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Marrocos: exótico, misterioso e irresistível! | Qual Viagem Logo

view of Hassan II mosque reflected on water at night - Casablanca - Morocco

Marrocos: exótico, misterioso e irresistível!

28 de fevereiro de 2020

Destino que conquista os corações de turistas do mundo inteiro, reúne um caldeirão de cultura africana,
oriental e europeia. A hospitalidade do povo marroquino e a diversidade de cenários impressionam os visitantes

Considerada uma das civilizações mais antigas do mundo, o reino de Marrocos é um destino dese­jado por quem gosta de viajar. Verdadeira expe­riência que aguça os sentidos, mescla cores, sons e sabores com a rica paisagem natural e a diversidade cultural que remonta há mais de 10 mil anos de história.

Marrocos foi dominado por diferentes etnias – ára­be, berbere, africana e europeia -, que influenciaram a cultura, gastronomia, arquitetura e as artes. A inde­pendência veio em 1956 e, no ano seguinte, Moham­med V transformou o país em um reino. Atualmente, o turismo e a pesca estão entre as principais ativida­des que movem a economia marroquina.

Claro que em uma viagem para Marrocos não po­dem faltar visitas às cidades de Marrakech, o principal destino turístico do país, e Casablanca, que combina modernidade com heranças muçulmanas e árabes. Porém, nessa matéria vamos abordar destinos ainda pouco conhecidos dos brasileiros, mas que podem garantir uma viagem inesquecível.

Aventuras no deserto

Quem nunca sonhou em fazer um passeio de dro­medário pelas dunas douradas do surpreendente De­serto do Saara? Maior área desértica do mundo, tem 9 milhões de km² e percorre boa parte do país e de outros nove vizinhos. Pois essa é uma das principais atrações de uma viagem a Marrocos. São diversos os roteiros possíveis.

Entre as possibilidades estão percorrer as trilhas do famoso Rally Dakar em veículos com tração 4×4 ou em quadricíclos, conhecer carreiras de fósseis, visitar uma família nômade, saborear um típico almoço em local montado nas areias e, no final da tarde apre­ciar o magnífico pôr do sol no deserto. Há, ainda, a alternativa de passar anoite em luxuosas barracas montadas nas areias.

Conhecer o povo nativo, os berberes – que signi­fica homens livres -, é experiência única. Eles ainda estão presentes em diversos pontos do deserto e preservam as tradições e os costumes tribais. Muitos deles são nômades.

Foto via iStock por Nisangha

Foto via iStock por Nisangha

O tour em picapes 4×4 começa bem cedinho. Os experientes motoristas conhecem como ninguém os caminhos e os segredos para dirigir na região desér­tica. No início são apenas planícies. Algum tempo depois surgem as primeiras dunas. Um pouco mais e elas vão crescendo em tamanho e volume de areia. O trajeto é feito com emoção – como diriam os bu­gueiros em Natal – e alguns turistas ficam um pouco enjoados. Mas o incomodo é compensado pelo ma­jestoso visual. Durante todo o tempo o guia vai expli­cando sobre as características da região e também da cultura do povo berbere.

No roteiro estão as Dunas de Merzouga (Erg Che­bbi), a aldeia abandonada de Merdani, as minas de M´ifis e visita a Khamliya, onde os visitantes são re­cepcionados com chá e danças tradicionais. Na se­quência, a cidade de Rissani, onde há um souk (mer­cado ao ar livre) bastante movimentado.

Quase no final da tarde e cercados de areia por to­dos os lados, os veículos param em um determinado ponto e o restante do trajeto tem que ser feito sobre a corcova de dromedários. Acostumados com os tu­ristas, os animais caminham lentamente e balançam bastante. Em fila indiana, rumam com destino à mais alta das dunas, um local privilegiado para apreciar o esplendoroso pôr do sol.

Foto via iStock por Nisangha

Foto via iStock por Nisangha

Mas se você pensou que os dromedários subiriam com os turistas no lombo até o topo se enganou. Aos pés da duna eles param e os visitantes têm que subir à pé. Não é fácil, mas o esforço será recompensado. A areia quente e fofa faz com que você dê três passos para cima e escorregue dois. Chegando lá em cima não demora muito para o sol começar a se escon­der. Em poucos minutos o astro-rei tinge o horizonte com incríveis tons avermelhados e dourados. Difícil saber se admiramos boquiabertos ou tiramos fotos e gravamos vídeos para eternizar o momento mágico. Na dúvida faça as duas coisas. Rapidamente a noite chega e no silêncio do deserto ouve-se apenas o som do vento soprando a areia.

