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CIDADE DO CABO: África com jeito de Europa

5 de março de 2015

É inevitável! Quando alguém pensa em realizar uma viagem para a África do Sul, logo vem à mente a visão de um safári em busca dos animais selvagens que habitam as savanas africanas. Afinal, crescemos vendo filmes no cinema e na televisão que tinham como cenário os mistérios e os perigos do continente africano. Mas, se você não tem esse espírito aventureiro e deseja algo mais sofisticado ou se já viveu a experiência de um passeio entre os maiores e mais ferozes exemplares do reino animal, o seu destino no país é a Cidade do Cabo e região.

Conhecida internacionalmente como Cape Town, possui características únicas onde predominam os contrastes culturais, multirraciais e as paisagens que pouco lembram cenários africanos. Cosmopolita e possuidora de uma beleza natural impressionante é considerada um dos dez destinos internacionais mais desejados por turistas do mundo todo. Não à toa é chamada carinhosamente de Mother City – a Cidade Mãe.

O jornalista viajou a convite da Designer Tours e South African Airways e contou com a proteção do seguro-viagem da GTA – Global Travel Assistance


Topo montanha da mesa

A infraestrutura no alto da Montanha da Mesa inclui uma lanchonete, banheiros e lojinha de souveniers, além de trilhas para caminhadas. FOTO: ROBERTO MAIA

Sempre ouvi dizer que é muito parecida com o Rio de Janeiro. Não achei. Talvez digam isso porque ambas são banhadas por praias bonitas e têm uma montanha enfeitando o cenário, no caso a imponente Table Mountain – a Montanha da Mesa. Ela ganhou esse nome porque tem o topo reto, tal como o tampo de uma mesa. Domina o visual da Cidade do Cabo, podendo ser avistadas de todas as partes. E ela fica diferente dependendo do ângulo de observação. Me chamou a atenção um final de tarde com as nuvens baixando sobre ela. Acreditem, parecia uma imensa catarata despejando suas águas sobre a cidade. Incrível!

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CARTÃO POSTAL

Optei por começar o roteiro planejado para a viagem indo até o topo da Montanha da Mesa, que está a pouco mais de mil metros do nível do mar. Queria ver toda a cidade, a região e o oceano Atlântico lá do alto. E valeu à pena.

Para chegar lá toma-se um teleférico que comporta 65 pessoas por vez. Dei sorte. O dia ensolarado estava absurdamente claro, o que permitiu um visual impressionante. Imagino que no inverno o frio deva ser intenso também lá no alto. Na base do teleférico um cartaz informa que em dias de tempo fechado e com ventos fortes a visitação é suspensa. Não há muito o que fazer lá em cima além de observar a paisagem e tirar muitas fotos e selfies. Uma hora é o suficiente. Há algumas trilhas para caminhadas, uma lanchonete, banheiros e uma lojinha de souvenires. O preço para subir é 225 rands. O teleférico – envidraçado e giratório – começa a funcionar às 8 horas e o último horário para descer é 21 horas.

Se estiver com tempo e com um bom condicionamento físico existe a possibilidade de subir de teleférico e descer a pé, ou o contrário. Ou, ainda, subir e descer a pé. Quem tem espírito aventureiro e aprecia os esportes radicais tem a opção de descer a montanha de rapel. Lá do alto chama a atenção a arena que sediou jogos da Copa do Mundo de 2010 – onde o Brasil foi eliminado pela Holanda – e a Ilha Robben. O estádio, que lembra uma onda com seu formato sinuoso e cobertura de fibra de vidro, é cercado por um grande parque à beira mar, o Green Point. Realmente ele é muito bonito. O que não dá para acreditar é que a construção que teve custo superior a R$ 1 bilhão passa a maior parte do ano às moscas e acumulando prejuízo. As equipes de futebol da cidade – o Ajax Cape Town e o Santos – não atraem grandes públicos e evitam alugar a arena. O rúgbi é o esporte favorito dos sul-africanos e o time local tem o seu próprio estádio, o Newlands. Sobra para a moderna arena receber jogos amistosos da seleção da África do Sul e shows de bandas como U2, Coldplay e Red Hot Chili Peppers. A Ilha Robben, distante cerca de 40 minutos de barco da Cidade do Cabo, é onde Nelson Mandela cumpriu 18 anos de prisão – de uma pena de 27. E esse é o motivo principal do passeio. A ilha de 5 quilômetros quadrados serviu como exílio de leprosos até 1931, ano em que foi descoberta a vacina contra a doença.

