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Legado de aleijadinho, fé e arte: participantes do FNDETUR exploram Congonhas após o fórum

10 de setembro de 2026

 

Congonhas, em Minas Gerais, não será apenas o cenário do 8º Fórum Nacional de Turismo Religioso, que acontece de 24 a 26 de novembro de 2026. A cidade será parte da própria experiência proposta pelo evento. No último dia da programação, os participantes terão a oportunidade de sair das salas de debate e vivenciar, em um city tour, o patrimônio histórico, religioso e artístico que transformou Congonhas em um dos destinos de fé mais representativos do Brasil. A programação oficial do Fórum já prevê visitas técnicas e city tour aos principais atrativos religiosos e culturais do município, integrando conhecimento, espiritualidade e território. 

A escolha de Congonhas como sede do FNDETUR ganha ainda mais significado justamente por essa possibilidade de transformar o destino em extensão do conteúdo discutido ao longo do evento. Durante três dias, gestores, lideranças religiosas, profissionais do turismo, pesquisadores, empresários, agências, operadoras e guias estarão reunidos para discutir governança, experiências transformadoras e desenvolvimento sustentável dos destinos de fé. No encerramento, parte dessa discussão poderá ser observada na prática, em igrejas históricas, obras de Aleijadinho, espaços museológicos e manifestações que ajudam a compreender por que Congonhas ocupa um lugar tão singular no patrimônio religioso brasileiro. 

Onde a obra de Aleijadinho alcançou uma de suas expressões máximas

O grande símbolo de Congonhas é o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, conjunto reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial desde 1985. É ali que está preservado um dos acervos mais extraordinários associados a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, artista que trabalhou em Congonhas entre o final do século XVIII e o início do XIX e deixou na cidade algumas das obras mais importantes do barroco brasileiro. 

No adro da Basílica estão os célebres Doze Profetas, esculpidos em pedra-sabão entre 1800 e 1805. Jeremias, Isaías, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Naum e Habacuc formam um conjunto escultórico que se tornou inseparável da própria imagem de Congonhas. As figuras, em tamanho natural, estão distribuídas diante da Basílica e exibem inscrições em latim relacionadas às profecias atribuídas a cada personagem bíblico. 

Antes deles, Aleijadinho e sua oficina haviam trabalhado nos Passos da Paixão de Cristo, um conjunto distribuído em seis capelas diante do Santuário. As cenas representam a Ceia, o Horto, a Prisão, a Flagelação e Coroação de Espinhos, a Subida ao Calvário e a Crucificação. Segundo a documentação histórica do município, as capelas reúnem dezenas de esculturas em cedro executadas por Aleijadinho e sua equipe, posteriormente policromadas por artistas como Manoel da Costa Ataíde e Francisco Xavier Carneiro. 

Essa combinação entre escultura, arquitetura, paisagem e espiritualidade torna a visita a Congonhas diferente de uma simples contemplação artística. Os Passos da Paixão não foram concebidos apenas como peças museológicas: fazem parte de um território vivo de devoção, oração e peregrinação. É justamente essa sobreposição entre arte e fé que torna o destino especialmente coerente com a proposta do Fórum Nacional de Turismo Religioso.

A Basílica e a tradição de peregrinação do Bom Jesus

A própria história de Congonhas está profundamente associada ao Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. A construção do templo teve início no século XVIII, e o ciclo de peregrinação ao Bom Jesus ajudou a transformar a dinâmica urbana e econômica da cidade. Ao longo do tempo, a chegada de romeiros estimulou a abertura de vias, hospedarias, comércio e serviços, evidenciando uma relação histórica entre fé, deslocamento e desenvolvimento territorial. 

No interior da Basílica, o visitante encontra também um importante conjunto de arte sacra, com obras associadas a nomes de destaque do período colonial mineiro. O próprio templo passou por uma ampla restauração, concluída em 2018, que revelou pinturas antigas e recuperou elementos como retábulos, púlpitos, forros, quadros, balaustradas e peças de pedra-sabão. 

