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Peru: emoção de Norte a Sul | Qual Viagem Logo

Foto por Istock/ mariusz_prusaczyk

Peru: emoção de Norte a Sul

20 de outubro de 2017

Um país intenso: guarda mistérios nas altas e misteriosas montanhas sagradas de Machu Picchu e Kuelap, se derrama em beleza junto ao imenso salto d’água da lendária cachoeira de Gocta e liberta a imaginação sobre as asas do condor. Descubra sabores e amores. Seja qual for o destino, Peru é pura emoção.

A mágica Machu Picchu 

A 2.400 metros de altitude, Machu Picchu, ou a “Velha Montanha”, em vocabulário Quichua, continua a ser um dos locais mais emblemáticos do Peru 

Foto: Stockphoto24 via Istock

Foto: Stockphoto24 via Istock

Não há como falar de Peru sem ter como referência Machu Picchu. Quem visita a cidade sagrada, localizada na região do Vale do rio Urubamba, sempre a define com os mesmos adjetivos: mística, misteriosa, mágica etc. Não raro se ouve falar da energia, ou das boas vibrações do local. Constituída em duas grandes áreas, a antiga cidade Inca é formada por enormes terraços e recintos de armazenagem de alimentos. Na área urbana, a “zona sagrada” agrupa templos, mausoléus reais, pirâmides, calendários solares, construções de pedra e algumas lhamas. Dentre os pontos de maior atração estão o relógio de sol feito de pedras, no ponto mais elevado da cidade, e a Tumba Real, onde já foram descobertas múmias quando a cidade foi encontrada.Considerada uma das Sete Maravilhas Modernas de nosso planeta, além de Patrimônio Cultural da UNESCO, Machu Picchu é um dos locais históricos mais visitados do Peru. A cidade, construída no século XV sob as ordens de Pachacuti, nono Imperador Inca, foi considerada durante muitos anos após a conquista espanhola como uma lenda (a “cidade perdida dos Incas”), por não se saber de sua exata localização. Em 1911, a Velha Montanha foi finalmente redescoberta pelo professor norte-americano Hiram Bingham, quando chefiava uma expedição da Universidade de Yale.

Foto por IStock/ fabio lamanna

Foto por IStock/ fabio lamanna

Quem visita o local tem a oportunidade de entrar em contato não somente com a história de uma civilização de forte riqueza espiritual, como também constatar sua avançada engenhosidade na construção de terraços e aquedutos para conduzir a água, além de sistemas de drenagem subterrânea melhores que de muitas cidades pelo mundo.

O passeio até o local começa em Águas Calientes. Localizada ao pé da montanha. A pequena e charmosa cidade, de apenas dois mil habitantes, oferece banhos termais aos viajantes e serve de apoio logístico a Machu Picchu, a oito quilômetros.

Os hotéis do vilarejo já começam a servir o café às 5h da manhã, horário em que os visitantes já se preparam para pegar o ônibus. Recomenda-se comprar o bilhete pelo menos um dia antes, no stand da agência. Há guias disponíveis para grupos e, logo na entrada, à esquerda, uma subida íngreme que leva ao local das fotos tradicionais. Machu Picchu está situada à altura da maior riqueza cultural do Peru: sua magia.

Foto por Istock/ E_Rojas

Foto por Istock/ E_Rojas

Como chegar: Águas Calientes é a última cidade antes de Machu Picchu. Mas antes, é preciso chegar até Cusco. Há voos de Lima até Cusco, além de opções de ônibus e trem, de acordo com a cidade que se estiver. De Cusco a Águas Calientes, somente de trem. Existem duas empresas ferroviárias, a Peru Rail e Inca Rail. A segunda oferece linha a partir de Ollantaytambo (a 75 quilômetros de Cusco) ou de Poroy, (a trinta minutos de Cusco, ou, 12 quilômetros de distância). A Inca Rail oferece três opções de cabines: Presidencial, Primeira Classe e Executiva. Em todas há ótimo serviço de bordo e janelas amplas para não se perder de vista a paisagem típica da região.

O intenso sabor de Lima 

Além de belos edifícios, bairros limpos e organizados, a capital peruana revela seu principal orgulho: a gastronomia. Mais do que belos pratos, seu ingredientes são temperados com a história do país 

Cordilheira dos Andes – a incrível parede natural, responsável por impedir os ventos amazônicos de espalhar as nuvens sobre Lima durante oito meses por ano, recompensa a gastronomia peruana com milhares de tipos de batata. Do outro lado, a cidade que contempla do alto de um imenso barranco, no bairro Miraflores, a bela visão de sua praia, também recebe em sua mesa, das geladas correntes marítimas da Antártida, os peixes para o tradicional ceviche.

