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Foto por Istock/ LHKPhotography

Três destinos “aborígenes” para quem está em intercâmbio na Austrália

16 de novembro de 2017

Palco de boa parte da história primitiva humana, muitos vilarejos australianos preservam costumes e dialetos dos antigos habitantes

Fazer um intercâmbio na Austrália se tornou um objetivo de muitos jovens brasileiros interessados em terminar a faculdade no exterior ou em aprender inglês em um país onde o idioma é falado. No entanto, com o aumento no número de intercambistas brasileiros no país, se expandiram também as possibilidades de conhecer mais sobre um dos territórios que serviram de palco para os primórdios da história humana.

A Oceania, por exemplo, foi o lugar onde o sociólogo francês Émile Durkheim deu início aos seus famosos estudos sobre as religiões humanas. Sua pesquisa se transformou no livro As formas elementares da vida religiosa, publicado na França em 1912, em que ele argumenta que a origem das crenças religiosas dos seres humanos está na segurança que a vida em comunidade produz. Na Austrália e a Papua Nova Guiné, mostra ele, os rituais sempre aconteciam quando os membros do clãs, após seus afazeres cotidianos, se reuniam em torno de seus totens.

Em um estudo publicado pela prestigiada revista estadunidense Science, em 2011, um grupo de diversos cientistas concluíram que os aborígenes eram descendentes dos primeiros homens que migraram da África em direção a Ásia há 70 mil anos. A chegada deles às ilhas oceânicas se daria apenas cinco mil anos depois, onde se estabilizaram.

Hoje um dos principais polos mundiais de turismo, a Austrália é famosa por suas praias, seus parques nacionais e seu espírito aberto à chegada de outros povos – como os próprios brasileiros. No entanto, a história segue lá, agora contada por cidades, instituições ou pessoas que insistem em manter os costumes de seus ancestrais. A seguir, Qual Viagem indica três lugares para conhecê-los melhor.

Kimberley

Foto por IStock/ tugodi

Foto por IStock/ tugodi

Uma das nove regiões da parte ocidental da Austrália, Kimberley é uma área rica de história dos povos que viviam no hoje território australiano. Sem possuir uma grande cidade, como a maioria dos estados do país, cada vilarejo conta um pouco não apenas das formações humanas primitivas, como também da colonização inglesa na região no século 17.

Broome, por exemplo, um município litorâneo de 14 mil habitantes e a 2 mil quilômetros de distância de Perth, a metrópole mais próxima, está localizada dentro do território dos Yawuru, povo australiano tão antigo que não se sabe ao certo desde quando vive na região. Em 2006, o Suprema Corte da Austrália reconheceu que os Yawuru são os nativos autênticos do lugar por causa, entre outras coisas, do dialeto que ainda falam e do artesanato que produzem.

A história dos Yawuru não foi tão agradável no período colonial, assim como foi com os índios latino-americanos: escravizados pelos ingleses que chegaram à região em busca de pérolas, foram quase extintos durante aquele período. Hoje se estima que existam cerca de dois mil Yawuru vivendo na Austrália – quase todos em Broome, que possui uma bonita praia (Cable Beach) e diversas propriedades tocadas por nativos que seguem mantendo boa parte da cultura dos antepassados.

Em Kimberley ainda há a cidade de Derby, palco de um festival anual que rememora as tradições dos povos Ngarinyin, Worrorra e Wunambal, também naturais da região e que influenciam a cultural local até os dias atuais. O Mowanjum Festival é organizado a cada julho pela Mowanjum Art and Culture Centre, uma entidade australiana que atua na preservação as tradições aborígenes em Kimberley, e atrai uma grande quantidade de turistas interessados nas encenações das cerimônias primitivas. A edição de 2017 comemorou vinte anos do início das comemorações.

Diversas agências de viagens organizam excursões para Broome e Derby, além de outras cidades de Kimberley, partindo das principais metrópoles australianas, como Perth, Melbourne e Sidney. Elas geralmente incluem os passeios, a hospedagem e as passagens aéreas.

Gippsland

Foto por Istock/ tsvibrav

Foto por Istock/ tsvibrav

Não tão distante de Melbourne está localizada a região de Gippsland, no estado de Victoria, na parte central da Austrália. Segundo o último censo oficial, produzido em 2011, a maioria dos 250 mil moradores da área é descendente de aborígenes que resolveu permanecer nas terras onde seus ancestrais se desenvolveram. Entre eles, indígenas dos povos Gunai e Boon Wurrung, que hoje são representados por diversas instituições nacionais.