Acampamento em tendas

De volta aos dromedários não demora muito para chegar ao luxuoso acampamento La Belle Etoile-Xalu­ca, montado em pleno deserto. O grupo de turistas é recebido com sucos e chás à beira de uma foguei­ra. Homens vestindo túnicas brancas tocam músicas típicas. Junto com a noite também chegou o frio. O deserto é radical. Durante o dia o calor é sufocante, à noite o frio é intenso.

Inspirado no estilo berbere (tendas khaimas), o acampamento é totalmente estruturado para receber com conforto os visitantes. É dotado de gerador e ou­tras comodidades. Porém, sinal de celular e internet nem pensar. Dentro das grandes tendas há banheiro, chuveiro com água quente, camas com dossel, tapetes e iluminação especial de lanternas. Após um merecido banho e colocar roupas quentes, nada melhor que curtir um jantar com bebidas e comidas típicas marroquinas.

Foto via iStock por Zzvet

Foto via iStock por Zzvet

Ao termino da deliciosa refeição todos se reúnem em torno da fogueira para tomar vinho e apreciar o céu estrelado. Acredite, parece que você está em um planetário tamanha é a quantidade de estrelas.

O frio aumenta conforme o fogo vai se apagando. O cansaço bate e se abrigar na cama parece ser o melhor a se fazer. Antes de se recolher os hóspedes ainda recebem uma bolsa com água quente para aju­dar a aquecer a noite. Não demora muito e o gerador é desligado. A partir daí a escuridão domina e o silên­cio é absoluto.

A cama e os travesseiros são confortáveis e um grosso edredom garante uma noite bem quentinha debaixo das cobertas. Se conseguir, levante um pou­co antes das 7 horas da manhã para apreciar o nascer do sol. Ele surge rápido e vai dourando a areia como que avisando que o dia será de novas emoções.

Portas do Saara

São várias as portas de entrada para o Deserto do Saara. Entre elas estão as cidades Ouarzazate, Erfoud e Merzuga – perto da fronteira com a Argélia.

ARFOUD – Pequeno vilarejo, também é o ponto de partida para o Alto Atlas. No caminho, parada para conhecer os khettaras, uma rede de antigos poços escavados pelos nômades para o abastecimento de água. Atualmente eles estão secos, mas os montes de terra na superfície ainda podem ser vistos. No topo de cada um deles há um balde e uma roldana. Mas ao contrário do que se pode imaginar, o balde servia para retirar lama e assim manter o canal desobstruído para a água circular. Próximo estão as cidades ber­beres de Tinejdad e Tinghir, o Vale do Dades e as Gargantas do Todra.

Foto via iStock por Pavel Mora

Foto via iStock por Pavel Mora

MERZOUGA – Local onde está o Erg Chebbi, o maior conjunto de dunas de areia do deserto, lugar ideal para o típico passeio de dromedário. Além disso, o destino conta com um dos cartões-postais da região, o cinematográfico Aït Ben Haddou, antiga cidadela fortificada de onde é possível avistar cenários típicos para fotos e vídeos do deserto.

OUARZAZATE – Principal destino para as incursões ao Saara. Localizada ao Sul do país e distante cerca de 200 quilômetros de Marrakech, foi habitada por berberes e, por isso, marcada por migrações e rotas de comércio. A cidade também é o ponto de partida para a famosa Rota das Mil Kasbashs, as construções fortificadas que protegiam, tanto de invasões, quan­to das tempestades de areia e do frio. As Kasbahs têm mais de 4 mil anos.

Paisagem lunar

Distante apenas 28 quilômetros de Ouarzazate, aos pés da Cordilheira do Atlas, o Kasbah Ait Benhaddou possui um visual que impressiona. Com estilo arqui­tetônico baseado exclusivamente na terra e conside­rado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, reúne cerca de 50 casas. Essa aldeia esculpida no barro é um lugar exótico e singular. Para chegar até o topo é preciso subir muitos degraus. Mas é possível fazer paradas no caminho, onde lojinhas vendem artesana­tos e tapetes coloridos. Ao chegar no ponto mais alto você verá que o esforço valeu à pena. O visual remete a uma verdadeira paisagem lunar.

