Um levantamento inédito do Ministério do Turismo revela que quatro em cada dez brasileiras já viajaram sozinhas e 31,4% realizam esse tipo de viagem com frequência. Nesse cenário, o Brasil ocupa papel de destaque: entre as 41,8% que já viajaram sozinhas (tanto no país quanto no exterior), 35,9% optaram por vivenciar essa experiência exclusivamente em território nacional. Apenas 4,6% nunca realizaram uma viagem solo pelo país.
As informações constam no Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, lançado nesta quinta-feira (05.03). A publicação reúne dados e orientações para promover um turismo mais seguro e inclusivo, e já está disponível aqui.
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, lembrou que o turismo também faz parte da transformação em defesa das mulheres. “Este guia está alinhado ao Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, lançado pelo governo do presidente Lula, que estrutura ações preventivas, integradas e permanentes para proteger mulheres em todo o país”.
Com 72 páginas, o guia foi elaborado a partir de uma pesquisa realizada entre agosto e setembro de 2025, com 2.712 mulheres de todas as regiões do país. Elas compartilharam percepções, motivações, receios e estratégias de viagem. O documento amplia o olhar sobre diferentes perfis, incluindo mães que viajam com filhos, mulheres maduras, profissionais em deslocamento a trabalho e entusiastas de nichos como ecoturismo, bem-estar e gastronomia.
Presente no evento, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que a política pública de mulheres é uma política transversal. “Esse Guia reconhece que a mulher tem o direito de circular com liberdade e viajar pelo Brasil e pelo mundo, sem que o medo seja o principal companheiro de viagem”, afirmou.
O guia integra a agenda de turismo responsável do Ministério e alinha-se à pauta internacional de igualdade de gênero. Em 2025, a Pasta já havia lançado o Guia com Dicas para Atender Bem Turistas Mulheres, focado no setor de serviços. O novo material complementa essa estratégia ao focar na experiência direta da viajante, fortalecendo a autonomia feminina.
Perfil da viajante solo
A faixa etária predominante é de 35 a 44 anos (34,6%), seguida pelas faixas de 45 a 54 anos (22,1%) e 25 a 34 anos (21,7%). A maioria possui renda entre três e dez salários mínimos e 67,7% não têm filhos. Entre as mães com filhos menores, 58,5% sentiram-se seguras ao viajar com eles.
Motivações e interesses
Embora o lazer lidere (72,6%), a busca por independência e liberdade é central para 65,1% das entrevistadas. Autoconhecimento, trabalho e visitas a familiares também são citados. Na escolha do destino, a segurança e a liberdade de escolha superam fatores como preço e conforto.
Visão especializada
O material contou com a consultoria de 17 especialistas das áreas de turismo e gênero, além da parceria com a UNESCO e a jornalista Anelise Zanoni. O conteúdo dialoga com políticas públicas como o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e o Protocolo Não é Não, reforçando que a segurança é uma responsabilidade compartilhada por toda a cadeia turística.
“O guia nasce a partir de algo que sempre observei como jornalista e viajante: muitas mulheres desejam viajar sozinhas, mas ainda enfrentam inseguranças e falta de informação. Por isso, além de reunir histórias e experiências, o guia tem uma pesquisa inédita que dá visibilidade a esse cenário e traz dados para qualificar o debate sobre segurança, autonomia e mobilidade feminina no turismo”, destacou Anelise Zanoni, jornalista e consultora da UNESCO que participou da elaboração do guia.
Ações de proteção
O conteúdo do Guia dialoga diretamente com iniciativas do Governo do Brasil, como o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, que busca fortalecer redes de enfrentamento à violência contra a mulher e ampliar a divulgação de informações sobre direitos e estruturas de proteção e prevenção da violência de gênero.
A publicação também se articula a estratégias como o Movimento Turismo que Protege e o Código de Conduta Brasil, iniciativas do Ministério do Turismo voltadas à prevenção e ao combate à exploração sexual de crianças e adolescentes no setor, e ao Protocolo Não é Não, que estabelece medidas de proteção às mulheres em casas noturnas, shows e eventos com venda de bebidas alcoólicas. As ações reforçam que a responsabilidade pela segurança não recai apenas sobre a viajante, mas sobre toda a cadeia do turismo.
Texto por: Agência com edição Eliria Buso
Foto por: Freepik
