Na pequena comunidade de Pua, no norte da Tailândia, a fazenda Cocoa Valley ganhou fama por unir chocolate artesanal, ecoturismo e desenvolvimento comunitário.
O espaço, comandado pelo chef chocolatier Manoon Thanawang, oferece muito mais do que doces: convida o visitante a mergulhar no universo do cacau, conhecer sua história e participar de um modelo de turismo que beneficia centenas de famílias locais.

Caminhar entre árvores de cacau
O passeio pela plantação é o ponto de partida para entender o coração da Cocoa Valley. Os visitantes percorrem trilhas ladeadas por árvores robustas, observando frutos em diferentes estágios de maturação. Do verde intenso ao amarelo dourado, cada cor revela um momento do ciclo do cacau. Thanawang explica cada etapa com entusiasmo: “Aqui, as pessoas percebem que o cacau não é apenas um ingrediente, mas um ser vivo que precisa de cuidado e paciência. É uma experiência nova para todos que chegam.”

O tempo como segredo do sabor
Enquanto mostra os frutos prontos para a colheita, o chef revela um detalhe essencial: transformar cacau em chocolate é um processo que exige tempo. Após a colheita, são necessários de seis a oito meses até que o grão esteja pronto para se tornar chocolate artesanal. “Nós irrigamos duas vezes por semana e mantemos a plantação sempre saudável, mas nunca aceleramos a natureza. O sabor vem da paciência e do cuidado”, afirma Thanawang, ressaltando que a produção é 100% orgânica.

O orgulho do cultivo orgânico
Sustentabilidade é um pilar que sustenta cada decisão no Cocoa Valley. Thanawang destaca que a escolha pelo cultivo orgânico não é apenas uma técnica agrícola, mas um compromisso com o meio ambiente e com o consumidor. “Somos orgânicos desde a raiz, e isso se reflete em tudo: no solo, na água e no chocolate que entregamos. Quem prova percebe a diferença”, afirma o chocolatier, apontando que a pureza do cacau é o que garante aromas e sabores autênticos.

Comunidade como parte do projeto
A vocação comunitária é um dos diferenciais do espaço. A Cocoa Valley envolve mais de 300 famílias em suas atividades, desde o plantio até os serviços de hospitalidade. Moradores locais colaboram no preparo de receitas, no atendimento aos turistas e até na criação de novos menus que valorizam tradições culinárias regionais. “Convidamos pessoas da nossa região para trabalhar conosco porque acreditamos que o crescimento deve ser coletivo. O cacau é o elo que nos une”, reforça Thanawang.

Oficinas que despertam os sentidos
Os workshops de produção de chocolate são momentos de descoberta. Em duas horas, os participantes aprendem a selecionar, moer e moldar o cacau, transformando grãos em barras artesanais. O cheiro adocicado que toma conta do ambiente, o brilho do chocolate sendo temperado e o prazer de provar a própria criação tornam a experiência inesquecível. Para Thanawang, essas oficinas são também uma forma de educação: “As pessoas voltam para casa entendendo o valor do cacau, o trabalho por trás de cada pedaço de chocolate e a importância de consumir de forma consciente.”

Turismo que conecta pessoas e culturas
A Cocoa Valley se consolidou como um destino de turismo sustentável e cultural. Além de provar sobremesas no café da fazenda, os visitantes descobrem a história do cacau na região, interagem com moradores e levam consigo a lembrança de um lugar onde natureza, sabor e comunidade se entrelaçam. Mais do que um passeio, a experiência transforma a visão sobre o chocolate e sobre o impacto positivo que o turismo pode gerar.
Texto por: Mary de Aquino
Foto destaque por: Candy Krajangsri/ TAT