Foto via iStock por kasto80

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Também chamada de ksar, nome de antigas cons­truções tradicionais de Marrocos, o conjunto de pe­quenas casas edificadas com tijolos de barro é pro­tegido por torres e muralhas. Erguido no século 17, exerceu papel importante como posto de comércio nas rotas de caravanas entre o Deserto do Saara e Marrakech. A cidadela também abriga uma mesqui­ta, uma praça, palacetes e outras construções.

Mesmo parecendo ter parado no tempo, algumas famílias ainda vivem no local. Viajantes interessados em vivenciar uma experiência diferente podem se hospedar dentro do ksar. O cenário desértico e mon­tanhoso do lugar pode ser visto em muitos filmes, incluindo alguns famosos como Lawrence da Arábia, A Múmia, Sodoma e Gomorra, Gladiador e Jesus de Nazaré. Também serviu de locação para cenas impor­tantes da série Game of Thrones.

Hollywood do deserto

A região que tem 300 dias de sol por ano e o visual único chamou a atenção da indústria do cinema. Por isso, vários estúdios cinematográficos se estabelece­ram na cidade de Ouarzazate.

Turistas e cinéfilos não podem deixar de visitar o Atlas Film Studios. Construído em uma área de 200 mil m² no deserto, abriga um museu que exibe equi­pamentos e cenários com esfinges, templos, barcos e até um avião caça utilizados em clássicos como A Joia do Nilo, Cleópatra, Kundun, O Príncipe da Pérsia e Asterix e Obelix.

Foto via iStock por saiko3p

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Outro local a ser visitado é o CLA Studios do ci­neasta Dino De Laurentiis. Construído no meio de um enorme vale, também tem um Museu de Cinema com reproduções de aspectos das cidades de Jeru­salém e Meca, além de objetos utilizados em filmes como Kingdom of Heaven – Cruzada e Ali Baba e os 40 Ladrões.

GARGANTAS DO TODRA – Ouarzazate também é o início do Vale do Dades, que se estende por mais 150 quilômetros até Tinghir e as imponentes Gargantas do Todra. A partir de Tinghir até o desfiladeiro de Todra são cerca de 25 quilômetros. O visual impres­siona pela grandiosidade. Os paredões de rocha às margens do rio têm 160 metros de altura. Além de render belas fotos, o lugar tem diversas trilhas e rece­be muitos alpinistas.

Foto via iStock por RudolfT

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ZAGORA – Localizada em um vale do Rio Drâa, a 160 quilômetros de Ouazazate, é o destino ideal para quem não tem tempo suficiente para um rotei­ro completo pelo deserto. Nos arredores da cidade, também é possível explorar os ksars fortificados.

Cidade Azul

O Norte do Marrocos também reserva cidades e lo­cais interessantes para uma viagem pelo país. Região estratégica no passado, foi dominada por fenícios, pelo Império Romano e Bizantino, árabes, portugue­ses, ingleses e franceses.

O Mar Mediterrâneo e a cadeia de montanhas Rif são guardiões de lugares únicos, repletos de cenários naturais e históricos. Suas principais cidades são Tân­ger, Chefchaouen, Tetouan e Tamuda Bay.

TÂNGER – Distante 60 quilômetros de Gibraltar, é uma das cidades mais vibrantes, misteriosas e mul­ticulturais de Marrocos. Tamanha diversidade é o re­sultado da mistura de culturas europeia, africana e marroquina. Suas ruas estreitas levam a edifícios de importância religiosa como mesquitas e minaretes.

Foto via iStock por issam elhafti

Foto via iStock por issam elhafti

O roteiro de atrativos inclui bazares tradicionais, encantadores de serpentes, mesquitas, museus e o Grand Zoco, mercado localizado no centro que reúne bancas que vendem perfumes, lenços, chás, joias, ca­fés e alimentos de diferentes cores e aromas.

Para conhecer a história da cidade, vale à pena visi­tar os museus American Legacy e o de Antiguidades. O primeiro foi criado pelos Estados Unidos como re­conhecimento da independência marroquina e expõe fotografias históricas e traça uma relação entre os dois países. Já o segundo, chamado The Voyage of Venus (Viagem de Vênus), exibe a famosa casa do mosaico – retrato da deusa e um grupo de ninfas em um navio. Outro museu interessante é o Forbes Museum of Military Miniatures, no Palais Mendoub – antiga residência do editor americano Malcolm For­bes. Lá estão reunidas mais de 115 mil miniaturas de soldados de chumbo e um jardim com 600 estatuas em homenagem à Batalha dos Três Reis.