Table moutain view

O cenário visto do alto da Montanha da Mesa revela todo o esplendor da Cidade do Cabo, incluindo a arena que sediou jogos da Copa do Mundo de 2010 e a Ilha Robben. FOTO: THINKSTOCK / DEJI_FISHER

Em 1960, virou prisão de segurança máxima e passou a receber presos políticos. O presidio hoje é um museu e a visitação ao seu interior é acompanhada por guias que foram ex-presidiários no local. Ninguém melhor do que eles para contar aos turistas sobre o dia a dia no cárcere. O ponto
alto da visita, claro, é a cela de Mandela.

Por causa da proximidade, foi na Cidade do Cabo que Mandela fez o seu primeiro discurso público horas depois de ser libertado, no dia 11 de fevereiro de 1990. Quatro anos depois, o principal líder na luta contra o apartheid foi eleito presidente da África do Sul nas primeiras eleições livres do país.

VitorinaoESTILO VITORIANO

Não é necessário muito tempo na cidade para perceber os diversos estilos de construção. As marcas dos dominadores portugueses, holandeses e britânicos que passaram por lá estão por todas as partes. As diferenças arquitetônicas convivem de forma harmoniosa no centro da cidade. Salta aos olhos, porém, as construções em estilo vitoriano – com varandas em ferro forjado –, herança do período das colonizações holandesa e inglesa. A principal marca holandesa é o Castelo da Boa Esperança, uma fortaleza construída no século 17 para a proteção dos seus domínios. Em 1936, foi declarado como monumento nacional por ser o mais antigo edifício colonial no país.

Comece o giro exploratório pela Long Street, a principal, maior e mais agitada rua da cidade. Ao longo dos seus 3,8 km de comprimento estão muitos hotéis, pousadas, cafés, bares, restaurantes, lojas, antiquários, livrarias, galerias de arte e comércio de produtos naturais. Como não poderia ser diferente, muitos dos imóveis possuem estilo vitoriano e com fachadas pintadas em cores fortes ou grafite. À noite, ela se transforma. Os bares ficam apinhados de gente e vários são os que oferecem música ao vivo. Entre os restaurantes há de tudo um pouco. Dá para escolher entre a típica comida africana até as especialidades italianas, indianas ou os inevitáveis hambúrgueres. É bom lembrar que os restaurantes fecham cedo para os padrões brasileiros.

 Como uma paradinha para as compras é necessária, a melhor opção está bem no centro da cidade, o Green Market Square. Mercado de rua com muitas barracas espalhadas em uma grande praça é muito apreciado pelos turistas. Não oferece muita infraestrutura mas é um bom lugar para se comprar artesanatos e outras lembrancinhas típicas. E tem os melhores preços também. Mas não deixe de pechinchar. Tal como em qualquer outro centro comercial que atrai muitos turistas, a tendência é que os vendedores coloquem preços maiores para poderem oferecer descontos. Quem está acostumado a viajar sabe muito bem como funciona. Portanto, não se intimide e negocie muito antes de concordar com o valor pedido. Certamente fará bons negócios.