Foto por IStock/ruidoblanco

Foto por IStock/ruidoblanco

Em suma, a falta de sol no Peru se compensa junto à mesa. As ondas da praia, desafiadas na maioria do ano somente por corajosos surfistas, saúdam os visitantes e os conduzem a premiados restaurantes, alguns dentre os mais conceituados do mundo.

Ceviche, ahi de galinha, lomo saltado, rocoto relleno, não importa: o gosto picante da gastronomia, de modo geral, é marcante em quase todos os pratos peruanos. O fotógrafo limenho Miguel Mejia Castro acredita que o condimento reforça o sabor dos alimentos. Portanto, se o assunto for quantidade ideal de pimenta, o turista deve desconfiar da opinião dos garçons peruanos assim como se desconfia de nossas baianas ao falar de acarajé. O segredo do sucesso da gastronomia peruana começa pela variedade de seus ingredientes, encontrados fartamente no mercado municipal da cidade. Vale um bom passeio para se conhecer frutas características da região como a chirimoya (prima da nossa fruta do conde), aguaymanto (no Brasil, o physalis), a tuna (fruta de cacto) e a deliciosa granadilla – maracujá doce de agradável sabor, entre muitas outras frutas.

A batata está muito presente nos pratos: brancas, amarelas, grandes, pequenas – dos mais de cinco mil tipos de tubérculos conhecidos pelo mundo, três mil se encontram no Peru (há até um instituto para estudos do vegetal). Acredita-se que as “papas” já existiam no território andino há oito mil anos. Por causa delas, os Incas aperfeiçoaram suas técnicas de irrigação e as inseriram na história da cozinha peruana. Aliás, a história também produziu pratos de sabor surpreendente. O Causa Rellena, no qual se revezam, dentro de um aro de metal, camadas de batata “espremida”, abacate (também usado em vários pratos no país), frango, carne ou peixe, teve sua origem durante a guerra com o Chile. Em busca de recursos, as mulheres resolveram cozinhar as batatas, mesclar limão, pimenta amarela e azeite, sobra de alimentos e vendê- los nas ruas repetindo a frase “Por la Causa”. Eram as “Causeras”. Daí o nome do prato.

O chef Flavio Solórzano conta essa história e ensina a fazer o prato durante uma pequena oficina de gastronomia do restaurante El Señorio de Sulco. Também instrui a fazer ceviche (como não poderia deixar de ser) e o Lomo Saltado – pedaços de filé mignon acompanhado de arroz e, óbvio, batatas. Ao final do curso-relâmpago o aluno recebe um certificado que lhe renderá, certamente, ótimas lembranças.

Foto por Istock/ Kaszojad

Foto por Istock/ Kaszojad

Nesse mesmo restaurante são elaborados coquetéis à base de Pisco – destilado de uva com 42º de álcool (não recomendado apenas para guias turísticos, caso tenham que acompanhar o grupo após o almoço). Do pisco se elabora a bebida mais simbólica do Peru, o Pisco – Sour, um tanto parecido com a nossa caipirinha, porém, com clara de ovo. O resultado é uma bebida especialmente suave e saborosa. Há diversos coquetéis de pisco, até mesmo com folhas de coca (o sabor é bastante suave e aromático). Por fim, e não menos importante, as deliciosas sobremesas peruanas. Há diversas, em destaque, o creme de lúcuma – fruta típica dos Andes, e o tradicional “helado de queso” – sorvete à base de baunilha e coco.

Reconhecidos mundialmente, três, dos dez melhores restaurantes do mundo são peruanos. A riqueza dos pratos combina com sua capital, bem organizada, limpa e repleta de lugares encantadores, onde a ausência de sol é compensada pelo calor do acolhimento de seu povo simples e amável. E quando o céu se abre no verão, a praia, além dos surfistas à prova de gelo, volta a ganhar a companhia do sol, da boa cerveja e do ceviche. E o sabor de Lima se torna ainda mais intenso.

O parque do Amor 

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

Ah, o amor: a brisa suave, a magnífica vista panorâmica do oceano pacífico, o pôr do sol, selfies… Em Lima, o parque do Amor se tornou há 24 anos o ponto de encontro infalível de muitos casais apaixonados, sejam eles moradores ou visitantes da cidade. Situado no topo de uma colina, o parque é rodeado por muros baixos ondulados, cheio de frases românticas de poetas peruanos gravadas sobre azulejos. Os casais se deleitam diante da vista da Baía de Lima e das montanhas de Chorillos. A mais imponente obra de arte ocupa o espaço central dessa pracinha, em forma de anfiteatro: El Beso – a escultura de Victor Delfin é um tributo ao amor: o romântico casal entrelaçado aos beijos sobre a plataforma de três metros de largura e 12 de altura inspira fotos e declarações apaixonadas. Bancos decorados ao redor lembram um anfiteatro. É comum assistir a pedidos de casamento, declarações românticas (no dia dos namorados há até competições de beijo mais longo).