Uma das principais atrações turísticas de Tânger é a Gruta de Hércules, um conjunto de túneis naturais formados pelo mar. Situada perto do cabo Espartel, marca a entrada do Estreito de Gibraltar.

Foto via iStock por pierivb

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Outro ponto que não deve ser deixado de lado é a Kasbah (século 17), um castelo fortificado no ponto mais alto da cidade, onde vivia o sultão. O local oferece vista privilegiada sobre o Estreito de Gibraltar e para a vizinha Espanha. Em seu interior um grande pátio conduz ao palácio Dar el Makhzem, transfor­mado em Museu de Arte Contemporânea de La Ville de Tânger.

O porto de Tânger também é interessante local para passeio. Sua história está ligada a registros históricos e arqueológicos que remetem a indícios de ocupação pré-histórica e sinais da presença fenícia em duas ne­crópoles.

CHEFCHAOUEN – A chamada “Cidade Azul” está sobre as montanhas do Rif e a 110 quilômetros de Tânger. Diferente de todas as outras cidades marro­quinas, irradia a cor azul-turquesa das paredes e mu­ros das casas. A tonalidade também está presente nas roupas tradicionais das mulheres locais. A cidade é uma das mais visitadas de Marrocos.

Fundada pelos mouros em 1471 como fortaleza para barrar a expansão dos portugueses, Chefchaou­en virou no século 15 reduto de judeus e europeus, devido à Inquisição Espanhola. A permanência se manteve significativa até meados do século 20.

Entre as versões para justificar a predominância da tonalidade azulada conta-se que na década de 1930, os judeus teriam começado a pintar suas casas para lembrar a antiga tradição das vestes dos reis do An­tigo Testamento. Dizem também que a cor das casas serviria de lembrete de que o poder de Deus e o céu estão acima de tudo. Atualmente, Chefchaouen ainda mantém vielas tingidas de azul como atrativo turísti­co.

Foto via iStock por Olena_Znak

Foto via iStock por Olena_Znak

No centro da cidade, diversas lojas oferecem arte­sanato local: colchas, mantas, casacos e gorros feitos com padrões típicos da região. Às margens do rio as lavadeiras fazem parte do cenário. Na praça central estão um castelo e uma mesquita com minarete oc­togonal – o único em todo o mundo muçulmano. Há, também, diversos lugares sagrados entre mesquitas, zaouias (edifício religioso muçulmano) e mausoléus.

Quando a fome apertar escolha um restaurante e peça um dos pratos típicos preparados com cabrito, cuscus, vitela ou peixe. Não deixe de provar o famoso chá de menta marroquino. A “Cidade Azul” também é o ponto de partida para conhecer a imponente ca­deia de montanhas do Rif e suas cascatas, enseadas isoladas, bosques de cedro e pinheiros.

Distante 30 quilômetros a Sudeste de Chefchaou­en, a Reserva Nacional Talassemtane guarda uma joia rara, as Cachoeiras de Akchour. Essa série de cachoei­ras têm águas cristalinas e um visual de tirar o fôlego. A mais famosa é a Cachoeira Alta e para chegar até ela é necessário caminhar por trilhas de difícil acesso. No caminho há abrigos onde os caminhantes encon­tram água, sucos e alimentos. Ao final do percurso, a recompensa pelo esforço é um incrível cenário onde a água jorra a mais de 100 metros de altura.

TETOUAN – Localizada próximo às montanhas do Rif, tem um visual onde os tons verdes de cipreste contrastam com as casas brancas e baixas. Considera­da Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, é uma das mais completas e intocadas cidades anti­gas de Marrocos.

Fundada por volta do ano 1305 como base de ope­rações militares, Tetouan foi destruída pelos espa­nhóis. No século 16, serviu de exílio para muçulmanos e judeus vindos de Andaluzia (Espanha) e prosperou durante o reinado de Ismail. Durante séculos foi um dos principais centros culturais do país e morada dos califas. Sua majestosa arquitetura hispano-marroqui­na data do século 17.

