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Foto por IStock/ MaboHH

A nova Cuba

18 de julho de 2018

Você certamente já deve ter ouvido: “Vi­sitar Cuba é voltar no tempo.” De fato, os carros da década de 1950 circulam por Havana em meio a construções antigas e decadentes. Palácios do século 18 continuam de pé e chamam atenção assim como os inú­meros desenhos e grafites com os rostos de Fidel Castro e Che Guevara, que decoram a capital. Mas diante da imagem característica de Cuba há algo diferente…

Entre as vielas da capital cubana, pubs mo­derninhos começam a se espalhar e pasmem, já é possível até encontrar uma loja da Adi­das. O El Chanchullero, por exemplo, é um bar com garçons tatuados que serve o tradi­cional mojito. Aliás, o lugar chega até a fazer piada com os turísticos El Floridita e La Bo­deguita del Medio. Em uma placa é possível ler: “Hemingway nunca esteve aqui.” A brin­cadeira é porque os dois famosos bares eram os preferidos do escritor americano Ernest Hemingway, que morou na ilha por 20 anos.

O mesmo acontece com o restaurante Máxi­mo, em Havana Vieja. A casa, comandada por dois sócios, um cubano e outro italiano, é es­pecializada em gastronomia contemporânea. Enquanto você aguarda uma pizza, escuta grandes sucessos de rock, hip hop e pop. O som passa longe da salsa cubana!

Outro exemplo é a boate Submarino Amaril­lo, localizada no bairro deslocado de Vedado. O lugar atrai fãs de Beatles e rock em geral. No palco, o vocalista grita o refrão de Sweet Child O’ Mine, do grupo Guns N’Roses, rodeado por cubanos motoqueiros vestidos de preto.

Foto por DIVULGAÇÃO / HAVANATURCUBA

Foto por DIVULGAÇÃO / HAVANATURCUBA

Ali pertinho está também a Fábrica de Arte Cubano, um imenso galpão de arte contem­porânea (antigamente funcionava ali uma fá­brica de azeite). No local rola sessão de cine­ma, apresentação de bandas, dança, peças de teatro, exposições de fotografia, moda, entre outros. A FAC, como é conhecida, é disputa­da por cubanos e turistas.

Foto por DIVULGAÇÃO/ HAVANATURCUBA

Foto por DIVULGAÇÃO/ HAVANATURCUBA

Conexão na ilha

A vida em Havana, porém, ainda não tem a pressa e nem o estresse típico das grandes metrópolis. Ainda bem! Você não corre o ris­co de trombar com alguém porque se distraiu com o celular. A internet é novidade no país! Há dois anos, o governo passou a espalhar pontos públicos de wi-fi por Havana. Já são cerca de 240 em praças, parques e hóteis. Para acessar é preciso comprar um cartão nas lojas Etecsa (1 hora por 1 CUC), raspar um código e conectar. A fila para conseguir o tal cartão é grande… e você precisa achar o pon­to certo para conseguir sinal.

A Plaza de Armas é um dos principais points dos internautas. A qualquer hora que você passe por lá, turistas e cubanos estão tentan­do acessar a internet, que ainda funciona na velocidade de uma tartaruga.

Foto por IStock/JEEGUNKIM

Foto por IStock/JEEGUNKIM

O que para uns pode ser desesperador, para outros, é libertador. Assim é possível aprovei­tar muito mais do que o país tem a oferecer. Dentro da transformação silenciosa de Hava­na, ainda restam os programas tradicionais como caminhar pelo Paseo del Prado e assistir ao pôr do sol na orla de Malécon, o calçadão de sete quilômetros que é o retrato da capital.

O que ver

Havana Vieja está passando por uma reforma geral de preservação, mas os grandes pontos turísticos continuam intactos. O que vale ver na cidade? Não deixe de visitar o Castillo de la Real Fuerza, um prédio de 1577 construído para fazer a defesa da cidade, o Museu da Revolução – antigo palácio presidencial que conta toda a história cubana, e o Capitólio Nacional, construído em 1926, época em que a influência americana na ilha era muito gran­de. Hoje o Capitólio é a sede da Biblioteca Na­cional e Academia Cubana de Ciências, mas não está aberta a visitações. Ele está fechado há anos por conta de uma obra interminável.

Foto por IStock/ MindStorm-inc

Foto por IStock/ MindStorm-inc

Inclua no roteiro ainda o Museu Nacional de Belas Artes, que expõe obras desde o período colonial até o contemporâneo. Ali estão os principais nomes da arte cubana, como o mo­dernista José Manuel Acosta (1895-1973). O Hotel Nacional de Cuba (praticamente o nos­so Copacabana Palace) também vale a visita. O lugar, construído em 1930, já recebeu cele­bridades como Frank Sinatra e Walt Disney, e conta com tour diário e um mirante.

Foto por Renata Telles

Foto por Renata Telles

O que comer

Os restaurantes moderninhos existem sim, mas não ganham dos populares paladares. Um dos mais disputados é o Los Nardos, que fica em frente ao Capitólio. As filas chegam a 40 minutos, mas a espera vale a pena! O Los Mercaderes é outra opção, assim como o La Guarida, que apareceu no filme “Morango e Chocolate”, mas de tão famoso, ficou caro e precisa de reserva.

Texto por: Renata Telles, jornalista e criadora do blog @elaqueamaviajar

Foto destaque por Istock/ MaboHH

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