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Alcântara e Treze Tílias: uma viagem à Europa sem sair do Brasil | Qual Viagem Logo

Imagem por: trezetilias.com.br

Alcântara e Treze Tílias: uma viagem à Europa sem sair do Brasil

4 de dezembro de 2020

Não são raras cidades brasileiras que mantêm viva a história da imigração. Conhecer esses lugares é um convite a uma viagem no tempo e a outras culturas. Exemplo disso, são Alcântara (MA) e sua conexão com Portugal e Treze Tílias (SC), a cidade mais austríaca do Brasil.

Imagem via iStock por Diego Carvalho

Imagem via iStock por Diego Carvalho

Se por um lado, ainda não temos certeza sobre a estabilidade da abertura das fronteiras internacionais, por outro, sorte nossa, que a história do Brasil é repleta de miscigenação cultural, que nos faz ter um pouco do mundo aqui dentro. Além das mais variadas paisagens naturais, o turismo brasileiro permite mergulhar em outras culturas, que através da imigração trouxeram ao Brasil características que se mantêm até hoje. Alguns lugares já se firmaram como redutos, – seja pela arquitetura, culinária, artesanato, folclore e eventos que atraem turistas para essas vivências. Cidades como Blumenau em Santa Catarina, com a OktoberFest e Holambra em São Paulo, que traz em seu nome referência à Holanda e suas flores, já se consolidaram como exemplos nacionais.

Imagem por Felipe Weber Spider

Imagem por Felipe Weber Spider

Mas a variedade é grande, algumas outras cidades brasileiras, ainda não tão conhecidas, mantêm características e histórias muito interessantes, e aqui iremos compartilhar algumas delas.

Alcântara – Maranhão

Talvez o nome Alcântara soe familiar a muitos, em razão da Base do Centro de Lançamento de Alcântara, mas a cidade traz consigo outras atrações, muitas delas relacionadas às culturas que já passaram por ali.

Com um pouco mais de 20 mil habitantes, separada da Capital São Luís pela Baía de São Marco, Alcântara é mais antiga do que a própria capital do Estado.

História

Habitada inicialmente pelos índios tupinambás, ali era localizada a aldeia Tapuitapera, que significa morada dos Tapuias. Os primeiros forasteiros na região foram os franceses, no início do século 17.

A expulsão dos franceses se deu com a chegada dos portugueses, que iniciaram o que viria a ser a Vila de Santo Antônio de Alcântara. Na década de 1640, a região passou, também, pelas invasões holandesas.

Foto por: Felipe Weber Spider

Foto por: Felipe Weber Spider

O local foi um importante centro agrícola e comercial. Considerada à época sede da Capitania de Cumã, uma divisão administrativa do período colonial. Durante esse período, recebeu forte influência portuguesa em toda a sua arquitetura, que se mantêm até hoje.

Entre os séculos 18 e 19, a próspera cidade começou a passar por transformações, com o fim do ciclo de algodão, o crescimento da atual capital São Luís e a abolição da escravatura. A partir daí, começou a ser criado o cenário que é possível visitar hoje: uma mistura de casarões preservados com ruínas que contrastam o passado glorioso e sua decadência.

O que visitar

Em 1948 a cidade recebeu o título de Cidade Monumento Nacional, na área tombada, encontram-se cerca de 400 imóveis. É possível visitar a maioria dos lugares caminhando e mototáxi também é uma opção.

O principal é Centro Histórico, onde estão concentrados os monumentos que contam o passado da cidade, até chegar no momento presente, do porquê a região foi escolhida para abrigar o Centro de Lançamento de Alcântara.

Cerca de 500 metros e uma ladeira com casas coloridas dividem as atrações do cais do Jacaré, onde aportam as embarcações.

Ladeira do Jacaré

É o principal acesso para quem sai do cais. Losangos de pedras claras e escuras dão forma ao calçamento, acompanhado pelas construções coloniais coloridas.

Foto por: Felipe Weber Spider

Foto por: Felipe Weber Spider

Rua das Mercês

Ao final da ladeira, encontra-se a Praça e Capela das Mercês. A rua dá acesso a outros dois locais: a Fonte de Pedras e a Capela Nossa Senhora do Desterro e seus sinos. Segundo a tradição local, ao tocar o sino e fazer pedidos, eles serão atendidos pela santa.

A praça da Matriz

Possui a maior concentração de monumentos. Entre eles, as Ruínas da Igreja de São Matias, a imponente igreja do século 17, que não teve a sua construção finalizada, e é cartão postal da cidade.

Próximo à igreja, está o Pelourinho, original da época. Ainda na praça, o casarão que abriga a Prefeitura e a Câmara de Vereadores, já foi presídio.

Dois museus completam as visitas ao quadrilátero: o Museu Histórico de Alcântara e o Museu Casa Histórica de Alcântara.

Rua da Amargura

A maior concentração de ruínas da cidade está ao longo dessa viela, onde residiam as famílias mais ricas da cidade. Originalmente, a rua chamava-se Bela Vista, pois dali é possível avistar a Baía de São Marco e a Ilha de São Luís.