Foto via iStock por juanorihuela

Foto via iStock por juanorihuela

A cidade é rodeada por uma muralha de cinco qui­lômetros e é acessível através de sete portas. Um pas­seio pelo centro histórico leva a pequenas praças e jardins ao longo de avenidas e ruas estreitas e sinuo­sas com casas e paredes brancas. A praça Hassan II tem fontes, quiosques e flores que lembram a cidade espanhola de Andaluzia.

As ruas são repletas de vendedores de frutas, legu­mes, peixes, bolos, doces e roupas, entre outros pro­dutos. A atividade comercial é marcante. Tanto que há a rua dos tintureiros, dos joalheiros, dos carpinteiros e dos artesãos. Há também muitas barbearias. Muito co­mum também é a presença de mulheres com trajes em cores extravagantes e com grandes chapéus de palha.

O roteiro turístico na cidade inclui a Escola de Belas Artes, o Conservatório, o Palácio Real e a Igreja de Nossa Senhora das Vitórias, de origem espanhola.

TAMUDA BAY – Verdadeiro tesouro natural na cos­ta do Mediterrâneo tem praia com águas cristalinas e areias douradas. Localizada próximo ao aeroporto de Tânger, Tamuda Bay tem hotéis de qualidade e resorts à beira-mar. E há muito que fazer por lá além de curtir as praias. Um campo de golfe com 18 buracos, esportes aquáticos, mergulho, surfe e com­pras são apenas algumas das opções. Um dos locais mais concorridos é a Lagoa Smir, um parque aquático com restaurantes, lojas e dois portos de recreio – Marina Kabila e Marina Smir – com equipamentos para esportes aquáticos e área de relaxamento.

Já o porto de M’diq é ideal para jantares românticos no verão. Os visitantes podem passear pelas ruelas da aldeia e caminhar próximo dos barcos tradicionais construídos pelos pescadores. Nas imediações, o farol Cabo Negro reserva vistas espetaculares.

 

Cidades Imperiais

Nos tempos das dinastias reinantes, a capital de Marrocos passou por quatro cidades, que hoje são conhecidas como “Cidades Imperiais”: Fez, Marrake­ch, Rabat e Meknes. Naquela época, elas ganharam importância e construíram grandes monumentos. Muitos deles ainda podem ser vistos atualmente.

FEZ – É a mais antiga cidade imperial de Marrocos. Fundada no ano 808, foi a capital do reino por várias vezes. O labirinto de ruas da cidade medieval – cha­mado Fez el-Bali – é considerado a maior área urba­na do mundo onde os carros não podem circular. A principal entrada é a Porta Azul (Bab Boujloud) que separa a medina (centro histórico) da parte nova e moderna do destino.

Foto via iStock por Balate Dorin

Foto via iStock por Balate Dorin

Localizada na região Norte do país, Fez é um dos principais polos culturais e comerciais do Marrocos. Antigas tradições árabes estão presentes e preserva­das por lá. A cidade é sede de uma das mais antigas universidades do mundo, a de Al Quaraouiyine.

A medina é toda cercada por muralhas e acessível por seis imponentes portões. Atravessar um deles é como entrar em uma máquina do tempo e ser trans­portado para 1,2 mil anos atrás. Casas típicas, mes­quitas, palácios, madraças (escolas de estudos islâmi­cos) e souks (mercados tradicionais árabes) dividem o espaço em suas ruas estreitas e movimentadas.

Antigos curtumes como o Chouara, fundado no século 11 e em atividade até os dias atuais, ainda tra­tam o couro de forma totalmente manual. Grandes tanques multicoloridos são utilizados para tingir as peças. O cheiro é forte e afasta muitos turistas.

Foto via iStock por mariusz_prusaczyk

Foto via iStock por mariusz_prusaczyk

Nos souks são comercializadas todo o tipo de mer­cadoria – de especiarias e frutas secas a tapetes arte­sanais. Vale a pena subir no terraço de alguma loja para observar a vibrante paisagem. Difícil é resistir à tentação das compras. Nesse caso, não esqueça de pechinchar sempre, oferecendo valores bem abaixo dos preços originais. Essa é a regrado jogo e é bem-vinda. Aproveite! A Place Boujloud (praça em frente à Porta Azul) é completamente murada com fortifica­ções datadas do século 9. No local ocorrem feiras de produtos berberes e nômades.

A cidade tem diversas fontes e uma das mais icôni­cas é a Nejjarine, localizada na praça onde também está o Museu de Artes e Ofícios de Madeira.