A Cidade do Cabo também tem o seu Woodstock. Trata-se de um antigo bairro que leva o nome do lendário festival realizado em 1969, nos Estados Unidos, e que celebrou a paz, o amor e o rock’n’roll. Abandonado e decadente por muito tempo, ganhou ares cool e artístico após processo de revitalização que levou muitos artistas e jovens chefs de cozinha para o lugar. É, atualmente, considerado um oásis de criatividade na cidade. Boa opção de passeio principalmente nas manhas de sábados, quando acontece o Neighbourgoods Market, tipo de feirinha realizado em um velho galpão.

Outro bairro interessante e multicultural é o Bo Kaap. O que mais chama a atenção no lugar são os tons vibrantes das fachadas das casas. Com predominância de muçulmanos era o local onde ficavam os escravos malaios e indonésios antes da abolição. Os moradores do bairro são chamados de Cape Malyh e na casa mais antiga hoje funciona um museu que retrata a vida cultural islâmica. O templo religioso mais importante da Cidade do Cabo é a Catedral de São Jorge – St George’s Cathedral. Imponente e em estilo gótico tem pé direito alto e enormes vitrais coloridos. Dentro dela, em um local chamado The Crypt funciona um restaurante e uma exposição com fotos da época do apartheid.

V&A WATERFRONT – ONDE TUDO ACONTECE

Durante a estadia na Cidade do Cabo um passeio é inevitável, o Victoria & Albert Waterfront. Dedicado ao príncipe Albert e a rainha Vitória e completamente revitalizado para a Copa de 2010, o lugar é irresistível e oferece muitas opções. Antigas docas transformadas em um charmoso centro comercial e cultural, está localizado ao lado de uma marina. Chama a atenção a roda-gigante e o antigo relógio vitoriano de estilo gótico. O complexo inclui um shopping center com mais de 300 lojas, hotéis e muitos restaurantes. Os barcos para a Ilha Robben também partem dali. É o principal ponto de encontro na cidade e é comum os leões marinhos chegarem bem próximos da festa. Também abriga um grande aquário com muitos exemplares da vida marinha sul-africana.

waterfront

Quem gosta de praia estará bem servido na região da Península do Cabo. A praia mais próxima do centro da cidade é Sea Point, repleta de bares, cafés, restaurantes e centros comerciais. A faixa de areia não é grande, o mar é aberto e as águas são agitadas. Apesar disso, recebe muita gente para caminhar no grande calçadão, praticar esportes e levar as crianças para brincar no gramado. Ótimo local para curtir o pôr do sol.

A mais badalada é a Camps Bay. É também uma das mais bonitas. O cenário a partir da praia enquadra as montanhas Twelve Apostles – Doze Apóstolos – e a Lion’s Head – Cabeça de Leão. Seus muito bares e restaurantes tornam o lugar um ponto de encontro nas happy hour durante o verão. Victoria Road, a rua principal, reúne bons restaurantes, lojas, hotéis e casas e condomínios cinematográficos.

conjunto

FOTO: DIVULGAÇÃO/SOUTH AFRICAN TOURISM / ROBERTO MAIA

Não muito distante está Clifton Beach, a praia mais frequentada pelos ricos e famosos da cidade. Na sua orla estão alguns dos imóveis mais caros da África do Sul. O ponto negativo é que a água é bastante fria – inclusive no verão – e poucos são os corajosos que se arriscam a entrar no mar. Quando a maré sobe algumas piscinas naturais se formam. Ela é dividida em quatro partes: Clifton 1, 2, 3 e 4. A primeira é mais tranquila, a segunda recebe mais famílias, a terceira é preferida dos gays e a quarta é a mais badalada e frequentada por jovens. Para acessar as praias é necessário descer escadarias íngremes e estreitas entre mansões.

No subúrbio está a Muizenberg Beach, considerada o berço do surfe na África do Sul. Localizada na False Bay – Baia Falsa – e banhada pelo Oceano Índico, é uma das mais bonitas da Península do Cabo e tem um jeitão de vila de pescadores. Ao longo da sua orla estão charmosas casinhas coloridas que são a marca do lugar. Elas servem para que os banhistas possam trocar de roupas e guardar pertences. Há diversas opções de cafés, bares, sorveterias e lojas. Mas, atenção, fique esperto quanto aos avisos de tubarões. Às vezes alguns tubarões brancos aparecem na área para curtir as águas mornas e calmas. No alto da montanha, observadores ficam atentos ao mar para detectar a presença indesejada e dar o alerta. Fique bem ligado!

