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Schumacher: um alemão em meio aos italianos em Bento Gonçalves

25 de maio de 2020

Em tempos de pandemia promovida pelo Covid-19 o que não faltam são profetas, teóricos e especialistas do aqui-agora e do futuro. Do aqui-agora porque surgem do nada, não possuem história, caem como paraquedistas em meio ao campo de guerra e falam baseados em teorias.

Do futuro porque fazem prognósticos, consultam a bola de cristal de como seremos e estaremos depois de atravessarmos esse mar vermelho da economia pós pandêmica.

Muita gente opaca surge em lives compondo número e ocupando a telinha com alguns mais espertinhos.

Por outro lado, temos algumas cabeças, não muitas, que fazem pouco estardalhaço, são discretas e, mesmo em tempos sombrios como o nosso, continuam produtivos, concentrados em seu negócio e em sua história. Criam, escrevem, provocam; são pessoas diferenciadas, inquietas, que não aceitaram cargos amorfos em repartições públicas ou se esconderam atrás de uma negócio apenas para ganhar dinheiro.

O perfil de Werner Schumacher, descendente germânico da terceira geração no Brasil, segue a linha editorial – embora sem a pretensão de se tornar um clássico (pelo menos por enquanto) da obra Os Sertões – de Euclides da Cunha. Naquela, o autor narra a Guerra de Canudos (1896 – 1897) e divide sua obra em três fatias muito distintas: “A terra”, “o homem” “e a luta”.

Ao conhecer mais de perto a história de Werner Schumacher – vimos que se tratava de alguém fora da linha de produção, que teve um papel fundamental na história da vitivinicultura brasileira, mas que até então ocupara apenas um espaço coadjuvante. Uma injustiça pelo o que ele representou para a indústria do vinho brasileiro. O que saltou aos olhos na nossa abordagem jornalística – confessadamente superficial – é que o homem não só tem uma história familiar carregada da nostalgia alemã no Brasil pós-guerra, mas foi ele o responsável em importar os equipamentos e insumos para atender os produtores de vinho brasileiros. Foi ele um dos responsáveis em tornar o Rio Grande do Sul o maior (e melhor) produtor de vinhos do Brasil a partir da década de 90!

O que também se destaca ao conhecer a história de Werner Schumacher é sua inquietude diante de um mundo em fermentação (desculpem o trocadilho). Sua capacidade de indignar-se com a comoditização do que pode vir a ser o vinho no futuro (ou muito em breve) é clara em seus artigos. Em um texto recente ele analisa (e questiona) a compra de vinícolas por grandes grupos cervejeiros. “O negócio deles é bebida e para eles vinho é apenas uma bebida que deve render lucro, pouco importa a origem, o terroir ou o que mais queiram; querem apenas um produto que seja bem comercializado, mesmo que seja um Coca-Cola-Wine”, dispara.

São esses elementos históricos, atuais e futuros que, somados formarão o todo deste perfil: “O homem” em Euclides – é a memória da história de Werner; “A terra” em Euclides – é a contribuição de Werner para o vinho brasileiro; e a “luta” de Euclides – é a postura antenada de Werner com as políticas e a economia do vinho aqui, e agora.

Dividimos assim a história deste alemão que subiu a serra e foi morar com os italianos em Bento Gonçalves (RS). Acompanhe na Qual Viagem os próximos capítulos.

Texto por: Paulo Atzingen

Foto destaque por: Arquivo Waleska Schumacher

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