Fora da medina há lugares interessantes como a Mellah (antigo bairro judeu), os jardins de Bou Jeloud e o Palácio Dar el-Makhzen, que ainda é usado pela família real de Marrocos.

Outro destaque de Fez é o Volubilis, o mais extenso sítio arqueológico romano no Marrocos. No século 2 a.C., foi uma próspera cidade do Império Romano e se desenvolveu através do comércio de trigo, azeite e animais. Cerca de 20 mil pessoas viveram no local. Considerado Patrimônio Mundial da Humanidade da Unesco, as ruínas romanas ocupam 20 hectares. Lá estão fontes, mosaicos e monumentos como o fó­rum, a basílica e o Arco do Triunfo. É possível ver também onde estavam os fornos, moinhos, lojas e as casas de ricos e pobres.

A culinária de Fez é uma atração à parte. Não deixe de provar os tradicionais tagines, as pastillas que mis­tura doce e salgado, carneiro preparado com tem­peros especiais e até a exótica carne de dromedário.

Foto via iStock por Rudolf Ernst

Foto via iStock por Rudolf Ernst

RABAT – Principal centro político do país, a capital marroquina também é importante polo cultural. Mo­derna e histórica ao mesmo tempo, tem como prin­cipais atrativos as ruínas romanas, a arquitetura em estilo europeu, os labirínticos bairros medievais, o Museu de Arte Contemporânea Mohamed VI e a Tor­re Hassan, erguida para ser o mais alto minarete do mundo, mas que teve sua construção interrompida e permaneceu com 44 metros.

Foto via iStock por Natalia Babok

Foto via iStock por Natalia Babok

A cidade conta com muitos espaços verdes e obras de arte decorando ruas e praças. O imponente Palá­cio Real é rodeado por uma enorme muralha e possui um vasto pátio, escola, mesquita e edifícios do go­verno. Outro destaque é o Museè National de Bijoux, abrigado em um palácio do século 17, que guarda uma importe coleção de arte marroquina.

Rabat tem ainda algumas das melhores praias do país nos seus 60 quilômetros de litoral. A mais famo­sa é Oudayas, point dos surfistas na região.

MEKNES – Um verdadeiro museu a céu aberto. Assim pode ser definida a cidade que é Patrimônio Mundial da Unesco. Repleta de belas construções e palácios suntuosos, é bem mais tranquila do que ou­tros destinos turísticos do Marrocos.

Fundada no século 11, Meknes está a 50 quilôme­tros a Oeste de Fez e a 150 quilômetros de Rabat. Ga­nhou importância quando o sultão Moulay Ismail de­cidiu que ela seria a nova capital do país, entre 1672 e 1727. Nesse período foram construídos palácios, mesquitas e monumentos grandiosos.

Foto via iStock por Leonid Andronov

Foto via iStock por Leonid Andronov

Considerada a “Versailles de Marrocos”, a cidade dos cem minaretes tem construções em estilo euro­peu, já que o sultão admirava a corte francesa e os palácios de Luís XIV. O resultado dessa combinação de arquiteturas pode ser apreciado nos muitos mo­numentos em estilo mourisco.

A cidade é cercada por altas muralhas e abriga o Palácio Real de Meknès (Dar el Makhzen), além de enormes jardins e mesquitas. Destaque para o Mau­soléu de Moulay Ismail – luxuoso e repleto de deta­lhes arquitetônicos -, que permite a entrada de não-muçulmanos. Porém, não é permitido chegar perto da tumba do sultão.

Foto via iStock por saiko3p

Foto via iStock por saiko3p

O acesso à Cidade Imperial se dá através de enor­mes portas trabalhadas com requinte. A principal é a de Bab Mansour el Aleuj, na praça El Hedime. Ela é uma das principais obras hispano-mouriscas do mun­do e é considerada a mais bonita do país.

Ao Norte das muralhas está a antiga medina, área histórica repleta de souks, mesquitas, restaurantes e hotéis. Já o bairro francês tem construções mais modernas. O roteiro de atrações turísticas relaciona ainda o Estábulo Real, que chegou a abrigar 12 mil cavalos; a Mellah, um antigo bairro judeu; e o Museu Etnográfico com seu incrível jardim Andaluz.