CampsBay

Camps Bay, a mais badalada praia da cidade é ornamentada pelas montanhas Doze Apóstolos e Cabeça de Leão. FOTO: DIVULGAÇÃO/SOUTH AFRICAN TOURISM

já seriam o suficiente para encantar qualquer turista em Boulders Beach. Vizinha à vila de Simon’s Town e escondida entre rochedos, essa praia é o lar de uma colônia de pinguins africanos. Sim, pinguins também gostam de calor e vivem nessa praia desde a década de 1980. O grupo da estranha ave é estimado em cerca de 3 mil e o número continua crescendo rapidamente, pois o local oferece as condições ideais para a procriação e sobrevivência da espécie. É necessário pagar ingresso para vê-los desde uma passarela. Felizmente para os pinguins também proibido entrar na praia e nadar com eles. Acostumados com a presença de turistas, as desengonçadas aves dão verdadeiros shows. Prepare-se para tirar muitas fotos. O Table Mountain National Park é o responsável pela manutenção e preservação do lugar. Na praia ao lado – Foxy Beach – há calçadões de onde também é possível observar o bando de pinguins.

Pinguins

1980, um casal de pinguins de espécie ameaçada de extinção foi levado para a paradisíaca Praia de Bolders Beach. Eles gostaram tanto das águas verde-esmeralda e areias brancas do lugar que hoje a colônia conta com mais de 3 mil aves. FOTO: ROBERTO MAIA

Hout Bay está no caminho para o Cabo da Boa Esperança e sua praia é bastante frequentada durante o verão. Tem um pequeno centro comercial com restaurantes e lojas, além de um píer. É a preferida dos pescadores de lagosta e atum. Para chegar até ela é preciso percorrer a Chapman’s Peak Drive, uma rodovia que não deixa de ser uma atração à parte. Com pouco mais de 8 km ela é estreita, sinuosa e passa à beira de abismos ao redor das montanhas. Tome cuidado e não deixe de parar nos mirantes ao longo do caminho, o visual é incrível.

Outras opções interessantes são Sandy Bay e Llandudno. A primeira é ideal para quem busca sol e mar em completa liberdade. Sandy Bay é a única praia de nudismo da cidade. Já Llandudno, cercada pelos imóveis mais valorizados da região, é outro concorrido ponto de encontro de surfistas.

CUIDADO, MACACOS NA ESTRADA!

O caminho que leva ao Cape Point e ao Cabo da Boa Esperança, dois dos principais pontos de atração da região, é muito bonito e tem uma peculiaridade especial. Ao longo da estrada, várias placas alertam para a presença de babuínos – grandes macacos que andam tanto no solo como nas árvores e são encontrados em abundância na região. Animais inteligentes e barulhentos são muitas vezes ferozes. A proximidade com os seres humanos faz com que eles busquem alimentos. Não alimente os babuínos em hipótese alguma. E nem deixe os vidros do carro abertos para tirar fotografias ou filmar. Eles certamente irão tentar pegar a câmera e/ou celular e até entrar dentro do veículo em busca de comida. Não esqueça que eles são animais selvagens. Seus dentes incisivos são enormes e seus membros muito fortes. Os machos podem pesar até 40 quilos e chegar a mais de um metro de altura. E eles surgem em grandes grupos invadindo a estrada, rodeando e subindo nos carros.

