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Mariana é joia histórica no Circuito do Ouro mineiro | Qual Viagem Logo

Mariana, Minas Gerais, Brazil

Mariana é joia histórica no Circuito do Ouro mineiro

9 de fevereiro de 2018

Em meio às belas montanhas verdes de Minas Gerais fica Mariana, cidade que integra o famoso Circuito do Ouro. A cidade acumula títulos de grande importância: primeira capital de Minas Gerais, primeira cidade com um projeto urbanístico planejado do estado e sede do primeiro Bispado mineiro. Estar em Mariana é como voltar no tempo e mergulhar na época do Brasil Colônia.

Foto por Patrícia Chemin

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Com a descoberta de uma grande quantidade de ouro na região, Mariana foi fundada em 1696, sob o nome de Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo. No século seguinte, tornou-se capital da província de Minas e, em 1745, ganhou o nome que possui até hoje, uma homenagem à rainha Maria Ana D’Austria, esposa do rei de Portugal Dom João V.

Foto por Patrícia Chemin

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Mariana ganhava cada vez mais importância e, então, foi necessário um projeto urbano elaborado pelo engenheiro militar José Fernandes Alpoim, com ruas e praças em linhas retas. Surgiram inúmeros casarões coloniais, além de igrejas de arquitetura barroca, típicas da época. No século XVII, Mariana rendia uma das maiores quantidades de ouro a Portugal. Muitos personagens ilustres da época do Brasil Colônia nasceram em Mariana, como o poeta e inconfidente Cláudio Manuel da Costa e o artista do barroco e do rococó Manuel da Costa Ataíde, o famoso Mestre Ataíde.

Foto por Patrícia Chemin

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A história colonial do Brasil e de Minas Gerais ainda vive em cada canto do centro de Mariana. Por suas construções que ainda preservam as fachadas e outros elementos originais, ruas e calçadas de pedras, a cidade foi declarada Monumento Nacional, em 1945. A história de Mariana é sempre homenageada no dia 16 de julho, Dia de Minas e aniversário da cidade, quando o Governo do Estado é simbolicamente transferido para lá.

Foto por iStock / diegograndi

Foto por iStock / diegograndi

Mariana fica na Serra do Espinhaço e no Quadrilátero Ferrífero, a cerca de 120 km de Belo Horizonte e ao lado de Ouro Preto, e possui mais de dez distritos e subdistritos. Além de fazer parte do Circuito do Ouro, Mariana também integra o roteiro da Estrada Real. Quanto ao desastre ambiental ocorrido no final de 2015, o trágico rompimento da barragem foi a uma distância de 30 km da parte turística da cidade.

Descubra o centro histórico

Por ficar a pouco mais de uma hora da capital mineira, Mariana é um destino ideal para um passeio de final de semana. A maioria das atrações e joias arquitetônicas da cidade concentra-se nas principais ruas do centro histórico, em torno das praças Gomes Freire e Minas Gerais. Como as vias são estreitas e há algumas ladeiras, o ideal é conhecer Mariana a pé. Dica para quem vai visitar a cidade pela primeira vez: passe primeiro no CAT (Centro de Atenção ao Turismo), na Rua Direita, 93, e pegue um mapa gratuito.

Foto por Patrícia Chemin

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Comece seu passeio pelo maior cartão-postal de Mariana, a Praça Minas Gerais. Ao chegar lá, logo se percebe o motivo de tanta fama. A praça fica em um ponto um pouco mais elevado da cidade. No meio, fica o Pelourinho, que é cercado pela Casa de Câmara e Cadeia e pelas igrejas de Nossa Senhora do Carmo e de São Francisco de Assis. Estas duas, construídas no século XVIII, possuem uma arquitetura semelhante, com detalhes barrocos na fachada e duas torres cada.

Foto por Patrícia Chemin

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Por dentro, as igrejas são ainda mais impressionantes. A de São Francisco possui, inclusive, belas obras do Mestre Ataíde, como os painéis no forro da sacristia, e de Aleijadinho, como os dois altares principais. É lá também onde está sepultado o próprio Mestre Ataíde. Porém, atualmente, a igreja está fechada para restauro. Já a Casa de Câmara e Cadeia, aberta à visitação, é um sobrado colonial, com escadas e outros elementos em xisto e pedra-sabão. Atualmente é sede da Câmara Municipal de Mariana.