Bem ao lado do Parque do Amor há um entretenimento, talvez um pouco menos arriscado que o casamento: saltar de paraglider do imenso barranco – alternativa para quem, eventualmente, prefira a aventura ao amor.

Huaca Pucllana: passado e presente não revelados 

Do que se acreditava ser uma montanha em meio ao moderno bairro de Miraflores, em Lima, se descobriu, 30 anos atrás, uma imensa construção, datada entre 200 e 700 d.C. Aos poucos, a remoção do imenso véu de pedra e areia foi revelando Huaca Pucllana – complexo administrativo e sagrado de uma civilização pré-inca.

Erguido ao longo de três séculos, todo feito de tijolos crus de argila, dispostos lado a lado, a área continua a exigir intenso trabalho dos pesquisadores envolvidos. As condições climáticas da cidade favorecem a constância das escavações e explicam o motivo de o adobe nunca ter se desfeito ao longo de milhares anos: Lima recebe apenas 30 minutos de chuva por ano, ainda assim, em forma de garoa. Até mesmo as ruas da cidade são desprovidas de sistemas de chuva e as casas, em sua grande maioria, são cobertas apenas por lajes de concreto.

Foto por Istock/ ManuelGonzalezOlaecheaFranco

Foto por Istock/ ManuelGonzalezOlaecheaFranco

A Huacca Pucllana tem 150 mil metros quadrados e se divide em dois setores: o primeiro, administrativo e o segundo, o da pirâmide (na verdade, mais trapezoidal, pois não se eleva a um único topo), com atinge 23 metros de altura. No local eram realizadas cerimônias espirituais, cultos aos deuses e sepultamento das autoridades indígenas. Por sinal, a descoberta de múmias desvela muito dos costumes sagrados e sacrifícios daquela época. Um pouco dessa história está contada num pequeno museu, logo na entrada do complexo. Huacca Pucllana traz à luz o passado de uma civilização pré-inca. Há ainda muitos segredos obscuros a se desvendar, talvez tão surpreendentes quanto sua própria localização.

O Circuito Mágico das águas 

Um show de cores, luzes e fontes d’água. Há 10 anos, o Parque das Águas de Lima diverte crianças e adultos: ao todo, são 13 fontes ornamentais e interativas que permitem ao turista passear em corredores e túneis de jato d’água iluminados a laser. A grande atração são as cortinas de água que sustentam incríveis projeções tridimensionais e filmes sobre a riqueza cultural peruana. Ao anoitecer, a cores se acentuam dramaticamente e o espetáculo se torna ainda mais intenso e espetacular.

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

O Circuito Mágico das Águas recebeu do livro Guiness de recordes em 2009 o título de “Maior Complexo de Fontes em um Parque Público no Mundo”. Fotos valem mais que palavras nesse mundo mágico de efeitos encantadores e quase hipnóticos. Um passeio imperdível.

Chachapoyas: os guerreiros das nuvens 

Foto por ISTOCK / CONAN-EDOGAWA

Foto por ISTOCK / CONAN-EDOGAWA

No Amazonas peruano, a bela e agradável cidadezinha situada ao norte do Peru, a 1.200 quilômetros de Lima, tem ruas singelas, bela arquitetura colonial e um charmoso centro histórico, onde o turista obtém todas as informações para explorar a região. Há várias opções: caminhadas pelas belíssimas cachoeiras da região, visitas aos Mausoléus de Revash, ao Museu de Leymebamba ou a lugares sagrados: Sarcófagos de Karajia e a Fortaleza de Kuelap – refúgio da civilização pré-Inca assentada na região durante quase mil anos. Chachapoyas tem boa infraestrutura e bons restaurantes. Um deles, o El Batan del Tayta, traz propostas de pratos inusitados tanto em seu sabor quanto em sua apresentação. Há aeroporto em Jaen, cidade mais próxima, e, dali, durante três horas pela estrada, o turista terá contato com paisagens impressionantes, formadas por cânions de tirar fôlego e o belíssimo rio Utcubamba, cujas fortes corredeiras disputam com o contorno de suas magníficas montanhas de pedra a atenção do passageiro. Inicialmente batizada pelos incas de Sach’a phuyu (sach’a = árvore, phuyu = nuvem) devido à combinação de sua fantástica formação rochosa e da altitude de 2.300 metros, Chachapoyas recebeu o novo nome a partir de 1538, após o domínio dos espanhóis.