Após se desvencilhar dos macacos o destino é o mítico Cabo da Boa Esperança, em Cape Point, no extremo sul do continente. Impossível não lembrar
das aulas de geografia e história durante o ensino básico. Pesadelo dos exploradores, era chamado de Cabo das Tormentas por causa das condições climáticas ruins do lugar e dos perigos escondidos naquele pedaço de mar. Foi o navegador português Bartolomeu Dias – lembram dele? – o primeiro a conseguir passar por ele sem afundar em 1488. Antes dele muitos tentaram e naufragaram. Naquela época, os navegadores utilizavam as montanhas
como pontos de referência durante o dia. Mas os problemas aconteciam à noite, quando nevoeiros, os ventos fortes e as tempestades jogavam os navios contra as muitas rochas do lugar.

Cabo da boa esperaçcanDez anos depois, Vasco da Gama – outro velho conhecido dos livros de história – repetiu a façanha de Bartolomeu Dias e inaugurou uma nova rota comercial entre a Europa e a costa da África, Índia e extremo oriente. A partir de então o cabo amaldiçoado virou símbolo de boa esperança. O Cabo da Boa Esperança e Cape Point hoje estão dentro de uma reserva natural administrada pelo Table Mountain National Park. A região é considerada Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco e guarda centenas de espécies de plantas e animais, além de praias intocadas e grandes falésias. A placa que indica a localização exata do Cabo da Boa Esperança está na areia da praia e cercada por muitas pedras.

A outra atração do lugar é o velho farol em Cape Point, construído em 1859, a 249 metros acima do nível do mar, quase no ponto extremo da península. Em 1914, um novo farol foi construído no local e é considerado o mais poderoso da costa sul-africana. Chega-se ao antigo farol através de
um funicular, o Flying Detchman, ou caminhando por trilhas que levam ao alto da montanha. Mais confortável e rápido, o funicular transporta os visitantes num trajeto de 585 metros em apenas 3 minutos. A estação inferior está localizada junto a um estacionamento, um ótimo restaurante e também uma loja de souvenires. Chegando até o farol o visual da região da Península do Cabo é fantástico. No local uma placa indica a distância das principais cidades do planeta, incluindo o Rio de Janeiro. Mirantes à beira de abismos convidam para muitas fotos.

SAFÁRI PELOS VINHEDOS

Não é de hoje que muita gente vai à Cidade do Cabo com outras intenções além de conhecer os principais atrativos turísticos. A qualidade dos vinhedos dos arredores é conhecida internacionalmente. Suas uvas especiais são transformadas em premiados vinhos e os passeios para conhecer e degustar os principais rótulos ganham cada vez mais adeptos. Concentre suas visitas ao Valle de Franschhoek e Stellenbosch e não irá se arrepender. A região é conhecida como Cape Winelands – Vinhedos do Cabo – e conta com mais de 400 vinícolas, pequenos hotéis e maravilhosos restaurantes.

O vinho sul-africano ganhou fama graças a um tipo de uva híbrida local, a Pinotage. Única autenticamente nativa do país, nasceu do cruzamento de duas uvas clássicas francesas: a Pinot (de Pinot Noir) e a Hermitage (apelido sul-africano da Cinsault). Essa uva de casca grossa amadurecem mais rápido por causa do calor do solo. Trata-se de um vinho de difícil produção, mas que resulta em uma bebida especial e diferente.

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O trem turístico Wine Tran leva aos bons vinhedos de Franschhoek. FOTO: ROBERTO MAIA

Franschhoek, que em africâner significa “esquina francesa”, é conhecida pelos vinhedos e também pela gastronomia requintada. Há vários e ótimos restaurante em sua rua principal. A tradição vinícola vem desde 1688, quando os holandeses trouxeram alguns franceses para produzirem vinho na região. A grande atração dos vinhedos são as sessões de degustações que podem ou não serem acompanhadas de refeições completas e harmonizadas pelos vinhos produzidos no local. Em geral, as degustações incluem quatro vinhos diferentes em doses generosas.