Foto por Patrícia Chemin

Foto por Patrícia Chemin

Continue o passeio pela Rua Dom Silvério, repleta de ateliês e casas que remetem ao Brasil colônia. Visite a Igreja de Nossa Senhora Rainha dos Anjos e continue ladeira acima. O esforço valerá a pena ao chegar ao topo da colina. É o ponto mais alto do centro histórico, o que proporciona uma bela vista dessa parte da cidade. Logo em frente fica a Igreja de São Pedro dos Clérigos, que possui uma arquitetura barroca diferente, já que foi construída com plano em redondo. Destaca-se por seu altar em cedro e seu telhado arredondado.

Foto por Patrícia Chemin

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Uma das principais vias da cidade, a Rua Direita abriga o conjunto arquitetônico mais bem preservado de Mariana, do qual fazem parte a Casa do Barão de Pontal, ex-governador de Minas, a Casa Setecentista e a casa que pertenceu ao poeta Alphonsus de Guimaraens. Em meio aos casarões coloniais e às várias lojas de souvenires e artesanato fica o Atelier e Casa dos Artistas Mestre Ataíde, um espaço para exposições com o objetivo de valorizar a arte local.

Foto por iStock / diegograndi

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Em uma das pontas da Rua Direita está a Praça da Sé, onde foi erguido um dos mais importantes monumentos do patrimônio histórico do Brasil, a Catedral da Sé. É uma das igrejas mais ricas em arte barroca. Além de ter sido trabalhada por José Pereira Arouca e Manoel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, possui peças do Mestre Ataíde e do próprio Aleijadinho. Isso sem contar o órgão Arp Schnitger, o único do tipo existente hoje fora da Europa. Atualmente, a Igreja da Sé está em processo de restauração.

Foto por Patrícia Chemin

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Já na Rua Frei Durão, encontra-se o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, instalado na Casa Capitular. Com um acervo de cerca de duas mil peças em ouro, prata, cedro, jacarandá e pedra-sabão, há obras dos principais artistas barrocos. A poucos metros do museu está a Praça Gomes Freire, mais conhecida pelos moradores como Jardim. É um dos lugares mais agradáveis de Mariana, com suas árvores, lagos, pontes e coreto.

Foto por Patrícia Chemin

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Assim como a Rua Direita, o entorno dessa praça concentra muitas lojas de artesanato, repletas de artigos únicos. Entre as principais peças estão joias em ouro e prata com gemas de várias partes de Minas Gerais, pinturas e esculturas em cedro e todo o tipo de objetos em pedra-sabão. Há caixinhas decoradas, xícaras, pratos, fôrmas de pizza, jogos de dominó e muito mais. Além do centro de Mariana, há muitas dessas peças em pedra-sabão no distrito de Cachoeira do Brumado.

Foto por Patrícia Chemin

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Ao seguir até o fim da Rua Dom Viçoso, referência para moradia das principais famílias da cidade na época colonial, visite o belo Seminário Maior São José, ladeado por grandes palmeiras, e o Museu da Música, dedicado à música sacra. Possui mais de duas mil partituras e faz parte do Programa Memória do Mundo da UNESCO.

Foto por Patrícia Chemin

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Além do centro

Uma das atrações mais imperdíveis da cidade fica fora do centro, no distrito de Passagem de Mariana, no meio do caminho para Ouro Preto. É a Mina da Passagem, a maior mina de ouro aberta à visitação do mundo. Depois de mais de um século de exploração, durante o qual foram extraídas 35 toneladas de ouro, a mina foi desativada, em 1935.

Foto por Patrícia Chemin

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No passeio, que é inteiramente guiado, você desce em um carrinho de mineradores sobre trilhos até 120 metros de profundidade, por um túnel de 350 metros de extensão. Há várias galerias e câmaras, um lago subterrâneo e equipamentos antigos usados na mineração. Os visitantes aprendem sobre a história da mina, as rochas e o processo de extração do ouro. A Mina da Passagem abre todos os dias e o ingresso custa 50 reais. Tem estacionamento no local, além de restaurante, museu e loja.

