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Você conhece as regras para transporte e uso de power bank em voos?

30 de janeiro de 2026

Na última quinta-feira (29 de janeiro), um voo da Latam que partiu de Congonhas com destino a Brasília precisou fazer um pouso de emergência em Ribeirão Preto após um carregador portátil (power bank) pegar fogo durante o voo. O objeto estava no compartimento de bagagens superior quando começou a soltar fumaça, assustando passageiros e levando a tripulação a desviar a rota por precaução. Apesar do susto, não houve feridos, e três passageiros que se sentiram mal por conta do nervosismo receberam atendimento médico em solo.

O episódio acende um alerta importante para quem viaja com dispositivos eletrônicos: as baterias de lítio, presentes em power banks, celulares e notebooks, podem representar riscos quando não transportadas corretamente.

Por que baterias de lítio são consideradas perigosas em voos

As baterias de íon-lítio são particularmente sensíveis para a aviação, pois podem gerar incêndios e explosões, além de liberar gases tóxicos. O fenômeno conhecido como “fuga térmica” acontece quando a bateria sofre um curto-circuito interno, superaquece e libera gases inflamáveis, criando um ciclo de calor que pode levar à explosão. As causas mais comuns incluem danos físicos (quedas ou batidas), defeitos de fabricação (baterias falsificadas) e exposição ao calor excessivo.

Segundo a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), os testes realizados com fabricantes de aviões como Airbus, Boeing e Embraer apontaram que as aeronaves não foram projetadas para combater o fogo proveniente de baterias de íon-lítio. Uma única bateria danificada ou em curto-circuito pode propagar combustão e comprometer as baterias adjacentes.

Regras gerais para transporte de baterias em aviões

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e as principais companhias aéreas, as baterias de lítio são permitidas sob condições específicas:

Bagagem de mão obrigatória: power banks devem ser transportados exclusivamente na bagagem de mão, nunca na bagagem despachada. No porão, se houver combustão espontânea, os sistemas de supressão de incêndio podem não ser suficientes, e a tripulação não terá acesso rápido para conter o problema.

– Limite de capacidade: a maioria das companhias permite baterias de até 100 Wh (Watt-hora) sem autorização prévia. Entre 100 Wh e 160 Wh, é necessária autorização especial da empresa. Acima de 160 Wh, o transporte é totalmente proibido.

​- Proteção individual: baterias extras devem ser protegidas individualmente para evitar curto-circuito, preferencialmente em suas embalagens originais ou com os terminais cobertos com fita.

Regras específicas das companhias aéreas brasileiras

Latam

A companhia faz um alerta específico e enfático sobre power banks: esses dispositivos só são aceitos na bagagem de mão e estão proibidos na bagagem despachada. Se sua mala de mão for retida por tamanho ao embarcar e precisar ser despachada, você deve obrigatoriamente informar ao agente se há baterias portáteis dentro, pois é proibido transportá-las nos porões do avião.

Para baterias de lítio, o conteúdo de metal de lítio não deve ultrapassar 2g e a capacidade nominal não deve exceder 100 Wh. Cada passageiro pode carregar no máximo duas baterias sobressalentes de até 100 Wh e até 20 baterias avulsas no total.

Gol

A Gol permite até 20 baterias extras por passageiro, que devem ser transportadas exclusivamente na bagagem de mão e protegidas individualmente. Os limites são: baterias de metal lítio com conteúdo não superior a 2g, baterias de íon-lítio de até 100 Wh, e baterias não-derramáveis de até 100 Wh ou 12V.

Por política operacional, a Gol não permite na bagagem despachada produtos que funcionem à pilha e sejam capazes de produzir calor extremo, incluindo notebooks, calculadoras, celulares e power banks.

Azul

Até o momento, a Azul não disponibiliza informações específicas sobre transporte de baterias de lítio em seu site oficial.

Novas restrições de companhias internacionais

Algumas companhias aéreas internacionais também têm adotado regras ainda mais rígidas. A Emirates, desde outubro de 2025, passou a proibir o embarque com determinados carregadores portáteis na bagagem de mão. A companhia permite apenas um power bank com capacidade inferior a 100 Wh, mas proíbe que sejam usados para recarregar dispositivos a bordo ou que sejam carregados nas tomadas do avião.

O Grupo Lufthansa (que inclui Swiss International Air Lines e Lufthansa) implementou regras similares a partir de 15 de janeiro de 2025. Fica proibido o uso de power banks para carregar dispositivos eletrônicos durante o voo, e cada passageiro pode transportar no máximo dois power banks, que devem permanecer no bolso do assento ou na bagagem sob o assento à frente.

​Como saber a capacidade do seu power bank

Para verificar se seu carregador portátil está dentro dos limites permitidos, procure a especificação em Wh (Watt-hora) impressa no dispositivo. Se a informação estiver em mAh (miliampere-hora), você pode converter usando a fórmula: Wh = (mAh × V) ÷ 1000, onde V é a voltagem (geralmente 3,7V para baterias de lítio).

Por exemplo, um power bank de 27.000 mAh possui aproximadamente 100 Wh, que é o limite máximo aceito sem autorização prévia pela maioria das companhias aéreas.

O que fazer se notar um problema durante o voo

Se você ou um passageiro próximo perceber que um dispositivo está superaquecendo ou soltando fumaça:

  • Chame a tripulação imediatamente: os comissários estão prontos para lidar com incêndios de lítio usando extintores específicos e bolsas de contenção térmica
  • Não jogue água sem instrução: o lítio reage de forma específica e requer tratamento adequado
  • Mantenha a calma: siga as instruções da tripulação para evacuação ou mudança de assento
  • O desvio para Ribeirão Preto no caso da Latam foi a medida padrão de segurança. Em solo, o atendimento médico e a contenção do risco são muito mais eficazes.
  • Recomendações finais para uma viagem segura
    Para evitar sustos durante sua viagem, adote estas precauções:
  • Compre apenas produtos com selo ANATEL ou certificações internacionais (CE, FCC)
  • Evite baterias falsificadas ou de procedência duvidosa
  • Proteja os conectores com fita isolante ou guarde em estojos adequados
  • Mantenha o dispositivo acessível durante o voo para monitorar qualquer aquecimento anormal
  • Não transporte baterias danificadas, inchadas ou com sinais de deterioração
  • Nunca despache power banks na bagagem de porão

Conhecer e seguir as regras de power bank em voos não só garante sua segurança, mas também a de todos a bordo. Antes da próxima viagem, confira as políticas específicas da companhia aérea com a qual você irá voar e prepare adequadamente suas baterias e dispositivos eletrônicos.

Texto por: Eliria Buso

Foto por: Freepik/pvproductions

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