A melhor maneira para chegar a alguns vinhedos da cidade é utilizar o Wine Tran, um trem turístico – na verdade um velho e charmoso bonde. O preço da passagem é 200 rands. Uma das paradas é no wine estate Grande Provence, que há 35 anos produz dez tipos de vinhos. O espaço interno de degustação é elegante e requintado. O balcão é cercado de bancos de design futurista. No verão, prefira uma mesa no jardim ornamentado por várias esculturas. Para acompanhar a degustação peça pão e azeite de oliva, não tem erro.

Outra vinícola importante da região é a Creation Wines, que produz 15 tipos de vinhos. Oferece degustação grátis diariamente das 10h às 17h. Não dispõe de hospedagem e o restaurante abriga confortavelmente 60 pessoas. Um dos segredos do sucesso do vinho produzido por lá são as parreiras plantadas a 300 metros acima do nível do mar, onde as temperaturas são mais baixas. Recomendamos a degustação de três tipos de vinhos: Pinot Noir – reserva 2013; Reserve Pinot Noir; e o Art Creatin Pinot Noir, o melhor produzido pela Creation.

Algumas vinícolas de Franchhoek realizam passeios de bicicletas para que os visitantes possam conhecer toda a propriedade, incluindo as parreiras e a área de produção. Durante o tour, os adultos podem experimentar o vinho produzido no local, enquanto as crianças se divertem saboreando e aprendendo como se produz chocolate. No final do passeio toda a família se delicia com um almoço especial.

Outras vinícolas que também produzem marcas de excelente qualidade estão em Stellenbosch, a segunda cidade mais antiga da África do Sul. Fundada em 1679 pelos holandeses, está localizada às margens do Rio Eerste e distante apenas 40 minutos do centro da Cidade do Cabo. Com pouco mais de 100 mil habitantes é conhecida por ter uma importante universidade, a Stellenbosch University. Além dos vinhedos, uma atração que merece visita é o Museu da Vila. Instalado em uma área de 5 mil metros quadrados, tem casas construídas entre 1709 e 1850 e que mostram como era a vida naquela época.

Na cidade, a rota de degustações deve passar necessariamente pela Spier, uma das mais antigas quintas de vinho da região. Produzindo desde 1692, possui antigas construções, jardins que se estendem até a margem do rio, uma loja de vinhos e um restaurante. São oferecidas diferentes provas de vinhos e possibilidades de harmonização. Uma delas mistura vinhos com chocolates. Saborosa e curiosa. Por 65 rands você irá provar seis diferentes vinhos com três tipos de chocolates, sendo um deles com pimenta produzido especialmente para a casa.

A quinta também tem uma outra interessante atração além dos vinhos. É a Eagle Encounters, uma área utilizada como centro de reabilitação de aves de rapina que foram feridas, envenenadas, ou criadas em cativeiro de forma errada. Elas são tratadas adequadamente e quando são consideradas saudáveis e em condições de caçar e procriar novamente são soltas na natureza. Somente as aves que sempre foram criadas em cativeiro são mantidas para fins educacionais. Segundo os tratadores, elas não sobreviveriam, pois nunca aprenderam a caçar e nem buscar o próprio alimento. Um espetáculo para adultos e crianças que podem interagir com corujas e segurar uma águia no braço. A diversão fica completa com outros animais que dividem o espaço, tais como um simpático porco-espinho, alguns camaleões, coelhos e até cobras. Uma apresentação com falcões adestrados é o ponto alto do passeio.

Rabo baleia

O litoral sul de Western Cape recebe a visita de muitas baleias francas-austrais. FOTO: THINKSTOCK / OVERSNAP

DIVERSIDADE DE ATRAÇÕES

Uma viagem à Cidade do Cabo oferece, ainda, muitas outras alternativas de passeios e entretenimento. Algumas são muito interessantes e valem à pena. É o caso de Hermanus, uma pequena cidade no litoral sul de Western Cape, com belas praias e falésias, excelentes restaurantes, vinícolas e luxuosos hotéis. Distante 120 km da Cidade do Cabo, recebe muitos visitantes por causa das baleias francas-austrais e golfinhos que costumam frequentar a Walker Bay. As baleias costumam chegar da Antártica em junho e permanecem até novembro nas águas quentes da costa sul-africana. E nem é necessário navegar para vê-los. Basta se posicionar na trilha pavimentada que contorna o litoral e sentar nos muitos bancos espalhados no alto de um penhasco e aguardar.