A praça das Armas 

Ouro, poder e traição: os traços da breve história do Eldorado peruano estão presentes na bela Plaza de Armas de Lima. Um dos mais belos lugares da capital peruana, a Praça das Armas leva os turistas a redescobrirem parte do que restou desse período na Catedral de Lima, onde se encontram (supostamente) os restos mortais de Francisco Pizarro, conquistador espanhol que chegou ao Peru em 1532 e tirou proveito da divisão de lideranças entre Atahualpa e seu meio irmão Huáscar pela sucessão do Império Inca. A estratégia de Pizarro se deu na aproximação do primeiro por meio da promessa de aliança. Depois, o executou, num dos episódios de traição mais famosos da história. O sanguinário conquistador também foi confundido com um deus por Huáscar e este também recebeu o mesmo fim.

Foto por ISTOCK / JPOSVANCZ

Foto por ISTOCK / JPOSVANCZ

Aos turistas, cabe ouvir, compreender e avaliar a magnitude dessa história. A catedral, erguida sobre um antigo templo de adoração Inca, guarda em seu interior inúmeras obras de arte do século XVII, os restos mortais atribuídos a Pizarro e catacumbas, na parte posterior da nave.

Do lado de fora, a praça é cercada de prédios amarelos, muitos com balcões de madeira que imitam os do período colonial. Também na praça se encontram o belo Palácio do Arcebispo e a Prefeitura. Ao centro, uma linda fonte convida os visitantes a belas fotos. A Plaza das Armas de Lima é um lugar feito para contemplar o mais rico tesouro do Peru: sua história. E levar parte dela, em forma de conhecimento, para a casa.

A lendária Cachoeira de Gocta e sua incrível beleza 

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

Diz a lenda que um pobre morador se enamorou de uma sereia na cachoeira de Gocta. A cada novo encontro, a sereia lhe trazia colares de pedras preciosas e, em troca, lhe pedia segredo. Em pouco tempo o homem se enriqueceu, porém, como era casado, seus constantes sumiços despertaram desconfiança da esposa, que o seguiu. Ao se espantar com a cena do flagrante, a esposa gritou pelo marido. A sereia se sentiu traída e arrastou o amante para o fundo das águas. Até pouco tempo atrás essa história era levada tão a sério a ponto de os moradores da região sequer se aproximarem do local. Em 2005, um arqueólogo alemão, Stefan Ziemendorff, soube da cachoeira e, depois de diversas tentativas, convenceu um morador a indicar o caminho. Passado algum tempo, para a surpresa e alívio de todos, o pesquisador logo retornou. Um ano depois, Ziemendorff, juntamente com sua equipe, mediu a altura da queda d’água e a situou entre as mais altas do mundo: 771 metros de altura. O acesso até a cachoeira é feito por caminhada ou a cavalo e dura em torno de duas horas. A trilha foi calçada parcialmente com pedras e algumas subidas transformadas em longas escadarias. O grau de dificuldade é pequeno, embora exija disposição de quem não esteja acostumado a fazer caminhadas. Alguns mirantes dão para paisagens impressionantes formadas por cadeia de montanhas e até figuras rupestres, tidas como milenares. Em período de chuvas, o número de cachoeiras aumenta nos paredões. Em toda região de Chachapoyas foram contadas 43 cachoeiras. Ao final do percurso, a recompensa: na parte alta, onde se inicia a queda d’água, os respingos d’água refrescam o fim da caminhada e garantem lindas fotos. O imenso paredão é também área de desafio para os alpinistas.

A cachoeira de Gocta seduz por sua altura e beleza enquanto se enche de mistérios em suas profundezas.

A fortaleza de Kuelap 

Foto por IStock/ Conan-Edogawa

Foto por IStock/ Conan-Edogawa

Antes da chegada dos Incas, uma civilização nômade ocupou o território ao norte do Peru. Grandes guerreiros, ótimos agricultores e adoradores dos deuses, os Sach’a phuyus tiveram as nuvens como companhia. E uma fortaleza nas alturas: Kuelap. Os paredões de pedra de cerca de 20 metros de altura dão contorno ao topo da montanha de 60 mil metros quadrados. Eles remetem à lembrança das fortalezas medievais da Europa, no entanto, a imensa muralha de Kuelap foi preenchida para nivelar o alto da montanha e sustentar cerca de 420 casas de pedra arredondadas, cobertas de sapé. As habitações foram erguidas entre os anos 500 e 1570 d.C. pelos bravos Sach’a phuyus – povo de pele clara e de alta estatura, cujas mulheres foram consideradas pelos conquistadores espanhóis as mais lindas da América pré-colonial.

Embora considerados sábios guerreiros, os “Guerreiros das Núvens” foram isolados pelos Incas ao redor da alta montanha. Sem acesso à comida e água, logo entregaram sua área administrativa e se submeteram à dominação durante cerca de 60 anos, até a chegada dos espanhóis. A fortaleza se manteve esquecida durante séculos até 1843. Recentemente, o vilarejo de Nuevo Tingo, do outro lado da montanha, tornou possível a visita à montanha Sagrada graças ao seu recente teleférico. Em 20 minutos, dezenas de cabines conduzem diariamente centenas de turistas a um novo domínio da montanha de 1.200 metros de altura.

