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Caxias, uma cidade que virou poesia | Qual Viagem Logo

Foto por Natalia Bastos

Caxias, uma cidade que virou poesia

11 de fevereiro de 2020

Quando se pensa nas atrações turísticas do estado do Maranhão, nos vêm à cabeça São Luís, os Lençóis, Alcântara e a Chapada das Mesas. Mas visitar Caxias e sua bela região é mergulhar num mundo de poetas, de gastronomia ímpar, de igrejas centenárias que foram testemunhas da Guerra da Balaiada e se adentrar numa fauna e flora pré-Amazônica totalmente preservada.

A cidade de Caxias está localizada bem no leste do Maranhão e é banhada pelo Rio Itapecuru, que rasga a cidade e oferece diversos recantos de banhos naturais. Cercada de rios e riachos por to­dos os lados, é também considerada o paraíso das águas, e por suas matas intocadas atrai observadores de pássaros e amantes do ecoturismo, como a reserva do Inhamum. Vale a pena reservar uma manhã para explorar as trilhas desse oásis de mata nativa. Os agen­damentos devem ser feitos diretamente na prefeitura da cidade através da Secretaria de Meio Ambiente.

O município fica a 70 km de Teresina e a 370 km de São Luís e oferece arquitetura herdada do século 19. Em suas ruas, é possível observar a conservação de seus patrimônios históricos. Conhecida como a “Terra das Águas Cristalinas”, ou a “Princesinha do Sertão”, em seu entorno gravitam muitos municípios que es­tão em constante desenvolvimento, sendo uma região entrecortada por um manancial composto pelo Rio Itapecuru e seus afluentes.

Caxias tem um comércio efervescente, bons restau­rantes, casas noturnas e uma rede hoteleira que não compromete. Vale conhecer esse monumento histó­rico do Brasil e se deliciar com as belezas e maravilhas da região. A cidade abriga várias igrejas centenárias e parte do seu casario está preservada. Você deve vi­sitar a Academia Caxiense de Letras, que é um dos pontos turísticos mais importantes. Ela também é co­nhecida como “A Casa de Coelho Neto”. A academia possui um acervo de mais de quatro mil livros, dentre eles destaca-se uma coleção de 16 livros raros desse célebre escritor caxiense.

Foto por Secretaria Municipal de Turismo de Caxias

Foto por Secretaria Municipal de Turismo de Caxias

Caxias, no Maranhão, foi a última cidade do Nor­deste a aderir à independência do Brasil. Ali foi travada uma das mais sangrentas e duradouras batalhas do país, a Guerra da Balaiada. Por conta desta ba­talha, Luís Alves de Lima e Silva recebeu o título de Duque de Caxias e, somente depois, outras cidades foram batizadas com o nome de Caxias, como Duque de Caxias no Rio de Janeiro e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, já em homenagem ao então Duque.

O memorial da Balaiada guarda a história do movi­mento popular acontecido em 1839 nessa importan­te cidade maranhense. Fica situada na Praça Duque de Caxias, no morro do Alecrim. No Museu-Escola da Balaiada a história é resgatada desde o olhar dos valorosos caxienses que protagonizaram uma das re­beliões populares mais heterogêneas do país, com a participação de vaqueiros, indígenas, escravos, mes­tiços e brancos pobres.

Banhos e matas para refrescar-se do calor

A cidade de Caxias tem temperaturas bastante al­tas durante quase o ano todo, com os termômetros chegando facilmente a 35°C. Para amenizar o calor, a dica é passar um dia no Balneário Veneza, que tem um lago que represa as águas medicinais de uma fonte de águas minerais localizada a poucos metros dali. O balneário está localizado às margens da rodovia MA- 034, com bares e restaurantes em volta. No imaginário popular caxiense, há diversas lendas, e é por isso que recuperamos uma das histórias que explicam a origem da lama medicinal. Contam que, já faz algum tempo, uma menina chamada Veneza morava com a madras­ta, uma mulher muito má. Um dia o pai saiu e a me­nina foi obrigada a ir ao comércio, um lugar distante cujo caminho passava por meio de um bosque assom­brado. Forçada a ir, Veneza nunca mais voltou. Mas sete dias depois apareceu em um sonho da madrasta pedindo para ela se arrepender, em caso contrário, a menina ficaria encantada na água do balneário e for­maria uma poça de lama da cor do pecado da mulher. Foi assim que a menina ficou no fundo da água e virou uma lama medicinal. Outras versões contam que a madrasta afundou a menina na água e virou lama.

