A WTM Latin America 2026 encerrou sua edição no Expo Center Norte, em São Paulo, com crescimento em todos os principais indicadores e foco ainda mais forte em turismo responsável, integração regional e inovação tecnológica. A organização também confirmou que a WTM Latin America 2027 será realizada de 13 a 15 de abril, novamente na capital paulista.
Segundo a event leader da WTM Latin America, Bianca Pizzolito, os números consolidados confirmam o balanço positivo desta edição. O total de participantes saltou de 32.026 profissionais do turismo em 2025 para 35.463 neste ano, crescimento de 10,75%, ao mesmo tempo em que houve melhora na qualificação do público. Um dos destaques foi o avanço superior a 75% no número de high value visitors, recorte de profissionais considerados chave para a geração de negócios na feira.
Dentro desse grupo, o desempenho dos agentes de viagens foi ainda mais expressivo, com aumento de 115% em relação ao ano anterior e a marca de mais de 18,5 mil profissionais presentes, resultado de um trabalho focado da organização ao longo de todo o ano para atrair perfis estratégicos para o evento.
Na plataforma de agendamento de reuniões, a feira registrou crescimento de 25% no total de encontros confirmados, ultrapassando a marca de 9.200 reuniões e com mais de 35% dos participantes usando ativamente a ferramenta para fazer negócios durante os três dias. Do lado dos expositores, a WTM Latin America 2026 alcançou um recorde histórico ao reunir 936 marcas, 13% a mais que na edição anterior, com a participação de 53 países, o que reforça a expansão internacional da feira.

Para Bianca, os resultados refletem um esforço coletivo. “O turismo funciona como um organismo vivo que depende da integração de todas as suas partes para se posicionar”, afirma, ao destacar o trabalho conjunto de equipe interna, expositores, visitantes, Advisory Board e parceiros institucionais. “O sucesso do evento reflete esse esforço compartilhado ao longo de todo o ano”, completa, reforçando a WTM Latin America como plataforma estratégica de negócios e conexões para o trade.
Ministers’ Summit, agentes protagonistas e agenda qualificada
Entre os marcos desta edição, a executiva destacou a realização do Ministers’ Summit, encontro inédito que reuniu representantes de oito países para discutir temas como sustentabilidade, turismo responsável e turismo regenerativo, com foco em diretrizes conjuntas para a região. Outro pilar foi a campanha Agente Protagonista, que ao longo dos três dias somou mais de 20 palestras e debates voltados ao dia a dia dos agentes de viagens, abordando desafios atuais, tendências e oportunidades para esses profissionais na linha de frente do turismo.
Além da grade principal de capacitação, os três teatros da feira receberam programações especiais, incluindo treinamentos de destinos para Hosted Buyers e agentes de viagens, sessões de Speed Networking com influenciadores, Hosted Buyers e membros do Buyers’ Club. A agenda foi desenhada para potencializar encontros qualificados e ampliar o repertório de quem busca atualizar estratégias, produtos e parcerias no mercado latino-americano de viagens.
Turismo responsável, integração regional e IA em debate
O último dia da WTM Latin America 2026 reforçou a centralidade do turismo responsável na pauta do evento. Em seminário promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) sob o tema “Políticas Públicas para Fortalecer o Turismo Responsável”, Aline Lopes, gerente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da entidade, destacou o papel estratégico das políticas públicas para um turismo mais sustentável, inclusivo e competitivo no Brasil. Ela defendeu que planejamento integrado e qualificação da oferta contribuem para inteligência de dados e para a construção de destinos mais responsáveis e resilientes, conciliando crescimento econômico, preservação ambiental e respeito às comunidades locais.
Aline apresentou a atuação da CNC como agente de articulação do mercado de viagens em diferentes níveis e citou iniciativas como o projeto “Vai Turismo” e a campanha de Turismo Responsável, que reúne reflexões e boas práticas para orientar o crescimento do setor. Para ela, ampliar a presença do turismo nos diversos níveis de governo e alinhar ações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e ao conceito de Destinos Turísticos Inteligentes (DTI) é fundamental para “moldar o turismo que queremos”.
O painel “América para América” também chamou a atenção ao defender a integração regional como caminho para transformar a América Latina em potência global, com a ex-ministra do Turismo do Chile, Veronica Pardo, enfatizando que os países latinos devem olhar mais para suas fronteiras vizinhas e para a riqueza natural e cultural do continente, visto como “destino de ouro” pelos viajantes.
No eixo de inovação, a palestra “O Novo Viajante ‘IA-First’: Como a Inteligência Artificial Mudou a Jornada de Compra e Consumo no Turismo”, com Ricardo Souza, da Lighthouse, analisou a mudança no comportamento do consumidor a partir da popularização da IA. Segundo ele, a tecnologia tornou as buscas mais rápidas e elevou a exigência por respostas, o que exige das empresas foco em informação e conteúdo qualificado, e não apenas em preço e links, já que quanto mais conteúdo disponibilizado, mais insumos a IA tem para apoiar a tomada de decisão do cliente.
Turismo indígena e experiências autênticas
O turismo indígena também ganhou protagonismo na programação, com dois debates dedicados ao tema. No painel “Políticas, alianças e cooperação internacional para fortalecer o turismo indígena”, representantes de governos e organizações discutiram a criação de condições favoráveis por meio de políticas públicas, financiamento, cooperação e fortalecimento institucional, com destaque para a urgência de garantir a participação de lideranças indígenas em decisões nos níveis municipal, estadual e nacional.
No caso brasileiro, foi citado o trabalho em andamento para aprimorar mecanismos de financiamento voltados ao turismo indígena, enquanto o moderador Jean-Philipe Le Moigne celebrou o espaço do tema no evento e sugeriu que destinos expositores tragam mais experiências prontas para comercialização nas próximas edições.
Já o painel “Experiências autênticas através da voz do povo” reforçou o turismo indígena como caminho para que os benefícios cheguem diretamente às comunidades e para que sejam os próprios povos a desenhar o turismo de acordo com seus projetos de futuro. Frank Antoine, da World Indigenous Tourism Alliance, ressaltou a prioridade de cuidar das terras ancestrais e a importância de relações contínuas entre comunidades e governos, em uma visão intergeracional.
Adrian Leonel Gomez Chimal, do Centro Ecoturístico Kíichpam K’áax, associou o turismo indígena ao turismo de base comunitária e destacou seu potencial de empoderar lideranças e gerar ganhos econômicos e sociais, apontando ainda a relevância da cooperação com poder público, iniciativa privada, academia e redes de turismo sustentável para estruturar produtos e resultados concretos.
Texto por: Agência com edição Eliria Buso
Fotos: Divulgação
