurora é preciso combater a temperatura que marcava no meu celular -14°C, e simplesmente esperar.

Foram quase duas horas para que os primeiros raios de luzes verdes no céu começassem a surgir ao meu lado direito de forma tímida. Ela começou a avançar como se fosse percorrer um arco, e as cores foram intensificando, cada vez mais verdes. Liguei a câmera e comecei a disparar, rindo sozinha da alegria de aquilo estar acontecendo aos meus olhos. Em alguns momentos ela desaparecia e surgia do lado oposto mais fraca, e ia gradativamente aumentando a intensidade.

A aurora boreal é medida em índice KP, é nada mais que uma escala de atividade magnética, em que ela pode variar desde 0 até 9. E quando ela atinge grau 5 é quando vemos ela de forma intensa e bem verde, como nas fotos. Naquele momento, esquecemos de verificar o aplicativo que informa a atividade, mas pela minha experiência posso afirmar que ela poderia estar entre 5 a 6.

O grande espetáculo

A noite ainda prometia um grande show. Ela finalmente resolveu fazer uma belíssima apresentação diante dos nossos olhos, nascendo uma de cada lado e se encontrando bem acima de nossas cabeças completando um grande arco. Como se não bastasse, ela desejava esbanjar ainda mais sua beleza, e começou ao que nós chamamos de “dança da aurora boreal”, é quando ela começa a ganhar novas formas e se movimentar parecendo uma dança. Inexplicável. E por ali ela ficou por muito mais de 40 minutos, quando optamos por descer a montanha, que foi o trajeto mais perigoso e arriscado da nossa expedição.

A minha sensação era de extrema felicidade, e aquelas lágrimas de tensão no começo começavam a virar uma grande emoção. E, quando você avista ela pela primeira vez, é incrível como você vai ter vontade de continuar vendo mais e mais em outros países e locais, ela é realmente única.

Depois da minha fantástica expedição, eu considero que coloquei minha vida em risco em uma aventura que poderia ter contratado um guia especialista da região, ou mesmo investido para alugar um carro para que não precisasse subir montanha, que considero não ser para amadores como eu. Depois de ver essa beleza natural, eu teria mais dois dias e meio pela cidade, mas acreditei que a experiência de vê-la nesse dia foi suficiente para que eu pudesse descansar e explorar a cidade com mais calma.

Passeios a fazer

No dia seguinte, entre chuviscos e algumas partes do dia de sol, resolvi conhecer Tromsø. É uma ilha bem pequena, e a parte turística é bem fácil para se locomover a pé mesmo. Por isso, eu indico caminhar pelas ruas tranquilamente sem pressa, apreciando as ruas do centro, uma das mais famosas é a Storgata. Com várias lojinhas e restaurantes, se perca entre as ruazinhas com construções da arquitetura noruega, como casinhas coloridas feitas em madeira.

No caminho, passei pelo Northern Norway Art Museum, um museu com pinturas e esculturas representando cenas do cotidiano dos povos do ártico. Logo em frente ao museu está o Roald Amundesen Monument, uma estátua em homenagem a Roald Engelbregt Gravning Amundsen, que foi um dos mais famosos exploradores dos polos norte e sul.

Entre um passeio e outro, aproveite para experimentar a salsicha de rena em um famoso quiosque que vende hot dogs chamado Raketten, é um lanche rápido com um bom custo benefício bem no centro da cidade.

Do outro lado da cidade, atravessando a ponte, está a Catedral do Ártico, construída em 1965. Com uma arquitetura bem diferente, ela é tradicionalmente conhecida como a “casa de ópera”. Outra atração interessante é visitar o Polar Museum, um museu que conta a história e o estilo de vida dos habitantes do ártico e a sua relação com a natureza selvagem do extremo norte do planeta. E para quem pensa que por ser cidade pequena não há vida noturna agitada se engana, a ilha abriga muitos estudantes, então há sempre pubs, restaurantes e bares abertos até tarde da noite.

Planejando a viagem

As vantagens de se fazer a “caçada” por conta própria foi a economia nos gastos, mas me aventurar em um local pouco conhecido e ter o perigo de fazer um hicking em uma montanha a noite não é recomendável para quem vai pela primeira vez. Então, você pode optar por alugar um carro, o custo da diária é a partir de 200 euros dependendo da operadora, mas precisa saber que poderá dirigir durante horas de madrugada para procurá-la, além de ter que estar preparado para encarar uma região desconhecida, estradas de neve, e estar muito atento ao perigo de animais na estrada. E para que você veja a aurora boreal em uma composição bacana, ou seja, perto de um lago ou montanha, pode ser preciso até mesmo entrar em florestas que podem te fazer se perder. Além disso, você vai precisar investir em roupas certas, no caso o melhor material é em lã merino, que é tradicionalmente usado pelos próprios noruegueses.

Então, uma maneira muito mais segura de realizar o sonho de ver a aurora boreal é contratar uma agência que possa te acompanhar. Em Tromsø, você vai encontrar com facilidade agências que fazem essa expedição, mas a desvantagem é que são passeios com cerca de 50 pessoas com um guia local que fala inglês. O ideal é que seja uma experiência com menos pessoas e você possa ter alguém falando a sua língua.

