O Museu do Amanhã inaugura, em 17 de setembro, um novo espaço de convivência e contemplação. O Jardim de Esculturas ganha forma na lateral externa, configurando um grande passeio público, e gratuito, permeado pela arte e pela vista da Baía de Guanabara. A abertura integra a programação da primeira edição da Semana de Arte do Rio, mas as obras não vão embora ao fim do evento, permanecendo instaladas no jardim por, no mínimo, um ano e consolidando o espaço como uma nova frente permanente de programação artística do Museu.
O projeto, batizado sob o eixo curatorial “A cidade entre o jardim e a Baía”, reúne obras de diferentes períodos, históricas, modernas e contemporâneas, que dialogam com a paisagem, a arquitetura do Museu e as águas da Guanabara. Entre os destaques do ciclo inaugural estão as esculturas em aço de Amílcar de Castro, um dos nomes centrais do neoconcretismo brasileiro, e as peças em aço corten de Carlos Vergara, incluindo uma obra inédita criada especialmente para o jardim.
“Todos os artistas selecionados, de alguma maneira, têm na sua escultura uma forma de olhar para a cidade do Rio de Janeiro e para a sua história, a partir desse recorte territorial da Baía e do Museu do Amanhã, permitindo que seja possível conhecê-la”, conta Camila Oliveira, curadora adjunta do Museu do Amanhã.
O acervo reunido no Jardim de Esculturas é resultado de uma parceria com o IPAC (Instituto de Preservação de Arte Contemporânea), de Brasília, responsável pela guarda de parte significativa das obras expostas, além de colaborações com o Ateliê Carlos Vergara, a galeria A Gentil Carioca e o acervo particular de Camila e Álvaro Piquet.
As obras
O jardim reúne, em seu ciclo inaugural, oito esculturas. Amílcar de Castro (1920-2002), do acervo IPAC-Brasília, foi o autor de quatro peças em aço. Uma delas, posicionada na entrada do jardim, nasce do corte e da dobra de uma chapa de aço, criando uma espécie de portal que convida o público a atravessar a geometria para ingressar no território onde matéria, vegetação, arquitetura e Baía se encontram.
Outra obra reduz o corte à escala de uma janela, deixando que árvores, corpos e o céu apareçam e desapareçam na abertura ao longo do percurso. Uma terceira peça, de grandes dimensões, faz surgir a figura de um caminhante voltado para a Baía de Guanabara. A quarta escultura apresenta uma fresta curva entre duas extensões de aço, que comprime a paisagem e devolve o mundo em fragmento.
Carlos Vergara contribui com duas obras da série Natureza Inventada, em aço corten. As chapas recortadas guardam a lembrança de uma vegetação sem se transformarem propriamente em folhas, galhos ou troncos e, entre as formas, pequenas aberturas circulares produzem a impressão de olhos que observam quem passa. Uma das peças, a Natureza Inventada, n13, é inédita, criada entre 2018 e 2026 especialmente para este ciclo do jardim.
Siwaju apresenta ATMOS ISINMI: em memória a João Cândido, obra em aço corten que instaura, diante da Baía de Guanabara, um campo de memória em homenagem a João Cândido Felisberto, o Almirante Negro, líder da Revolta da Chibata. Já José Resende assina Vênus reclinada, em aço corten, que desloca a tradição da representação da Vênus para uma relação entre matéria, gravidade e repouso, dialogando com a paisagem sem se impor sobre ela.
O Jardim como espaço de convivência
Além da fruição artística, o Jardim de Esculturas foi concebido para ser um espaço de convivência aberto à cidade. O acesso é totalmente gratuito, e o local contará com um quiosque de alimentos e bebidas, ampliando a experiência para além da contemplação das obras e convidando o público a permanecer, descansar e socializar entre o jardim e a Baía.
“O Jardim de Esculturas nasce do nosso compromisso em democratizar cada vez mais o acesso ao Museu do Amanhã. É um espaço totalmente gratuito, pensado para que qualquer pessoa — visitante do Museu ou simples passante da Praça Mauá — possa fazer parte dele, não apenas visitá-lo. Reunir obras de Amílcar de Castro, Carlos Vergara, Siwaju e José Resende também reforça algo que está na nossa essência: no Museu do Amanhã, arte e ciência sempre estiveram de mãos dadas, e a arte é uma das ferramentas mais potentes que temos para disseminar conhecimento”, afirma Cristiano Vasconcelos, diretor executivo do Museu do Amanhã.
Serviço
Jardim de Esculturas — a cidade entre o jardim e a Baía
Inauguração e abertura ao público: 17 de setembro
Local: Área externa do Museu do Amanhã
Classificação indicativa: Livre
Acesso: Gratuito
Texto por: Agência com edição Eliria Buso
Foto por: Vicente de Mello / Divulgação / IPAC