Foto por Patrícia Chemin

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O que também não pode faltar no roteiro é o passeio no trem turístico Mariana-Ouro Preto, que proporciona as melhores vistas das montanhas, cachoeiras, vegetação e outras belezas dessa região. O trajeto de 18 km que liga as duas cidades dura cerca de uma hora e é voltado mesmo aos turistas, já que o trem vai a 22 km/h e até desacelera nos trechos mais bonitos para que todos possam tirar fotos.

Foto por Patrícia Chemin

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O trem possui um charme de antigamente, todo de madeira por dentro. Você pode optar pelo vagão comum ou pelo panorâmico, um pouco mais caro, que possui ar-condicionado e janelas maiores. Para ter as melhores vistas, sente ao lado esquerdo no sentido Ouro Preto e, no sentido Mariana, ao lado direito. As partidas de Mariana acontecem sextas, sábados, domingos e feriados. A própria Estação de Mariana é uma atração, com biblioteca, espaço museográfico e parquinho feito com material ferroviário reciclado.

As riquezas de Ouro Preto

Poucos minutos de carro separam as vizinhas Mariana e Ouro Preto. Se quiser visitar uma dessas cidades, não deixe de visitar a outra. Ouro Preto é a cidade mais famosa do Circuito do Ouro e, portanto, a mais visitada. Não é à toa que foi denominada Vila Rica por muito tempo. Dezenas de igrejas surgem nos topos das inúmeras ladeiras da cidade, repletas de casarios do século XVII. Com obras de grandes artistas, como Aleijadinho, e uma enorme quantidade de ouro, Ouro Preto possui o maior conjunto arquitetônico barroco do Brasil. A história colonial brasileira passou por cada canto da cidade.

Foto por iStock / filipefrazao

Foto por iStock / filipefrazao

Não deixe de visitar as igrejas de São Francisco de Assis, Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora do Pilar, além do Museu da Inconfidência. Se o interesse for compras, confira as diversas lojas de artesanato e presentes em torno da Praça Tiradentes, onde é possível encontrar de joias a lembrancinhas. Outra ótima opção é a feira de artesanato em pedra-sabão do Largo de Coimbra. Além de patrimônio cultural, Ouro Preto é também uma cidade universitária e, por isso, os barzinhos à noite costumam ser bem animados.

Como chegar

De Belo Horizonte, siga pela MG-356, a Rodovia dos Inconfidentes até Mariana. A partir de São Paulo, percorra toda a Rodovia Fernão Dias e, em BH, siga pela Rodovia dos Inconfidentes. De carro, essa viagem dura cerca de nove horas. Já a partir do Rio de Janeiro, dura cerca de seis horas, pela BR-040, MG-129 e MG-356. O aeroporto mais próximo é o de Confins, a cerca de 150 km de Mariana.

Onde ficar

Avenida Palace Hotel

Pousada Contos de Minas

Pousada Ouro Real

Hotel Providência

Onde comer

Restaurante Lua Cheia – não dá para ir a Minas sem provar uma boa comida mineira. Nesse restaurante por quilo, a oferta de pratos é farta e muitos são servidos em panelas de pedra, típicas da região. Depois de saborear delícias como o feijão tropeiro, peça também o sorvete de queijo com cobertura de goiabada. Rua Dom Viçoso, 58.

Pizzaria Dom Silvério – as pizzas são feitas no forno à lenha em fôrmas de pedra-sabão e cobre, o que deixa a massa com um sabor todo especial e mantém a pizza quentinha por mais tempo. Rua Salomão Ibraim da Silva, 78.

Bistrô Restaurante – o ambiente é agradável e o cardápio, variado: há carnes, massas, pizzas e petiscos, além de uma carta de vinhos. Os pratos são grandes e servem duas pessoas. Rua Salomão Ibraim da Silva, 61.

Mais informações em: mariana.org.br

Texto por: Patrícia Chemin

Foto destaque por: iStock / Uwe-Bergwitz

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