Várias placas dão explicações sobre as baleias. Para comemorar a presenças dos mamíferos de 60 toneladas, em setembro, a cidade realiza o Hermanus Whale Festival. Durante o verão, por volta das 19h30, outra atração é o espetáculo do pôr do sol. É só sentar e apreciar. Ao lado de Hermanus está uma vila de pescadores onde a principal atração são os tubarões-brancos. Gansbaai é considerada a capital mundial dos tubarões-brancos e o motivo é a grande colônia de focas existente por lá, nas proximidades de Dyer Island. Para quem tem espírito aventureiro a pedida é praticar o Shark Diving, o mergulho na gaiola com os tubarões. Os barcos partem por volta das 9 horas da manhã e em 30 minutos chegam ao local do mergulho. O mar costuma ser agitado com grande ondas e náuseas e enjoos são bastante frequentes entre os participantes. Iscas são lançadas para atrair os animais e as gaiolas são baixadas para dentro d’água. Depois é só vestir a roupa e o equipamento de mergulho, criar coragem e entrar para apreciar os ferozes tubarões. Quem fez garante que trata-se de uma aventura incrível.

Mas se preferir algo muito mais tranquilo, a opção é um passeio no Jardim Botânico Kirstenbosch, distante cerca de 13 km do centro da Cidade do Cabo. Com mais de 7 mil espécies nativas da África do Sul é considerado por especialistas como sendo um dos mais completos do mundo. Administrado pela iniciativa privada, oferece grandes áreas bem conservadas que a população local utiliza para piqueniques. Se preferir há um bom café e um restaurante no local. Há uma exposição permanente de esculturas de pedra do Zimbábue e shows musicais e concertos todos os domingos durante os meses de verão. Ótimo lugar para relaxar e fazer caminhadas. Uma das trilhas – a Skeleton Gorge – sobe o desfiladeiro até o alto da Montanha da Mesa.

Cidade do Cabo

Hermanus recebe anualmente em setembro, milhares de visitantes para comemorar o retorno das baleias às águas da Baía de Walker. FOTO: DIVULGAÇÃO

Para conhecer melhor a história do país o melhor lugar é uma visita ao Museu da África do Sul, localizado junto ao The Company’s Garden, região central da Cidade do Cabo. No local também funciona um planetário. Outro museu que vale uma visita é o do Distrito Seis – District Six. Inaugurado em 1994, ele relembra fatos ocorridos durante o período de segregação racial, o apartheid. Em 1966, o bairro boêmio, que reunia indianos, negros, muçulmanos e brancos, foi declarado como “zona branca”. Na década de 1970 teve suas casas demolidas para forçar a separação racial. Cerca de 60 mil pessoas perderam suas propriedades e pertences. Tudo é mostrado através de painéis, fotos e objetos da época.

Cidade do Cabo

O mergulho na gaiola com os tubarões-brancos – Shark Diving – é a principal atração em Gansbaai. FOTO: GANSBAAISHARKCAGEDIVING.COM

Enfim, uma viagem à Cidade do Cabo pode ter múltiplas possibilidades, atendendo os mais diversos perfis de turistas. De história a natureza tudo pode ser vivenciado das mais diferentes maneiras. Seja para conhecer os caminhos do sofrimento e da glória de Nelson Mandela ou apenas para saborear bons vinhos e uma gastronomia requintada. Não importa o motivo. Desfrute!


Para quando você for a Cidade do Cabo

IDIOMA  – Inglês e Africâner são os idiomas mais falados. Também são considerados oficiais os dialetos Ndebele, Northern Sotho, Southern Sotho, Swazi, Tsonga, Tswana, Venda, Xhosa e Zulu.