Outro espaço especialmente significativo para compreender a religiosidade de Congonhas é o Salão dos Ex-votos, onde estão preservados objetos e registros deixados por devotos em agradecimento pelas graças alcançadas. Pinturas, fotografias, cartas e peças em cera materializam histórias pessoais de fé e demonstram uma dimensão que o Turismo Religioso não pode ignorar: por trás de cada fluxo de visitantes, há motivações espirituais, promessas e experiências individuais. A coleção de ex-votos de Congonhas possui, inclusive, reconhecimento patrimonial do IPHAN. 

Museu de Congonhas ajuda a interpretar o patrimônio antes de vivenciá-lo

Outro ponto essencial do city tour será o Museu de Congonhas, primeiro museu de sítio do Brasil. Diferentemente de uma instituição desvinculada do território, o museu foi concebido justamente para ajudar o visitante a interpretar o patrimônio ao seu redor. Sua proposta é oferecer contexto histórico, artístico, religioso e patrimonial ao conjunto do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, qualificando a experiência tanto de quem chega motivado pela cultura quanto de quem chega movido pela fé. 

Com mais de 3,4 mil metros quadrados, o equipamento dispõe de salas de exposição, biblioteca, reserva técnica, espaço educativo, auditório, cafeteria e anfiteatro ao ar livre. Também desempenha um papel importante na conservação do sítio reconhecido pela UNESCO e na articulação de pesquisas e projetos relacionados ao barroco e à pedra-sabão. Em 2025, o Museu completou dez anos de atividades e, em 2026, iniciou um novo ciclo de programação e inclusão. 

Para os participantes do FNDETUR, essa passagem pelo Museu tem um valor adicional. Ela ajuda a demonstrar como a interpretação patrimonial, a acessibilidade, a educação e a preservação podem estar integradas à experiência turística de um destino religioso, tema diretamente ligado às discussões sobre governança e qualificação que estarão presentes ao longo do Fórum.

Um circuito de igrejas que conta a formação de Congonhas

Embora o Santuário seja o grande ícone da cidade, Congonhas possui um conjunto mais amplo de igrejas que ajudam a contar sua história histórica e religiosa. Em 2025, uma parceria entre a Arquidiocese de Mariana e o município ampliou a abertura dos templos à visitação turística e religiosa, incluindo a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a Matriz de São José e a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, além da Basílica, que já possui visitação regular. 

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário é considerada a mais antiga de Congonhas. Associada à população negra desde os primeiros tempos de formação do povoado, preserva elementos arquitetônicos e religiosos ligados à história colonial e às irmandades religiosas. Seu altar-mor abriga Nossa Senhora do Rosário e imagens de santos de grande devoção entre as populações negras, como Santa Efigênia e São Benedito. 

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição reúne diferentes fases do barroco e mantém relação direta com Aleijadinho. A portada em pedra-sabão é atribuída ao artista e apresenta referências simbólicas à Imaculada Conceição. O templo, construído na primeira metade do século XVIII, passou por um importante processo de restauração de seus elementos artísticos e continua sendo um dos principais marcos históricos da cidade. 

Já a Matriz de São José Operário, localizada na Ladeira Histórica, apresenta uma arquitetura distinta das demais igrejas de Congonhas. Suas torres arredondadas e elementos de inspiração neoclássica ajudam a revelar outro momento da evolução da arquitetura religiosa do município. 

No distrito de Alto Maranhão, a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, datada do século XVIII, amplia ainda mais a leitura desse patrimônio. O templo passou por processos de restauração e conservação e permanece ligado à vida religiosa da comunidade, o que demonstra que o patrimônio de Congonhas não se restringe ao centro histórico, mas se espalha por diferentes territórios do município. 

Uma cidade onde patrimônio continua sendo fé viva

Essa é uma característica particularmente importante de Congonhas. Suas igrejas não são apenas monumentos históricos preservados para contemplação. Continuam sendo espaços de celebração, devoção e encontro comunitário. Semana Santa, festas religiosas e o tradicional Jubileu do Senhor Bom Jesus mantêm uma ligação permanente entre o patrimônio construído e a religiosidade popular. 