Em uma região tão quente, o braço do Rio Itape­curu se torna uma das principais diversões da cidade aos finais de semana. A cidade tem várias nascentes, com mais de 20 balneários populares. Na estrada que liga Caxias a Teresina, você também encontrará diver­sos balneários, que oferecem vestiários, restaurantes e piscinas naturais para se refrescar. São locais ideais para quem quer desfrutar da família, abaixar a tempe­ratura corporal e sentir a paz que a natureza oferece.

Foto por Natalia Bastos

Foto por David Sousa

A Reserva Ambiental do Inhamum fica a meia hora do centro da cidade, sendo uma área de proteção am­biental onde a mata intocada da reserva ecológica é cheia de vida: córregos, riachos e nascentes cristalinas. Com 30 km² de belezas naturais e uma exuberante flo­ra e fauna, com sorte você pode ver preguiças e vários tipos de aves, como tucanos, seriemas, entre outros.

No parque tem uma equipe de seis pessoas que po­dem guia-lo e acrescentar informações que à primeira vista não dá para enxergar. Para aqueles apaixonados pela natureza, que gostam de trilhas e de se refres­car nas lagoas, conhecer a reserva do Inhamum é um passeio obrigatório. É recomendável fazer uma visita acompanhado de alguém local que conheça bem os caminhos – para isso, você deve ir à Secretaria Muni­cipal do Meio Ambiente.

 Berço de grandes escritores

Terra de águas cristalinas e berço de grandes escrito­res como Gonçalves Dias, Vespasiano Ramos, Teófilo Dias e o positivista Raimundo Teixeira Mendes, que influenciado por Auguste Comte criou o lema da ban­deira nacional “ordem e progresso”, nos reporta sem­pre a lendas, tradições, religiosidade e fé. A identida­de cultural dos caxienses é uma mistura étnica que resultou na formação de uma população que ama a flora e a fauna, que conhece e desfruta das particu­laridades culinárias e que proclama com orgulho um passado rico em fatos históricos.

Balaiada: a insurreição popular do século 19

Localizado no Morro do Alecrim, no ponto mais emblemático da cidade, no complexo cultural encontramos as ruínas do antigo Quartel da Balaiada. Construído recentemente, o complexo turístico é uma área de lazer onde se concentram diversos bares e restaurantes, uma pequena trilha ecológica e um mirante, de onde se tem uma vista panorâmica da cidade, podendo reconhecer desde as alturas as suas imponentes igrejas e praças. Em frente ao museu do Memorial da Balaiada, temos a antiga Praça Duque de Caxias, onde se encontram canhões da época da guerra.

O Museu Escola do Memorial da Balaiada oferece-nos um tour de aproximadamente duas horas, onde a história é dramatizada pelos próprios visitantes, uma metodologia criativa e divertida. No museu, além das armas usadas durante a guerra e dos instrumentos de tortura, podemos contemplar também objetos usados pelas elites da época e uma maquete da cidade em miniatura, onde se reconhece as principais igrejas, praças e casas de taipa.

Foto por Natalia Bastos

Foto por  David Sousa

Cada peça é uma emocionante prova material da história da terra das águas cristalinas, onde se encontram algumas obras do “seu Antônio Oliveira”, pintor caxiense que foi homenageado pelo Museu e que mostra em seus retratos os sertanejos (vaqueiros, mestiços, índios, escravos e brancos pobres, fazedores de balaio) que participaram da Balaiada, com uma expressão e riqueza cromática inexplicável.

Outro destaque são as obras da artista plástica internacional, a caxiense Tita do Rêgo Silva, que imortalizou em um painel no Memorial da Balaiada as paisagens e lendas da região, como a da sereia dos cabelos de ouro que se esconde no rio Itapecuru.

Os balaios e seus refúgios

Os balaios entram em Caxias entre 1839 a 1841, ocasionando a morte de aproximadamente 10 mil pessoas. Três anos de rebelião popular, com uma ampla massa social, os balaios lutaram por um ideal de liberdade, grito de guerra pela paz, igualdade e fraternidade: “ser balaio é ser líder de um movimento de luta”.

Foto por Natalia Bastos

Foto por David Sousa

Durante a guerra que aconteceu no século 19, foram três as igrejas onde os balaios se esconderam: na Catedral da Nossa Senhora dos Remédios, na Igreja de São Benedito e na Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Catedral da Nossa Senhora dos Remédios aos pés do Morro do Alecrim

A Praça Magalhães de Almeida é uma das mais importantes da cidade, onde se encontram o palácio episcopal e o chamado “palácio italiano”, construção do início do século 19 e residência da família do Sr. Alderico Silva, conhecido como Seu Dá, um grande empresário de sua época. Logo em frente está a Igreja da Matriz, uma das mais importantes da cidade, onde foi assinada a ata da adesão à Independência, e de onde saem imponentes procissões, como a do fogaréu e a via sacra, até os dias de hoje.

