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Descubra Ouro Preto: a capital barroca brasileira

18 de junho de 2026

Mergulhe na história colonial, conheça belas igrejas e apaixone-se pelas paisagens da antiga Vila Rica.

 

A cidade de Ouro Preto, localizada no estado de Minas Gerais, é uma verdadeira joia colonial que abriga vestígios de um passado histórico marcado pela extração aurífera e pela inconfidência mineira.

Foto por Isadora Lacerda

A antiga Vila Rica, como era chamada originalmente, foi fundada em 1711, época em que o conjunto de arraiais – onde os bandeirantes se fixaram quando as primeiras pepitas de ouro foram descobertas – elevou-se à categoria de vila. Com o rápido povoamento e a separação da Capitania de Minas Gerais, Vila Rica torna-se capital da província e tem sua importância elevada ao ponto de transformar-se em um polo de arte e arquitetura. Foi lá que floresceu o trabalho de Aleijadinho, Antônio Francisco Lisboa, e de Mestre Ataíde, que juntos ornamentaram diversas igrejas suntuosas, financiadas pelo ciclo da mineração do ouro.

 

Uma dica para visitar a cidade em sua plenitude é contar com um guia ao seu lado, não só para uma melhor experiência, mas para o completo entendimento das curiosidades históricas. Destaca-se o trabalho do Guia Eude Barbosa, um profissional excelente, com ótima didática e conhecimentos vastos. 

Do Barroco ao rococó: conheça as igrejas de Ouro Preto

Foto por Frederico Pugliese

Nenhuma outra cidade de Minas Gerais tem oferta tão grande de belas igrejas abertas à visitação quanto Ouro Preto. A importância dessas igrejas não se limita somente à fé religiosa, mas às verdadeiras obras de arte barrocas encontradas em seu interior. Desde as gravuras, à “Capela Sistina Brasileira”, conhecer cada uma delas é um verdadeiro presente. Seus custos de visita são simbólicos, variando de R$5 a R$10.

 

São duas as igrejas matrizes: Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias e Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar. A existência delas reflete a formação da cidade e a divisão dos arraiais Antônio Dias e o do Ouro Podre. A primeira, construída por volta de 1727, por Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, é dedicada à Nossa Senhora da Conceição. Desde 1968, o local abriga também o Museu Aleijadinho que reúne diversas obras do grande artista mineiro.

 

Já a Nossa Senhora do Pilar foi construída na primeira metade do século XVIII, substituindo uma antiga capela. A igreja encanta desde a fachada, mas é impossível não se impressionar ao passar pela porta e se deparar com um intenso brilho. A decoração e a luz dourada refletida causam uma verdadeira emoção nos visitantes.

 

A Igreja de São Francisco de Assis, por sua vez, é reconhecida como símbolo do barroco e do rococó mineiro. Grandes nomes participaram na ornamentação de seu interior, com trabalhos de Aleijadinho e Mestre Ataíde, que se dedicou à pintura do teto da nave da Igreja, uma representação da Assunção da Virgem Maria.

 

Localizada ao lado do Museu do Oratório, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo é estonteante por fora, com uma vista privilegiada da cidade e uma bela fachada, e por dentro. Manuel Francisco Lisboa também é reconhecido pelo projeto de construção da Igreja setecentista, uma das mais belas da região.

 

Já a Igreja de Nossa Senhora do Rosário destaca-se pelo formato abaulado. Construída no século XVIII, é considerada a expressão máxima do barroco colonial, é composta por formatos circulares em sua fachada e um formato oval no interior, circundada por seis altares.

 

Por fim, a Igreja de Santa Efigênia está localizada no alto de uma ladeira, podendo ser um impasse para quem percorre a cidade a pé. No entanto, a vista perfeita para fotos e seu interior recompensam a subida. Sua história está ligada aos negros escravizados e sua resistência, uma vez que tradições locais contam que a construção teria sido financiada pelas minas de Chico Rei.

Cultura e memória: Ouro Preto além da fé

 

Ao percorrer Ouro Preto, além das diversas igrejas e basílicas, outros locais aos quais se deve a atenção são aqueles que relatam e preservam a cultura e a memória do passado colonial. 

Foto por Clara Mey

Primeiramente, é imprescindível o destaque ao Museu da Inconfidência. Localizado na Praça Tiradentes, este ocupa a antiga Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica. Em seu acervo, reúnem-se mais de 4 mil itens, entre peças históricas e artísticas e testemunhos culturais da Conjuração Mineira, além de guardar lápides com os restos mortais de 16 inconfidentes, incluindo o poeta Tomás Antônio Gonzaga, no Panteão dos Inconfidentes.

 

Escondido no adro da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, o Museu do Oratório oferece peças referentes à arte e cultura dos oratórios em uma verdadeira viagem antropológica pela história do Brasil. Instaurado em uma casa seiscentista de três andares, conta com uma coleção  de 162 oratórios e 300 imagens dos séculos XVII ao XX.

 

A Casa Dos Contos, por sua vez, teve sua estrutura utilizada como residência, casa de contratos, refúgio dos Inconfidentes e posteriormente prisão para os mesmos. Seu nome, no entanto, passou a ser usado quando o local se tornou sede administrativa da capitania de Minas Gerais. Foi adicionado uma nova função ao local na contemporaneidade: a de museu, com exposições de objetos e móveis da época. Além disso, vale muito a pena percorrer a senzala do local e o Horto dos Contos, notando a dualidade de sua história. 

Já o Museu Aleijadinho foi criado em 1968, com a finalidade de reunir, em um só espaço, peças de arte sacra e documentos gráficos do acervo da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Sua denominação se deve em homenagem ao artista ouro-pretano Antônio Francisco Lisboa. Entre algumas de suas obras expostas no museu, estão leões de madeira, uma imagem de roca de São Francisco de Paula em pedra-sabão e o Crucificado.

 

Entrar na Casa da Ópera (Teatro Municipal) significa fazer uma viagem ao passado. O Teatro foi fundado em 1770, um dos mais antigos da América Latina em funcionamento. Ao passar pelo local, não tem como imaginar sua grandiosidade e glamour: são três andares, com 300 lugares divididos em plateia, frisa, galeria e camarote. 

O Ciclo do ouro

 

O Ciclo do Ouro em Minas Gerais, impulsionado pelo movimento das Bandeiras, teve seu pico em Vila Rica e sua história fundamentada no trabalho incansável de escravizados na atividade mineradora.

 

Algumas das minas mais famosas localizam-se no Centro Histórico da cidade e no entorno da Rua Chico Rei. De acordo com a tradição oral, Chico Rei, trazido como escravo para o Brasil, era na verdade, o Rei do Congo. Ele teria conseguido comprar sua alforria com o ouro que escondia consigo, posteriormente adquirindo a mina da Encardideira e libertando seus conterrâneos.

 

Atualmente, é possível visitar algumas das minas de onde foram retiradas toneladas de pedras preciosas, em meio às péssimas condições laborais em que os escravizados eram submetidos. Entre elas, destacam-se Mina do Bijoca, Mina da Passagem, Mina do Chico Rei e Mina Jeje.

Texto por Rebeca Dias e Isadora Lacerda