Segundo a guia local Caroline Aranha, o nome amargura foi dado em razão do caminho que os escravos faziam passando por ali, onde muitas vezes as famílias eram separadas para irem a diferentes fazendas. A rua também foi cenário de despedida entre as mães e seus filhos que iam estudar em Portugal.

Entre os monumentos tombados, destacam-se:

Igreja de Nossa Sra. do Rosário dos Pretos, Igreja e ruínas do Convento do Carmo, Forte de São Sebastião, a Casa do Divino, o Solar Cavalo de Troia, Palácio Preto, Palácio do imperador. Entre tantos outros.

Foto por: Alessandro Ribeiro

Foto por: Alessandro Ribeiro

Centro de Cultura Aeroespacial

O Centro de Lançamento de Alcântara foi criado em 1983 para lançamentos espaciais, o local foi es­colhido pela sua proximidade com a linha do Equa­dor, o que proporciona economia de combustível no lançamento de foguetes, já que dali, leva-se menos tempo para alcançar o espaço.

Não é possível visitar a base, mas na Casa de Cultu­ra Aeroespacial que foi fundada no Centro da Cidade em 2003, é possível obter informações dos objetivos e história do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Em meio às exposições de peças, maquetes, painéis e documentos históricos, está uma réplica em tamanho real do Sonda 4, um modelo brasileiro de foguete.

Foto por: Alessandro Ribeiro

Foto por: Alessandro Ribeiro

Praias

Para quem tem um tempo a mais, a cidade oferece uma variedade de praias, são 75 quilômetros. Entre elas Praia da Baronesa e Praia de Itatinga. A Ilha do Cajual se destaca na América Latina pelo número de fósseis de dinossauros encontrados. A Ilha do Livra­mento, também, é uma das opções, o trajeto é feito de barco a partir do Porto do Jacaré.

A Festa do Divino

A principal celebração de Alcântara dura 12 dias e chega a receber de 50 mil turistas. O calendário é divulgado anualmente, tendo como principal marco o final de semana do Domingo de Pentecostes, que costuma ocorrer entre maio e junho.

Foto por: Alessandro Ribeiro

Foto por: Alessandro Ribeiro

A celebração é um ritual com referência no cato­licismo, mas que, além das missas e procissões, traz música, danças, pessoas caracterizadas, queima de fogos, bebidas e comidas típicas e as tradicionais cai­xeiras – mulheres que tocam o instrumento conheci­do por caixas do Divino.

SERVIÇO

CLIMA

A cidade possui altas temperaturas durante todo o ano. De julho a dezembro o tempo é seco. De janeiro a julho as chuvas são constantes.

COMO CHEGAR

A partir de São Luís você tem duas opções:

Catamarã, Escuna ou Lancha – Cais da Praia Grande, no Centro de São Luís. A duração do trajeto depende do tipo de embarcação e da maré, mas na média, é 1h30.

FerryBoat – a partir do Cais da Ponta da Espera, há 11 km do Centro Histórico de São Luís. A viagem leva mais tempo, com a necessidade de uma van/carro.

QUANTO TEMPO FICAR

A maioria dos turistas passam um dia na cidade, para quem tem mais tempo, a possibilidade de um pernoite pode ser uma ótima escolha, além de usufruir por mais tempo do clima bucólico, a noite os monumentos são iluminados.

O QUE COMER

A cidade é conhecida pelo doce de espécie, vendido em algumas docerias da cidade. A iguaria a base de coco tem sua origem nos Açores, Portugal.

Treze Tílias – Santa Catarina

Foto por: Nathan Cazelia

Foto por: Nathan Cazelia

A cidade mais austríaca do Brasil ou Tirol Brasileiro, é assim que a pequena Treze Tílias, em Santa Catarina, é conhecida. Com um pouco mais de 8 mil habitantes, sendo grande parte descendentes ou austríacos, a cidade preserva a cultura, em especial, da região do Tirol.

Em meio a um clima ameno e paisagens que remetem à Áustria, a comunidade se formou mantendo tradições, seja na arquitetura com suas flores e entalhes de madeira na janela, na culinária e manifestações artísticas.

História

Na década de 1930, a Europa enfrentou uma grande crise econômica no período entre Guerras. Foi então, que o ministro da Agricultura da Áustria, Andreas Thaler, trouxe o primeiro grupo de 82 famílias de imigrantes austríacos para o Brasil.

Sob o nome de “Colônia Austríaca Dreizehnlinden” (tradução Treze Tílias), iniciou se a colônia em 1933. Tília é uma árvore típica do Tirol, que se adaptou muito bem na região. O nome inicial em alemão fazia referência ao poeta Wilhelm Weber e ao seu poema épico Dreizehnlinden.

Foto por: Barabar Fleder

Foto por: Barabar Fleder

Assim deu-se início a imigração dos austríacos, que foi intensa durante os anos de 1933 e 1937, vindos de várias regiões da Áustria. Somaram-se a eles italianos e alemães, dando a região um toque europeu que perdura até hoje.

