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Chaco, uma das regiões ainda não descobertas pelo turismo na América do Sul | Qual Viagem Logo

Foto por Istock/

Chaco, uma das regiões ainda não descobertas pelo turismo na América do Sul

31 de julho de 2018

Na Argentina e no Paraguai, governos se esforçam para tornar parques nacionais e cidades dentro do Chaco destinos turísticos

 O lema oficial da província argentina de Chaco resume as maravilhas que os turistas podem descobrir em um dos destinos mais bonitos e diversos em cultura e natureza da América do Sul: “Chaco, el secreto de Argentina”.

Da sua capital, a pequena Resistencia (1.006 km de Buenos Aires), onde se respira um ambiente cultural único, até as paisagens secas e úmidas, algumas quase inexploradas, o Chaco brinda ao visitante um leque de opções ainda não descoberto pelas agências turísticas de Argentina e Paraguai, para onde a biosfera se estende.

Resistencia, mesmo, é uma cidade ainda para ser descoberta: conhecida no país pelas várias esculturas que adornam as ruas, ela só recebe visitantes uma vez a cada dois anos, justamente na Bienal das Esculturas. “Temos mais de 600 delas nas ruas”, disse o chefe local do Instituto de Turismo, José Ignácio Saife, ao jornal Clarín.

Em 2018, a bienal deve receber 180 escultores de mais de 50 países, sendo que a cada evento 10 peças são escolhidas para adornar as ruas da cidade posteriormente. O encontro reúne ainda cerca de 200 mil pessoas de diversas partes do país e rendeu ao município o título de “capital cultural do litoral” argentino.

Quando não é ano de bienal, Resistencia se expressa por meio de seu museu, um espaço de quase 15 mil metros quadrados onde estão expostas várias esculturas que fizeram parte dos eventos do passado. Ao lado, foi erguido o Domo del Centenario, um espaço onde se realizam reuniões e convenções – outros segmentos turísticos que a província aposta nos últimos anos – com capacidade para até mil pessoas.

Foto por Divulgação Diariochaco.com

Foto por Divulgação Diariochaco.com

Em Resistencia, ainda está o Fogón de los Arrieros, criado em 1943 pelo escultor argentino Aldo Boglietti. É um lugar multicultural que reúne fotos, artefatos, antiguidades, pinturas, esculturas, peças de artilharia da Guerra do Paraguai, um cemitério e uma “pista de aterrissagem de OVNIS”.

 

A instituição serve de albergue transitório a todos os artistas reconhecidos que visitam a cidade e abriga as famosas peças de tipos humanos feitas pelo escultor argentino Juan de Dios Mena a partir da madeira de gurupi.

Fora da capital, a província tem mais tesouros turísticos aos visitantes, como as opções de turismo rural em Selva del Río Oro, a 70 km de Resistencia, ou na região da Comarca Bermejo. Aos amantes da pesca, a Isla del Cerrito, situada na confluência entre os rios Paraguai e Paraná, é dedicada a esse tipo de turista. Ela fica apenas 20 metros acima do nível da água e, aos finais de semana de verão, é comum ficar lotada.

Também se podem visitar a capela localizada no barranco da ilha, outro museu com peças da guerra e almoçar ao lado de animais que convivem no pedaço de terra.

Outro destino da província é Roque Saenz Peña, segunda maior cidade regional, onde se encontra um complexo de spas e de águas termais conhecido em toda a Argentina como destino “relaxante”. “É como os paulistanos pensando nas praias do Nordeste”, sentencia o jornalista Guilherme Soares, que visitou o local em 2016.

“Acredito que, em um futuro não tão distante, os turistas vão entrar em Resistencia pela Ruta 9, parar no Parque Nacional Chaco, conhecer Castelli e sair pela cidade de Saenz Peña para um dia de relax”, sonha Saife.

Nos últimos anos, começou a florescer ali um pequeno mercado turístico de aventuras, cujos lucros, por ora, vão para o empreendedor Carlos Schumann. Ele fundou há 14 anos a Ecotur Chaco, que leva os visitantes ao coração do Parque Nacional por meio de barcos, catamarãs e veículos 4×4.

“Os turistas chegam aqui com ideias diferentes: uns querem tirar fotos, outros preferem entrar em contato com os nativos, dialogar, ver com eles vivem, comprar seus artesanatos. Nós vamos levando todos pelos lugares e apresentando-os”, disse à agência estatal argentina Télam.

De acordo com Saife, a província de Chaco passou a trabalhar com os vizinhos de Corrientes, com quem já compartilha city tours. “Somos uma parte de uma região. Acho que a província de Chaco não se pode pensar sozinha”, completou Saife.

 Chaco paraguaio

No Paraguai, os esforços são semelhantes: no país, há um grupo pequeno de turistas que aproveitam a região para promover o ecoturismo – desde pacotes de viagens naturais até projetos aventureiros – e outro que considera o Chaco uma região dura demais para visitar. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a maior parte dos visitantes do Chaco hoje é do exterior.

 

Hoje, é impossível caminhar pela região sem um veículo 4×4. Segundo o Ministério de Obras Públicas y Comunicaciones (MOPC), um dos projetos é reformar a Transchaco, que hoje é inteira feita de lama.

Um dos grandes atrativos do Chaco do Paraguai hoje é a estação biológica Tres Gigantes, uma área de 3 mil hectares de bosques e campos naturais denominada “Pantanal paraguaio”, por sua proximidade com o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, no estado brasileiro de Mato Grosso do Sul, e que foi inaugurado há pouco menos de uma década.

Foto por IStock/ reisegraf

Foto por IStock/ reisegraf

 

A viagem até a estação é longa: são dois dias inteiros de navegação pelo Rio Paraguai da cidade de Concepción (cinco horas de Assunção de carro) até a estação em um barco com serviços de bordo e habitações individuais. A cidade mais próxima de Tres Gigantes é a pequena Bahía Negra, na fronteira com o Brasil, para onde alguns turistas podem ir e voltar quando precisarem, por meio de lanchas menores.

Da estação, os turistas podem realizar uma série de atividades: excursões sobre o Rio Paraguai (Rio Negro para os paraguaios), pescas guiadas nas águas do rio, fazer trilhas fotográficas ou de observação de animais. “Vários de nossos visitantes tiveram a oportunidade de fotografar uma quantidade enorme de pássaros, além de jaguatiricas e onças-pintadas”, conta Andrea Ferreira, diretor da ONG Guyra Paraguay, que administra a região.

“A recomendação mais importante é que as pessoas viajem com a mente pronta para se maravilhar”, finaliza.

Texto por: Agência com edição

Foto destaque por IStock

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