Essa dimensão é fundamental para quem trabalha com turismo religioso. Preservar uma igreja histórica não significa apenas proteger paredes, altares e esculturas; significa preservar também sua função simbólica, sua relação com a comunidade e aquilo que continua a levar pessoas até aquele lugar.

Congonhas oferece, portanto, uma leitura particularmente rica sobre a relação entre o patrimônio material e o espiritual. De um lado, estão as esculturas de Aleijadinho, os altares, as fachadas, a arquitetura e os museus. De outro, estão peregrinos, ex-votos, procissões, celebrações, promessas e memórias familiares. Quando essas duas dimensões são compreendidas conjuntamente, o destino deixa de ser apenas uma cidade histórica e revela-se como um território vivo de fé.

Do debate técnico à experiência no território

O city tour no último dia do Fórum Nacional de Turismo Religioso reforça justamente essa proposta. Durante a programação técnica, os participantes discutirão como estruturar destinos, fortalecer governanças, ampliar a comercialização, utilizar novas tecnologias, preservar patrimônios e melhorar a experiência do peregrino. Ao percorrerem Congonhas, poderão observar como muitas dessas questões se manifestam no território real.

É também uma maneira de colocar em prática uma visão defendida pelo próprio FNDETUR: um evento de turismo precisa contribuir para gerar turismo no destino que o recebe. Ao levar profissionais de diferentes estados às ruas, igrejas, museus e espaços religiosos de Congonhas, o Fórum não apenas fala sobre o destino — mas também ajuda a fazer com que ele seja conhecido, interpretado e, posteriormente, levado a novos mercados, roteiros e redes de relacionamento. A própria estrutura do FNDETUR define a cidade-sede como parte estratégica da experiência e da promoção do encontro. 

Esse contato também pode produzir efeitos após o evento. Um agente de viagens poderá ver um novo produto. Uma operadora poderá incluir Congonhas em um roteiro. Um gestor poderá identificar uma prática aplicável em seu município. Um pesquisador poderá encontrar um novo objeto de estudo. Uma liderança religiosa poderá reconhecer diferentes formas de acolher o peregrino. É nesse ponto que a viagem técnica se transforma em um instrumento de desenvolvimento.

Congonhas recebe o Fórum — e o Fórum apresenta Congonhas ao Brasil

Realizar o 8º Fórum Nacional de Turismo Religioso em Congonhas significa aproximar dois patrimônios: de um lado, um dos principais espaços brasileiros de discussão técnica, científica e de mercado, exclusivamente dedicado ao Turismo Religioso; de outro, uma cidade cuja história foi moldada pela fé, pela peregrinação, pelo barroco e por uma das maiores expressões artísticas deixadas por Aleijadinho.

Por isso, o encerramento do Fórum não será apenas o fim de uma programação. Será uma oportunidade para os participantes compreenderem, caminhando pelo destino, aquilo que, ao longo de três dias, será discutido nas salas do evento: o Turismo Religioso nasce da fé, mas precisa de patrimônio preservado, acolhimento, interpretação, governança, produtos e experiências capazes de transformar uma visita em uma relação duradoura com o território

De 24 a 26 de novembro, Congonhas será o ponto de encontro do turismo religioso brasileiro. E, no último dia, quando os participantes deixarem o ambiente técnico para percorrer a cidade, talvez entendam ainda melhor por que o destino foi escolhido.

O Fórum Nacional colocará Congonhas no centro do debate. Congonhas, por sua vez, mostrará ao Brasil que sua fé, sua história e o legado de Aleijadinho são experiências que precisam ser vividas de perto.

Informações: 84 99831-0358

Inscrições acesse o site:

https://www.forumturismoreligioso.com.br/

Instagram: @FNDETUR 

Texto por agência com edição de Rebeca Dias

Foto por divulgação