Antes de entrar em Kuelap, o ritual: esfregar folhas de muña entre as mãos e orar em gratidão à “Pachamama” (Mãe Terra). Depois, absorver o aroma intenso e agradável liberado pelas folhas. O chá da folha de muña é usado contra mal-estares estomacais, enjoos e dificuldade para respirar.

Foto por Istock/ Conan-Edogawa

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A escadaria por entre paredões de pedra se estreita ao final da subida para dar passagem a uma só pessoa de cada vez. Teria sido construída assim para proteger o povo contra invasores. No alto dela, se encontram o palácio do rei, o forte, um local onde se vê ossos entre rochas e as centenas de ruínas das milenares habitações, algumas de paredes marcadas com faixas de pedras em forma de losango, segundo estudos, pertencentes a líderes e autoridades do povo.

Além de grandes construtores, os Sach’a phuyus eram também sábios xamãs – líderes espirituais que conheciam as propriedades de plantas medicinais. A montanha foi escolhida por sua posição cardeal em relação ao sol, além de sua visão de 360º. A dominação Inca respeitou a cultura Sach’a phuyus e ajudou a manter praticamente intacto um dos mais fantásticos sítios arqueológicos do mundo. Já apelidada como “Machu Picchu do Norte”, a cultura do povo de Kuelap deixa para o Peru forte herança histórica e turística. Os três acessos ao topo da montanha de Kuelap já são tão utilizados quanto no passado, em seu período áureo. A fortaleza continua sagrada, agora, também para o turismo.

A partir de Lima, se pode escolher entre as rotas: Lima-Chiclayo-Chachapoyas (1.409 quilômetros e 22 horas de viagem) ou Lima-Trujillo-Cajamarca- Chachapoyas (1.716 quilômetros em 28 horas de viagem). As empresas de ônibus mais recomendadas são a Cruz del Sur e a Movil Tours.

Arequipa: história em constante erupção 

Foto por IStock/ saiko3p

Foto por IStock/ saiko3p

Aninhada entre o litoral e o planalto sul do Peru, Arequipa se tornou a segunda maior cidade peruana graças ao empenho seus moradores. Mas os vulcões também ajudaram.

Três imponentes vulcões – El Misti, Chachani e Pichu Pichu posam exuberantes ao redor de Arequipa. A 2.400 metros acima do nível do mar, a “cidade branca”, segunda mais populosa do Peru, com mais de 850 mil habitantes, ficou conhecida por esse nome graças à cor clara de seus moradores, resultado da miscigenação entre índios e espanhóis. Muitos ligam o apelido à pedra sillar, usada na construção da maioria de seus prédios. O mineral se formou na região milhares de anos atrás devido aos gases expelidos dos vulcões.

O sillar é marca registrada em todas as construções da cidade e em sua cultura. Uma das representações mais evidentes se encontra no bairro de Yanahuara: a Igreja dos Jesuítas, totalmente modelada em 1750 com a pedra branca. Sua fachada incorpora a rica mistura de culturas indígenas e coloniais espanholas esculpidas em alto-relevo. A maleabilidade do mineral garante a riqueza de detalhes em cada figura: um anjo com coroa de penas, colunas talhadas, um gato andino que expele de sua boca ramos de flores e deles produtos típicos da região (espiga de milho, flor e o mamão arequipenho). O painel se complementa com anjos, um pássaro e ao meio, uma índia. Na parte superior da fachada, a imagem esculpida da Virgem do Rosário, Santa Catarina de Sena e Santa Rosa de Lima.

Foto por IStock/ hartmanc10

Foto por IStock/ hartmanc10

Assim como todas as fachadas das Igrejas de Arequipa, essa também foi reformada devido aos fortes terremotos. A pedra de sillar é sensível à água e só resiste na cidade graças a pouca quantidade de chuvas. A baixa resistência do material o levou a ser usado somente em muros.

Ainda na praça central do distrito se pode contemplar o emblemático vulcão Misti, de 5.800 metros de altura, distante 20 quilômetros de Arequipa. Os arcos da praça, claro, feitos de rocha vulcânica, proporcionam a moldura das fotos. Há Fotógrafos disponíveis nas proximidades. Por ali também se vende “queso helado”, numa tradução ao pé da letra, “sorvete de queijo”. Mas o nome não condiz com o produto. Trata-se de um sorvete tradicional, feito de leite, açúcar, coco e baunilha. A sobremesa teria sido feita primeiramente no convento de Santa Catalina e adaptada por um arequipenho. Conta-se que o gelo foi retirado do topo do vulcão Misti. Para não se derreter durante o tempo da viagem (em lombo de mula) até a cidade foi preciso conservá-lo em sal. O sorvete era feito da mistura dos ingredientes dentro de uma vasilha que era envolvida por outra cheia de gelo. Ao bater, a massa ganhava consistência e logo nascia uma sobremesa suave e saborosa.

