Um dos destinos mais visitados de Minas Gerais, e talvez um dos mais importantes das férias de inverno do Brasil, o distrito de Monte Verde continua na sua gangorra de preços superestimados nos meses de maio, junho, julho e agosto e, no verão, alguns hotéis e pousadas praticam tarifas de R$ 200,00 o casal, leiloando o produto num período de baixa demanda.
O destino oferece poucos atrativos municipais focados ao turista. As poucas atividades externas são oferecidas por empreendimentos particulares, como Parque Oschin, Bar do Gelo, VillaLeta, Patinação no Gelo, passeios a cavalo, e as lojinhas espalhadas por vários centros-comerciais, principalmente na rua principal do distrito.
A percepção de que Monte Verde foca mais na exploração financeira do turista do que na qualificação do turismo é uma crítica recorrente, impulsionada pelo rápido crescimento do destino, especialmente na alta temporada de inverno. A estimativa na última temporada de inverno foi de cerca de 350 mil visitantes. O distrito se consolida como um dos principais roteiros de frio do Brasil, atraindo investimentos, mas também gerando desafios estruturais.
Alguns fatores que sustentam as críticas:
Preços elevados: Relatos apontam que restaurantes e pousadas praticam valores altos, muitas vezes desproporcionais à qualidade oferecida, especialmente no centro.
Privatização de atrações: Trilhas famosas, como a da Pedra Redonda, estão sob concessão da MOVE (Agência de Desenvolvimento de Monte Verde), exigindo o pagamento de ingressos que muitos visitantes consideram elevados e abusivos.
Infraestrutura: Críticas mencionam calçadas malconservadas e ruas fora da avenida principal com infraestrutura precária.
Qualidade do atendimento: Alguns relatos citam funcionários de atrações privatizadas mal treinados ou “sem preparo” para o turismo de massa. Conforme críticas de turistas em vários canais de venda, como TripAdvisor, etc

O outro lado: Desenvolvimento e atrações
Inovação e modernização: O destino instalou totens interativos e promove o turismo de aventura e alguns eventos para diversificar a experiência.
Calendário de eventos: Monte Verde tem investido em eventos (Natal Cultural, Bike Fest) para atrair público o ano todo, não apenas no frio, mas as ações ainda são tímidas em relação ao calendário anual. Monte Verde tem 4 meses de alta temporada dois meses de média temporada e seis meses de baixíssima temporada.
Acolhimento: O destino é frequentemente reconhecido entre os mais acolhedores do país.
Embora o turismo de aventura e a gastronomia sejam pontos fortes, a sensação de “exploração” muitas vezes surge da combinação de preços altos com infraestrutura que não acompanha o volume de turistas, um desafio comum a destinos que se tornam moda.
Promessa de banheiro público e de casas populares não são cumpridas
A atual administração municipal realizou uma série de obras, que na verdade ainda não trouxeram uma experiência de fato positiva aos turistas e visitantes. Por exemplo o evento denominado Natal das Montanhas é realizado com sucesso, mas não há local adequado para os visitantes acompanharem os desfiles. O evento é realizado na rua. Os turistas ficam em pé separados por um cordão de isolamento assistindo a um desfile rápido e quase sempre repetitivo e, na maioria das vezes, são surpreendidos pelas intempéries do tempo, com vento e chuva forte na maioria dos dias da apresentação, ofuscado o brilho dos enfeites e das luzes natalinas.
Outro fator que chama a atenção e preocupa os visitantes é que na cidade não há banheiro público disponível para os turistas utilizarem dignamente. Muitos acabam fazendo xixi nas matas e nos terrenos ao longo da avenida principal do distrito. Há exatamente 1 ano e meio, a administração municipal construiu um banheiro público que segue em obras, foi inaugurado politicamente e até o momento a população e os visitantes não consegue utilizar. Não se sabe o real motivo desse descaso.

Um destino turístico que cobra altos valores para a entrada de ônibus e arrecada muito com os preços abusivos dos passeios às montanhas realizados pela MOVE, não dá ao turista a mesma proporção e respeito no atendimento. O turista que visita esse encantador local não tem banheiro para fazer suas necessidades. Um horror!
Se arrecada demais e, ao mesmo tempo, não oferece ao visitante o mínimo de condições de higiene. Os turistas precisam utilizar os comércios locais e, na maioria das vezes, é obrigado a consumir algo pra não passar aperto. Desde o início do ano, a atual gestão municipal anunciou o reajuste das tarifas para a visitação de ônibus e excursões. Algumas tarifas tiveram aumento da ordem de 185%, veja o gráfico e compare os valores de 2025 e os valores praticados em 2026.

Com isso, os turistas que passeiam no chamado turismo de bate e volta, sem hospedagem, caíram mais de 350%. Dezenas de empresas cancelaram os passeios, alegando aumento abusivo dos valores. Isso prejudica pequenos comerciantes, como lojas de artesanato, restaurantes e até passeios de jipe, impactando consideravelmente as suas receitas.
Na época de campanha, o atual prefeito reeleito prometeu a construção de casas populares para atenuar a crise vivida pela falta de moraria. Cerca de 75% dos funcionários que trabalham no comércio e no turismo de Monte Verde acabam morando de maneira precária, pois no Distrito de Monte Verde não há residência para esse contingente de profissionais. A maioria dos trabalhadores acaba morando em Camanducaia, pagando valores abusivos de aluguel e gastando mais de três horas em deslocamento para ir e voltar ao trabalho. Até agora não há nenhum movimento real sobre a construção de casas populares em Monte Verde. Outro fator preocupante é a paralização completa das obras de ampliação do único hospital do Distrito, parada há mais de oito meses. Uma cidade sem saúde não sobrevive por muito tempo.

As taxas abusivas continuam atormentando parte dos jipeiros. Os passeios em janeiro despencaram. Para fevereiro pode haver o alento do carnaval, mas depois a cidade seguirá em baixa temporada fazendo com que parte do comércio e de alguns prestadores de serviço possam ver seu faturamento despencar de maneira significante.
Nossa única intenção é mostrar como funciona uma administração municipal que atende exclusivamente um lado da população. Não há planejamento, nem responsabilidade social. O mote principal é arrecadar, arrecadar e arrecadar. Se forem transparentes mandem o balanço do que a MOVE arrecada para todo o trade turístico de Monte Verde.
Texto por: Cláudio Lacerda Oliva
Foto destaque por: Divulgação
