No ano em que o Sesc celebra seus 80 anos, a 28ª edição do Palco Giratório, maior projeto de circulação das artes cênicas do país, presta homenagem aos 40 anos do Grupo Sobrevento. Criado no Rio de Janeiro e radicado em São Paulo, onde mantém suas atividades até hoje, o grupo é referência internacional no teatro de animação, com uma trajetória marcada pela pesquisa artística com bonecos, objetos e formas.
Ao longo da circulação, o Sobrevento apresentará o espetáculo de animação Para Mariela, que aborda, de maneira sensível e poética, os sonhos de uma vida simples e os desafios da imigração, a partir de histórias reais de crianças bolivianas. A obra dialoga diretamente com temas contemporâneos como identidade, pertencimento e deslocamento, reafirmando a força do teatro como espaço de escuta e reflexão.
Realizado todos os anos pelo Sesc, o Palco Giratório leva espetáculos de diferentes regiões para todo o país. Na edição deste ano, 16 grupos vão circular por 113 cidades até dezembro. O lançamento da 28ª edição do Palco Giratório será em Porto Alegre (RS), no dia 14 de abril.
O teatro de animação também marca espaço na programação do projeto com os espetáculos como HÁ!, do Grupo Artilharia Cênica (MG), e Re Te Tei, da Tropa do Balacobacoco (PE).
A mostra de lançamento do 28º Palco Giratório acontece entre os dias 14 e 17 de abril, em Porto Alegre, com uma série de encontros dedicados à reflexão sobre a criação nas artes cênicas. Um dos pontos altos será o 7º Seminário Palco Giratório, realizado nos dias 15 e 16, na Zona Cultural, com atividades presenciais e online.
O seminário inclui a aula inaugural Dançar o tempo: encruzilhadas e espirais’, com Leda Maria Martins (MG). Ela é poeta, ensaísta e dramaturga e uma referência nos estudos sobre performance e artes cênicas. A programação traz ainda diálogos com Paloma Carpio, artista cênica peruana, pesquisadora e gestora cultural ligada à criação coletiva e à cultura comunitária, além de Francis Wilker (DF), diretor teatral, pesquisador e professor.
A mostra reúne também espetáculos de grupos e artistas do Rio Grande do Sul e de outros estados, com apresentações de teatro, dança e performance em diferentes espaços da cidade.
Para assistir em família
Nesta edição, 12 espetáculos têm classificação livre e são um convite à diversão em família. Obras como Frankinho – uma história em pedacinhos do Coletivo Gompa (RS) e Dandara na Terra dos Palmares (Arte Sintonia Companhia de Teatro/BA), abordam temas essenciais do cotidiano, como amizade, bullying, ancestralidade e o enfrentamento do racismo. Inspirado na obra Frankenstein, o espetáculo do coletivo gaúcho aproxima arte e ciência para estimular a criatividade do público. Já o trabalho da companhia de teatro baiana narra a trajetória de uma menina que sofre racismo na escola e encontra forças para enfrentar a experiência dolorosa ao se reconectar com sua origem e identidade.
O impacto das telas na relação entre as crianças e as famílias, tema extremamente atual, estará em cena com o espetáculo HA! (Grupo Artilharia Cênica/MG). Já Caixa Ninho, do grupo de Santa Catarina, utiliza as caixas de papelão para retratar sentimentos como cuidado e afeto.
As montagens também trazem para a cena as relações familiares e os desafios contemporâneos, por meio de uma linguagem acessível e sensível. Entre os temas abordados estão a depressão, retratada no espetáculo No Coração da Lua (Grupo Estação de Teatro/RN); o Alzheimer, que é tema de A Maçã (William Seven/SP); e o Autismo, em Memórias em Maranhês: a casa (Grupo Cena Aberta/MA).
Texto por agência com edição de Rebeca Dias
Foto por divulgação