Foto via iStock por vichie81

Foto via iStock por vichie81

Um dos guias e fotógrafos especialistas em aurora boreal, André Bonotto, mora há 10 anos na Noruega e hoje mantém uma agência que faz essas expedições chamadas Senja Experience, nome em alusão a ilha que mora chamada Senja, um dos lugares onde é possível também ver as luzes. Ele já registrou quase 1000 fotos diferentes de auroras boreais, além de muitas outras belezas naturais. “Por estar na Noruega eu conheço os melhores lugares da região para ver as luzes do norte com opções muito flexíveis. Se o cliente tiver disponível um dia, nós faremos de tudo para que ele consiga ver esse show da natureza. Se ele tiver três, cinco ou dez dias nós vamos atendê-lo da mesma forma. Não engessamos as pessoas a um pacote que os obriga a viajar em uma data específica, por um período específico e com passeios inclusos que muitas vezes não querem fazer. Aqui proporcionamos algo individualizado para cada caso”, explica André.

Bonotto calcula que é possível gastar menos de R$ 10 mil reais com passagem aérea, hotel e cinco noites de caçada a aurora boreal. “Lógico que há alguns outros gastos não calculados neste valor, mas já é muito mais abaixo do que seria gasta com outras opções. Conheço cada lugar dessa região e sei onde podemos estar em segurança. Ou você se arrisca em áreas que não conhece e pode sofrer graves consequências”, conta André Bonotto.

O que é aurora boreal?

O especialista afirma que o fenômeno é uma reação química que acontece quando os ventos solares carregados de prótons, elétrons e partículas alpha se colidem com a alta atmosfera do planeta Terra, onde há grande concentração de oxigênio. “Essa colisão, em geral, libera luminescência de cor verde, mas pode variar para lilás e vermelho quando outros gases estão envolvidos. “Esse ataque do Sol é prontamente repelido pelo campo magnético do planeta, mas uma pequena parte consegue penetrar, justamente, nos polos do planeta, e esse é o motivo de o fenômeno ser visto apenas nessa região”, afirma Bonotto.

Foto por IStock/ MuYeeTing

Foto por IStock/ MuYeeTing

Ele acrescenta ainda que apesar de parecer forte e brilhante, a aurora boreal necessita mesmo de escuridão para dar seu show. Por isso, ele indica que as melhores épocas de caça acontecem entre o final de setembro e a primeira semana de abril. “Ver ela é uma combinação de atividade solar intensa, escuridão e céus limpos. Conhecer como o fenômeno acontece na teoria é bem diferente na prática”.

A ilha de Senja

André atua em expedições na região da ilha de Senja, segunda maior do país, e é considerada uma das melhores regiões para fazer a caça também da aurora boreal. Segundo ele, por estar na zona de visualização da aurora, qualquer atividade solar lá já é suficiente para criar luzes no céu, e por isso é uma das regiões mais procuradas. Além de ver a beleza do fenômeno, a região é rica em paisagens naturais como lagos, montanhas, fiordes, e em muitos locais é possível avistar uma vida selvagem com renas, alces, águias, entre outros animais.

Serviço

IDIOMA

Existem 3 línguas oficiais na Noruega: duas variações do norueguês (Bokmål e Nynorsk), Sami (a língua do povo nativo Sami). 85-90% da população fala Bokmål. Mas a maioria dos noruegueses fala inglês.

MOEDA

Moeda: A moeda local é a Coroa Norueguesa –NOK.

FUSO HORÁRIO

O país usa o horário da Europa Central (CET), que é uma hora à frente do horário de Greenwich (GMT) e Hora Universal Coordenada (UTC + 1).

VISTO

Não é preciso de visto para entrar no país, e também não é necessário o certificado internacional de alguma vacina específica. Passaporte válido por pelo menos seis meses.

CLIMA

As estações são bem definidas, e as temperaturas variam entre graus negativos no inverno até 27 °C no verão. As estações do ano têm início e fim em: Primavera (março a maio); Verão (junho a agosto): alta temporada; Outono (setembro a novembro); Inverno (dezembro a março);

SAÚDE

Obedecendo o Tratado de Schengen, os países europeus exigem que passageiros do Brasil adquiram um seguro de saúde com cobertura no valor de 30 mil euros.

COMO CHEGAR

A maioria das companhias aéreas europeias chegam até Oslo, capital da Noruega, com conexões nas principais capitais, incluindo British Airways, Air France, KLM, Iberia, TAP, Lufthansa, Swiss, Norwegian Air e outras. Há também opções de voos também para outras importantes cidades, como Bergen, Stavanger e Ålesund (na região dos fiordes), e Tromsø (na região norte). Para deslocamento interno há companhias como: SAS, Norwegian Air e Wideroe, que conectam todos os aeroportos da Noruega .

ONDE COMER

Restaurante Mathallen Tromsø

Kaia Bar & Bistro

PEPPES PIZZA

PACOTES TURÍSTICOS

Senja Experience – senjaexperience.com

INFORMAÇÕES TURÍSTICAS

visitnorway.com

visittromso.no

Texto por Gisele Rodrigues | @mundopraviver

Fotos por André Bonotto

Imagem Destacada via iStock por MuYeeTing

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