Igreja São Benedito e Rosário dos Pretos

Na praça que leva o nome do poeta caxiense Vespasiano Ramos, que nasceu próximo ao Largo de São Benedito, se encontra a igreja do Santo negro. Dentro dela ainda estão os restos mortais de figuras importantes da época enterradas dentro da igreja com lápides portuguesas. A praça é rodeada por frondosas árvores centenárias que brindam os cidadãos e turistas com sua sombra, enquanto as crianças também podem se divertir com os brinquedos de um parquinho. No local se encontra o bar do Cantarelle, onde se reúnem os boêmios caxienses, que jogam conversa fora, onde os principais temas são política, religião e futebol.

Foto por Natalia Bastos

Foto por Natalia Bastos

A Igreja Rosário dos Pretos é uma legendária obra católica do século XVIII e só abre para as missas. Frequentada antigamente por uma maioria negra, foi erguida por escravos em 1774, com o dinheiro que eles juntavam para adquirir sua carta de alforria. No pelourinho que havia em frente a ela, os escravos eram açoitados publicamente para servir de exemplo. Nesta região funcionava um ponto comercial da cidade, onde se concentrava a venda de escravos, a troca de mercadorias e de animais, que na época eram bastante valorizados.

Foto por Natalia Bastos

Foto por Natalia Bastos

Vale ainda visitar a capela que foi erguida às mar­gens do Morro de Tabocas, em homenagem a Nossa Senhora dos Remédios, padroeira do comércio. Anos mais tarde, após reforma supervisionada pelo enge­nheiro caxiense João Nunes Campos, a igreja trans­formou-se em Catedral, com fachada original altera­da e inclusão do relógio de bronze trazido da Europa.

Riqueza gastronômica

Vale destacar também na cidade, além dos poetas, natureza abundante e artistas de renome, a tradição gastronômica. Não deixe de experimentar o saboro­so Arroz de Cuxá, a Peixada Maranhense a Galinha de Parida, o Arroz Maria Isabel, a Panelada e, para matar a sua sede, a cajuína – refrigerante à base de caju natural muito comum nos estados do Maranhão e do Piauí. Mas para se refrescar mesmo, tome o fa­moso Guaraná Jesus, com fórmula única e que tem o verdadeiro sabor doce do Maranhão. Você encontra essas bebidas na maioria dos restaurantes da cidade.

Foto por Natalia Bastos

Foto por Natalia Bastos

Outra dica interessante para quem deseja fazer um lanche saboroso à tarde é experimentar as guloseimas da “Fios de Mel” em dois endereços na cidade. Não deixe de experimentar os bolos artesanais, a pizza fri­ta e os sucos naturais, principalmente o de Bacuri.

Serviço

CLIMA

O verão é ensolarado, quente e seco, com temperaturas mais altas em julho e agosto. Nesses meses, há um gran­de número de turistas na região. Por isso, prefira viajar em maio, junho ou setembro, quando o clima ainda está bom e as cidades ficam um pouco mais tranquilas.

COMO CHEGAR

A maneira mais fácil de chegar a Caxias vindo do Rio de Janeiro, de Brasília ou de São Paulo é pegar um voo para Teresina. De lá, é menos de uma hora de viagem (70 km) até Caxias. Consulte as companhias Azul (voeazul.com.br), Gol (voegol.com.br) e Latam (latam.com).

ONDE COMER

Uma ótima opção é o Restaurante Ipês, com especialida­de de carnes e grelhados localizado na Rua Aarão Réis, 1943. Experimente o frango com queijo ou a peixada brasileira. Outra boa pedida é o restaurante Vinil Bar e Bistrô, que tem buffet completo de segunda a domingo e fica bem na avenida central da cidade. À noite, pratos à la carte com música ao vivo. Informações: facebook. com/vinilbarebistro. Também tem uma deliciosa opção para quem está visitando o Mirante da Balaiada é con­ferir as delícias do Box 06 e experimentar os saborosos espetos na Brasa, comandado por Rony Torres.

ONDE FICAR

O Hotel Alecrim tem apartamentos confortáveis, piscina e um excelente restaurante que se destaca pela gastrono­mia regional e internacional, oferecendo um ótimo café da manhã.

Informações: www.hotelalecrimcaxias.com.br

INFORMAÇÕES TURÍSTICAS

caxias.ma.gov.br

Texto por Cláudio Lacerda Oliva e Natalia Bastos

Imagem Destacada por Natalia Bastos

Os jornalistas Cláudio Lacerda Oliva e Natalia Bastos viajaram a Caxias a convite da Prefeitura Municipal e do Conselho Municipal de Turismo de Caxias.

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