Foto por Istock/ rcaucino

Foto por Istock/ rcaucino

Os vulcões foram essenciais para Arequipa: fizeram surgir um mineral único na região, fertilizaram o solo, foram canais de expressão da arte e da cultura local e ajudaram até na sobremesa. Por fim, sua presença ao fundo é a imagem do grande desfecho: orgulhoso, Misti divide a atenção dos visitantes com a cidade que fez nascer, sem expelir o mínimo de timidez.

Seu Fortunato e a pedreira 

A imensa rocha de sillar despenca do alto do paredão de quase 20 metros de altura. Marreta em punho e mãos firmes apoiam a cunha no lugar preciso: o bloco se parte. Ainda restam mais 19 para seu Fortunato concluir o dia de trabalho. Essa rotina tem se repetido nos últimos 30, dos 55 solitários anos de vida do cortador de pedra, todos dedicados a consumir parte do paredão de dois quilômetros na pedreira de sillar, a 20 minutos do centro de Arequipa, entre os distritos de Cerro Colorado, Yura e Uchumayo. A produção lhe garante mil Soles por mês, algo em torno de R$ 1.300,00. Seu Fortunato faz parte de uma cooperativa de 500 pessoas. O trabalho se divide em 16 frentes e três funções distintas: produzir os blocos, comercializar e entregá-los nas casas de construção da cidade.

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

Na parede oposta, a réplica da fachada da Iglesia de la Compañía, dos Jesuítas, o brasão da cidade e a imagem de um trabalhador em atividade rendem boas fotos aos dezenas de turistas. Também rendem alguns trocados extras a seu Fortunato. É o único momento em que ele abandona a marreta, se recupera da respiração ofegante e passa a talhar um pouco de sua própria história aos interessados.

O tempo de vida da pedreira ainda dependerá da combinação do que resta da quantidade de rocha, da demanda do mercado e da disposição de novos trabalhadores. Declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Peru, a pedreira, cuja técnica de trabalho é empregada há 400 anos, viu passar diversas gerações, em muitos casos, de pai para filho. Não será o caso de seu Fortunato. Dos três filhos, dois são homens, e não querem o mesmo destino do pai. Assim sendo, tão teimoso quanto a rocha que nunca se acaba, seu Fortunato segue a dura empreitada que a vida lhe proporcionou. Enquanto existir pedreira e fôlego, a cidade continuará a crescer a partir de suas mãos.

Os segredos do monastério de Santa Catalina 

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, o Convento de Santa Catalina é uma espécie de cidadela fundada em 1579. O belíssimo museu guarda memórias da cultura espanhola em Arequipa. Mais do que paredes coloridas e corredores estreitos, por onde filhas de famílias nobres do século XVI eram entregues para a vida religiosa, a área de 20 mil metros quadrados do Convento de Santa Catalina conduz o visitante aos aos cômodos que resistiram ao tempo e aos terremotos da cidade. Dentro do Monastério, que durante séculos manteve infraestrutura para abrigar até 175 monjas e mais cerca de 300 mulheres serviçais, o turista tem acesso às antigas instalações, divididas internamente por ruas com nome de cidades da Espanha. Em cada área, há sempre algo a se revelar da rotina diária das monjas: onde dormiam, oravam e se interagiam como religiosas. Impedidas de contato direto até mesmo com os próprios familiares, o monastério, transformado em museu a partir de 1970, mostra ao público as salas de visitas, cujas grades duplas evitavam o contato corporal com os parentes, a capela, os diferentes tipos de quartos e os utensílios de época, além de quadros centenários de pintores espanhóis. O complexo também já serviu de abrigo durante levantes populares e de colégio, onde muitas moças estudavam e se preparavam para o casamento. O visitante poderá adquirir souvenires ou doces feitos pelas próprias religiosas dominicanas, atualmente em 20, instaladas em outro edifício ao fundo do museu. Parte do dinheiro arrecadado é destinada a projetos sociais. A abertura ao público se deu duas décadas depois de um intenso terremoto entre os anos de 1958 e 1960. Ao contrário da fé dessas religiosas, as colunas e as estruturas do complexo foram abaladas, motivo que obrigou o convento a ser transformado em museu e revelar aos visitantes suas instalações e a rotina da vida em clausura.

Foto por Istock/ jarnogz

Foto por Istock/ jarnogz

Há serviços de guia para grupos de quatro a 20 pessoas. Os portões do monastério se abrem diariamente das 9h às 17h. As terças e quartas feiras, das 9h às 20h.