Os Gunai lutaram contra os invasores ingleses durante boa parte das empresas mato adentro promovidas no século 18. Hoje, restam ainda aproximadamente três mil descendentes dos povos nativos vivendo na região que, desde 2012, contam com uma instituição oficial de apoio e proteção, a Gunai Kurnai, do governo de Victoria. Ainda é possível encontrar diversas influências dos primitivos no cotidiano das pessoas que moram ali atualmente.

Em Gippsland, as principais cidades para se visitar são Traralgon, Moe e Warragul, todas de pequeno porte. O estudante brasileiro Gabriel da Hora, que passou seis meses em intercâmbio em Sidney no ano passado, viajou para a região acompanhado dos alunos da instituição em que estudou inglês. A excursão tinha, além de outros brasileiros, japoneses, indonésios, colombianos e italianos.

“Dá pra fazer até um pequeno mochilão pelas cidadezinhas, porque são todas próximas. Cada uma oferece um espacinho pra conhecer a história, mas também para tomar um bom café, conversar, caminhar, etc. É uma pena que tão pouca gente viaje para aquele lugar”, comenta.

Para além da história nativa, em Warragul há um dos eventos mais visitados pelos turistas: uma tradicional feira de produtos orgânicos produzidos pelos agricultores locais organizada a cada terceiro sábado do mês. O encontro reúne mais de 50 produtores da região que vendem ervas, queijos, óleos e vegetais aos moradores das cidades.

Em outra região, mais ao leste, há a parte conhecida como “Lagos de Gippsland” pela junção de três grandes lagos: o Wellington, o King e o Victoria. Ao contrário das cidadezinhas da região, suas margens são repletas de hotéis, resorts e restaurantes que ficam lotadas de turistas do mundo todo. Muitos deles vão em busca de mergulhos com os golfinhos e práticas de surf.

Coorong

Foto por Istock/ photosbyash

Foto por Istock/ photosbyash

Também próximo a uma metrópole australiana – a capital Adelaide -, está o Parque Nacional Coorong, no estado de South Australia, criado nos anos 1960 pelo Estado para proteger espécies de pássaros, peixes e mamíferos. Antes da invasão, viviam ali os índios Ngarrindjeri, que formavam uma espécie de aliança entre várias pequenas tribos que habitavam nas margens do Rio Murray. Parte de um fenômeno em expansão no país, o conhecimento sobre o dialeto, os costumes, a história e as relações sociais entre os nativos vem aumentando nas últimas décadas.

Sabe-se, por exemplo, que os Ngarrindjeri formavam uma espécie de confederação de diversos povos cujas lideranças eram exercidas por dezenas de anciãos. Cada tribo também elegia uma espécie de representante que serviria para fazer a comunicação entre os clãs e o poder central. Os membros de um clã só poderiam se casar com membros de outro e, mesmo assim, existiam uma série de observações contra uniões entre pessoas que tivessem qualquer laço familiar.

Hoje, boa parte do turismo para o Parque Nacional Coroong se baseia na forma como os índios viviam ali antes da chegada dos ingleses. “Os aborígenes viveram nessa área por milhares de anos com o mar e os lagos costeiros servindo-lhes alimentos em abundância. Os montes de restos de marisco, fornos de cozinha, acampamentos, detritos de pedra em flocos (que são descartes do processo de fabricação de ferramentas) e locais de enterro estão localizados aqui”, diz um trecho de um texto do Coroong Country, que administra o parque.

As excursões saem de diversas cidades australianas, principalmente Adelaide, e incluem roteiros pela floresta e pelas praias, hospedagem, alimentação e passagens. A estudante Ana Carolina Oliveira, que passou um ano estudando na capital do país, fez o percurso. Para ela, foi a experiência mais interessante que teve no período em que estudou fora: “A Austrália tem investido muito nas heranças nativas e, ao menos para mim, pareceu que a população também se interessa em saber quem eram os aborígenes, como viviam, etc. Foi uma grande surpresa”, finaliza.

Texto por: Agência com edição Eliria

Foto destaque por Istock/ LHKPhotography

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