Para quando você for a Marrocos

Localizado no extremo Noroeste da África, o reino do Marrocos faz fronteira marítima com a Espanha e terrestre com a Argélia e Mauritânia. Ao Norte, está limitado pelo Mar Mediterrâneo e pelo Estreito de Gibraltar. Desertos, montanhas, cordilheiras, praias, lagos e rios fazem parte da geografia do país. Rabat é a capital e Casablanca a maior cida­de. O islamismo é a religião predominante.

IDIOMA

Árabe é a língua oficial.Há, também, o cha­mado árabe marroquino (Darija). O francês é amplamente falado e o inglês bastante utilizado em lugares turísticos como hotéis e restaurantes. No Norte, o espanhol também é comum.

MOEDA

Dirham Marroquino (Dh)

FUSO HORÁRIO

Mais 2 horas em relação ao horário de Brasília.

VISTO

Não é necessário, mas a validade do passa­porte deve ser superior a seis meses.

CLIMA

A temperatura costuma oscilar muito podendo cair até 10 graus durante o inverno (ja­neiro e fevereiro), quando as chuvas são constantes. Já no auge do verão (julho) pode chegar facilmente aos 45 graus no in­terior, enquanto que no deserto atinge 50 graus. A melhor época para viajar é entre os meses de outubro e maio, período mais ameno, porém esfriando bastante à noite.

SAÚDE

Nenhuma vacina é exigida.

EMBAIXADA DO BRASIL EM MARROCOS

M10, Avenue Al Jacaranda, Secteur 2, Hay Riad – Rabat.

Informações: portalconsular.mre.gov.br e tels. (212) 537 57 2730 | (212) 537 71 4613 | (212) 537 71 6110.

Há, tam­bém, um consulado brasileiro em Casablan­ca: 23 Rue El Amraoui Brahim – tel. (212) 22 20 1898.

COMO CHEGAR

A companhia aérea Royal Air Maroc (royalairmaroc.com/pt-pt) é a única a ofe­recer voos diretos de São Paulo e Rio de Ja­neiro para Casablanca. O tempo de viagem é de 9 horas em média, a bordo dos moder­nos Boeing 787 Dreamliner com 256 assen­tos na classe econômica e 18 poltronas na classe executiva. São cinco voos semanais de São Paulo e dois do Rio de Janeiro. Outra opção é utilizar os serviços de companhias que voam para as principais capitais da Europa e realizar um voo de conexão para Marrocos. A partir de Algeciras, no sul da Espanha, há ferries que partem de hora em hora com destino a Ceuta (40 minutos de viagem) e Tânger (2h de viagem).

O QUE COMER

A gastronomia marroquina recebeu influência dos povos nômades do deserto, de mediterrâneos, árabes e franceses. Os pratos mais tradicionais da cozinha local são o cuscuz de semolina com vegetais cozidos e acompanhamentos que vão desde o carneiro a frutos do mar, e os tajines – cozidos de carne, frango, peixe e legumes refogados e preparados em panela de barro. O tempero das carnes (cordeiro e frango) levam mel, frutas cítricas, açafrão e pimentas. O famoso kebab também está em todas as partes e é uma opção saborosa e barata. Um chá de hortelã completa a refeição.

ONDE FICAR

As principais cidades do país são servidas por hotéis das principais redes internacionais. Nos últimos anos cresceu muito a oferta de hos­pedagem de luxo. Há opções para todos os bolsos. Para viver uma experiência típica do país a dica é ficar em um Riad marroquino.

TRANSPORTES

Os trens são a melhor maneira de circular pelo Marrocos. Baratos e mais ou menos pontuais, ligam as principais cidades do país. Outra opção são os ônibus, confortáveis e

com preços razoáveis. Se precisar utilizar um táxi pergunte o preço antes de en­trar. No geral, os veículos são bem velhos e os motoristas costumam parar no meio do caminho para pegar outras pessoas que estão indo na mesma direção.

PACOTES TURÍSTICOS

CVC – cvc.com.br

FLOT – newsite.flot.com.br

LUSANOVA – lusanova.com.br

ORINTER TOUR – orinter.com.br

VIAJANET – viajanet.com.br

INFORMAÇÕES TURÍSTICAS

visitmorocco.com

Texto por Roberto Maia

Imagem Destacada via iStock por anass bachar

O jornalista viajou a convite do Turismo do Marrocos e do Grupo Xaluca, voando Royal Air Maroc e com a proteção do seguro viagem da GTA – Global Travel Assistance.

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