Mercado de San Camilo 

Os sabores de Arequipa começam a ser sentidos a partir do mercado de San Camilo – verdadeiro centro de descobertas da essência culinária da cidade. Desenhado pelo famoso arquiteto francês Gustave Eiffel (o mesmo que projetou a Torre Eiffel, de Paris), o mercado de San Camilo, em Arequipa, é bem mais que um local agradável para se visitar: é surpreendente. A começar pela cultura – dizem que muitos arequipenhos preferem o mercado à padaria para comprar pães. É comum ver diversas barracas de pães, especialmente o de três pontas e outro bem peculiar, o pão de T’anta Wawas – um tipo de confeitaria em que se usa o adorno de uma boneca em sua forma. Esses pães são usados para se celebrar uma amizade ou afeto dos pais com os filhos, entre outros motivos.

Assim como no Brasil, há diversas barracas de frutas e uma área reservada somente para sucos, o mais famoso deles, o de papaia arequipenha – fruta própria da região. Somente Arequipenhos compreenderão o sabor dos combinados de pastel de papa con arroz chaufa e ceviche, ou a sopa de chuño, conhecido coloquialmente como “asfalto”, entre outros pratos. Em Arequipa, o interesse pelo Rocoto relleno lembra nosso tradicional “pastel de feira”.

Foto por ISTOCK / OLLI0815

Foto por ISTOCK / OLLI0815

O prato típico peruano é um pimentão (verde, amarelo ou vermelho) recheado de carne, amendoim, ovo cozido e vários condimentos assados ao forno, acompanhados, claro, de batata. Outra curiosidade é o espaço reservado para os chapéus, alguns chegam a custar mais de mil dólares. O mercado foi erguido no local de uma igreja da ordem dos padres Camilos destruída no passado por um terremoto. Não por acaso, logo em sua entrada, estão dispostas as imagens que se mantiveram intactas. O Mercado de San Camilo é considerado Patrimônio Histórico Monumental desde 1987. É um dos mais antigos da cidade, com cerca de 130 anos. Seus sabores misturam muita história e cultura.

La picanteria: a contínua contestação da gastronomia peruana 

Picanteria é um tipo de restaurante que serve pequenas porções de diversos tipos de pratos, ou, em português, algo como servir “picado”. Picante também tem a ver com pimenta, com revolução. Existem várias versões sobre o surgimento da “picanteria”. Uma delas, é a de que os homens saiam para trabalhar e, por retornarem tarde para o almoço, comiam pequenas partes do que havia sobrado. Com o tempo, principalmente no campo, as picanterias começaram a encontrar espaço comercial: nas casas rurais, demarcadas com um pano vermelho, os trabalhadores podiam se servir do que estivesse em preparo na cozinha.

As picanterias migraram para a cidade e se tornaram locais onde artistas, poetas e políticos se reuniam para discutir ou contestar o destino do país. Muitas se tornaram locais “perturbadores” e foram fechadas por ordens políticas. A força das picanterias na história da gastronomia peruana é incontestável: ao longo de 200 anos, cerca de 700 pratos (somente em Arequipa) foram criados para transmitir, por meio de cada alimento, alguma informação ideológica, cultural ou geográfica.

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

O chef Roger Falcon, um ex-arquiteto que constrói pratos contemporâneos, mantém na picanteria que herdou de sua mãe e avó a memória desses tempos. La Benita de los Claustros, nome de sua mãe, oferece pratos contemporâneos baseados no resgate da tradição secular de sua origem: Chupe de Camarões, Ocopa Arequipeña, Rocoto Relleno, Adobo, Soltero de Queso, Bolo de Batata, Costillar Frito, Cuy Chactado, Cauche de Queso, Locro, Chaque de Pecho, etc.

Se depender do Chef Roger Falcon, a contestação deve prevalecer. Ele trouxe de volta essa tradição em pleno centro de Arequipa e já prepara a expansão de sua picanteria para outro bairro da cidade, juntamente com a “chicheria”, antecessora das picanterias. Por si só, a picanteira é um “levante” contra o sistema de serviços de restaurante. Se em outra época elas já foram espaço de inspiração, conspiração, paixão, revolução, em tempos modernos, seus pratos recuperam a memória peruana e reforçam a constante luta revolucionária da gastronomia por novos sabores. Hay que renovar siempre, perder la identidad, jamás.