A cidade integra o que é atualmente a Rota da Amizade, composta pelos municípios de Campos Novos, Fraiburgo, Joaçaba, Treze Tílias e Videira, localizadas na região do Vale dos imigrantes.

O que visitar

Portal Treze Tílias

O portal dá as boas-vindas aos visitantes e vale a foto. Tem estacionamento para os que chegam de carro.

Museu Municipal

O Ministro Andreas Thaler, que trouxe as primeiras famílias austríacas ao Brasil, em 1934 veio morar no país. Sua residência, conhecida popularmente por Castelinho, hoje abriga um museu. Em seu acervo, ambientes que mostram a vida na década de 30, além de peças que contam a história da colonização e cultura tradicional.

Praça Andreas Thaler e Igreja Matriz

Com nome em homenagem ao fundador da cidade, a praça, fica no Centro, em frente à prefeitura. Ornamentada com um belo jardim e uma fonte em forma de cascata que dá um charme especial ao desnível da praça.

No topo da praça está a Igreja Matriz Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que teve sua origem em uma pequena capela que já estava na região, sendo aumentada e incorporando a arquitetura do Tirol.

Foto por: Diego Mergener

Foto por: Diego Mergener

Parque Lindendorf

Um refúgio de charme e verde, com lago e restaurante. O parque atende vários perfis: dos que gostam de trilhas, até os que querem relaxar, ouvir música e provar comidas típicas. Em meio a flores e 45.000 m2 ainda é possível avistar animais.

Minicidade

Dentro do Parque Lindendorfa Minicidade é uma das principais atrações locais. Uma réplica da cidade e de suas atrações encontra-se ali em miniatura perfeita.

Outras atrações

Mini Golfe Treze Tílias e EiskaffeeTrudi, Parque Águas Tirolesas, Águia do Tirol, Campanário, Casa do Artesão, Parque do Imigrante e Passeio de Trenzinho.

Foto por: Divulgação

Foto por: Divulgação

Esculturas

As esculturas de madeira são uma tradição herdada dos primeiros imigrantes. Georg Thaler e Josef Moser foram os precursores, ainda na década de 1930, focados em arte sacra. De lá para cá, essa tradição se consolidou, dando à cidade o título de “Capital Catarinense dos Escultores e Esculturas em Madeira” e foi criado o evento Semana das Esculturas que acontece a cada dois anos.

Não deixe de ver o Cristo na Cruz por Gotfredo Thaler, localizada no Centro da Cidade, com 8 metros de altura. É possível, também, visitar ateliês da cidade para conhecer mais sobre os artistas e adquirir obras.

Compras, Vinho, Cerveja e Chocolate

Cervejaria Bierbaum – seguindo padrões alemães de fabricação, a cervejaria artesanal mantém um bar ao lado da fábrica.

Chocolaterias – Como toda cidade com clima de montanha, um bom chocolate não poderia faltar. Na Chocolate Treze Tílias e na Sabor dos Alpes, é possível encontrar grande variedade do produto, além de licores.

Mundo Tirolês – a maior loja de produtos austríacos no Brasil. Surpreende pela variedade e ambientação.

Vinícola Kranz – a premiada vinícola oferece degustação e visitação para quem deseja conhecer o processo de produção e armazenamento de vinho.

Banho de Cerveja

Foto por: Divulgação

Foto por: Divulgação

A cidade foi a primeira do país a oferecer banho de cerveja. Realizado nas dependências do Treze Tílias Park Hotel, quem possui cervejaria própria, a Linden Bier. A experiência está disponível para hóspedes e não hóspedes. É necessário reservar com antecedência, o banho em cerveja tem duração de uma hora, para até duas pessoas e, durante esse período, o consumo de cerveja é liberado.

Tirolerfest

Foto por Diego Mergener

Foto por Diego Mergener

Realizada a primeira vez em outubro de 1934 para celebrar um ano da colônia no Brasil, a festa desde então mantém a sua tradição anual e é a principal celebração local. Desfiles, música, danças folclóricas e culinária tipicamente austríaca fazem do evento um momento especial de resgate das tradições culturais.

SERVIÇO

COMO CHEGAR

A cidade se localiza no interior de Santa Catarina, está a 430 km da capital Florianópolis. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o de Chapecó (180 km). Carro é uma boa opção, principalmente, para quem deseja conhecer outras cidades da região ou fazer a Rota da Amizade.

QUANDO IR

A cidade pode ser visitada durante qualquer época do ano. No inverno a região é bastante fria, podendo chegar a zero grau no meio do ano.

O QUE COMER

Gulash – carne picada em molho tradicional e acompanhamentos.

Sopa de Knödel –- massa em formato de bola, a base de pão ou batata, servida em forma de sopa.

Texto por Gilsimara Caresia | @girlsgo

Imagem Destacada via: trezetilias.com.br

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