Rumo ao Vale del Colca 

Os 150 quilômetros de estrada a partir de Arequipa até o Vale de Colca reservam surpresas pelo caminho: montanhas nevadas, muitas lagoas e 43 vulcões em toda a região (é possível avistar seis deles pela estrada). O Sabancaya, o único em atividade, expele cinza em meio ao horizonte de montanhas azuis. Nessa estrada se alcança uma das maiores altitudes do Peru: 4.910 metros. Há quem sinta um pouco do mal estar provocado pelo ar rarefeito. Mas as surpresas pelo caminho ficam próximas da rodovia: os camelinhos do deserto – lhamas, vicunhas e alpacas por vezes cruzam a imensa estrada cheia de caminhões carregados de minério. A primeira parada é Chivay, um pequeno vilarejo acostumado a recepcionar os turistas em sua pequena praça. Do lado de fora da centenária igreja, construída pelos espanhóis ha mais de 400 anos, algumas senhoras vestidas de forma peculiar trazem lhamas para fotos em troca de algum auxílio. A pequena feira em ruas próximas oferecem trajes típicos e souvenires a ótimos preços. O frio nessa região é intenso durante as noites de inverno, quando a temperatura pode cair a -17ºC.

Foto por Istock/ saiko3p

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Nada que preocupe. Os aquecedores nos quartos de hospedagem garantem o conforto de uma viagem que já começa parecendo um sonho.

Cruz del Condor 

O amanhecer cobra seus últimos 2ºC restantes do intenso frio da madrugada. As 6h30 da manhã, a praça da pequena cidade de Yanque, vizinha de Chivay, parece ter estado em festa à noite toda: os dançarinos apresentam o Wititi – dança típica peruana em que o homem usa vestes femininas para enganar o padre e paquerá-las, enquanto feirantes educados oferecem roupas e artesanatos locais aos turistas que seguem em direção à Cruz del Condor. A estrada (bem conservada) corta o Vale Del Colca e conta um pouco da história da região. Por quase uma hora, a viagem se alterna entre paradas em mirantes frente a montanhas e cânions da região, vilarejos e a vista de antigos terraços Incas, ainda usados por fazendeiros para o cultivo de batatas, milho, quinua, feijão etc. Por fim, o principal destino: a Cruz del Condor – local onde centenas de turistas se aglomeram para assistir ao voo matinal dos condores – pássaros andinos, cuja envergadura das asas é de pouco mais de três metros. O Cânion do Colca, mirante natural onde se encontra a Cruz del Condor, é um dos mais profundos do mundo: 1,2 mil metros.

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

O vento forte intensifica a sensação de frio, mas às 9h da manhã o sol já começa a fazer todos desistirem do casaco. Os primeiros condores começam a sair dos ninhos e planar charmosamente em frente aos mirantes, para delírio dos turistas.

De acordo com o guia, praticamente 90% dos visitantes que chegam até a cidade de Arequipa incluem a “Ruta del Colca” em seu passeio, especialmente pelo majestoso espetáculo dos maiores pássaros do mundo. O show dura cerca de duas horas, tempo suficiente para contemplar a beleza da região e dispensar o fardo das roupas de frio, que se estendesse da noite, congelaria o ânimo até nossos pássaros.

Sibayo: o povo de Pedra 

A 3,9 mil metros de altitude, o rio Colca e suas correntes de água gelada, onde trutas rosadas e brancas se reproduzem, acompanha a rodovia até um povoado impressionante: Sibayo, conhecido também como o “povo de pedra”.

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

Foto por MIGUEL MEJIA CASTRO

O pequeno vilarejo, onde moram pouco mais de mil pessoas, tem cerca de 200 casas feitas de pedra e cobertas de palha, como em seus primórdios. Em frente à igreja de São João Batista, na linda e bem cuidada praça onde se destaca uma bela fonte, se vê mulheres de trajes característicos da cultura peruana aproveitar a sombra e tecer suas roupas com fios de alpaca. Os moradores, descendentes dos índios que se fixaram na região 700 anos atrás, proporcionam um tipo de turismo cada vez mais crescente nessa região: o receptivo. O visitante, além de conhecer o doce vilarejo, é convidado a experimentar pratos típicos na casa de um morador local – momento em que se percebe o calor do acolhimento desse povo que, de pedra, só tem o nome.

Como chegar

Companhias aéreas:

São Paulo-Lima: Taca Perú;

Lima – Cusco: Lan Perú, Aéreo Sur, Taca Perú e Star Peru.

Empresas ferroviárias (Cusco-Águas Calientes):

Peru Rail: a partir de Cusco, Ollantaytambo e Urubamba.

Inca Rail: a partir de Ollantaytambo.

Onde ficar

Lima

Hotel Jose Antonio deluxe

 

Chachapoyas

Hotel Casa Hacienda Achamaqui

Arequipa

Casa Andina Premium Arequipa

Onde comer

Lima

Huaca Pucllana

El Señorio de Sulco

 

Arequipa

 

Hotel Libertador

 

Chachapoyas

El Batán de Tayta

Pacotes Turísticos
FLOT 
MACHU PICCHU BRASIL
RAIDHO
SANCHAT TOUR
SUBMARINO

Texto por: Pedro Teixeira

Foto destaque por istock/ mariusz_prusaczyk

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