MOEDA – Rand Sul-Africano (R). US$ 1 vale cerca de 8 Rands.

FUSO HORÁRIO – Mais cinco horas em relação ao horário de Brasília.

VISTO – Não é necessário para turistas brasileiros com permanência de até três meses.

CLIMA – Por estar abaixo da linha do Equador, a África do Sul tem estações do ano similares às do Brasil. O verão é entre novembro e março, com o pico nos meses de dezembro e janeiro. O inverno é entre maio e agosto. A média mínima no inverno é de 7 graus; no verão, a média máxima é de 27 graus.

VACINA – É obrigatória a vacinação contra a febre amarela, que deve ser tomada no mínimo dez dias antes da viagem. É preciso apresentar Certificado Internacional de Vacina da Febre Amarela.

TELEFONAR PARA O BRASIL – Para fazer chamadas a cobrar utilize o serviço Brasil Direto da Embratel: 0800 990 055.

CONSULADO DA ÁFRICA DO SUL EM SÃO PAULO:
Avenida Paulista, 1754 – 12o andar – Cerqueira César. O horário de atendimento ao público é de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h. Tels. (11) 3285-0433 e (11) 3265-0449.

CONSULADOS DO BRASIL NA CIDADE DO CABO:
22 Riebeek Street, Triangle House – 21st Floor – tels. (27) 21 421-4040/1/2 ou 0820778496 (para ligações locais de emergência). Informações: capetown.itamaraty.gov.br/pt-br

COMPRAS – A melhor opção para fazer compras é o shopping center do Victoria & Alfred Waterfront. Entre as lojas estão grifes como Louis Vuitton, J. Crew, Tommy Hilfiger, Zara, Adidas, Burberry, Diesel, Emporio Armani, Fossil, L´Occitane, Mango, entre outras. Abre diariamente das 9h às 21h. Informações: www.waterfront.co.za

DICA – Os turistas estrangeiros podem ter o imposto sobre circulação de mercadorias (VAT) restituído se o valor dos itens comprados exceder R250. É necessário apresentar no aeroporto a nota fiscal, o formulário de controle de reembolso do VAT, o passaporte e o item comprado. Informações: South African Revenue Service – [email protected]

TRANSPORTE – Diferentemente de muitas outras cidades do mundo, o táxi é a forma mais convenientes e acessível para circular pela Cidade do Cabo. Os ônibus são baratos e servem para chegar a algumas das atrações turísticas principais. Há, também, uma boa malha de trens, mas são pouco utilizadas por turistas. Se for alugar um carro não esqueça que na África do Sul a direção é no lado direito. Portanto, tome bastante cuidado até se adaptar. O limite de velocidade nas auto estradas é de 120 km/h; 100 km/h nas estradas secundárias; e entre 60 km/h e 80 km/h nas cidades.

CUIDADO:

  • O limites alfandegário na África do Sul é de R500 em mercadorias. Não ultrapasse o limite de 400 cigarros, 255 gramas de tabaco, 50 charutos, 1 litro de bebida alcoólica, 2 litros de vinho, 300 ml de perfume e 1,5 litro de água de colônia.
  • É permitido entrar no país com armas de fogo para fins de caça, porém com uma licença temporária para o período da caçada. Deve-se entrar em contato com a companhia aérea, no mínimo três semanas antes da partida, para obter maiores detalhes.
  • A maioria dos cartões de crédito são aceitos. Porém, o uso pode ser um pouco restrito em vilarejos e áreas não urbanas. Combustível não pode ser pago com cartão de crédito e para isso existe um cartão especial de combustível (Petrol Card) ou então o pagamento em dinheiro.
  • Na África do Sul é seguro beber água da torneira, a menos que exista avisos alertando da ingestão.

 


O QUE COMER – O gastronomia sul-africana é bastante aromática, saborosa e apimentada. Entre os pratos disponíveis nos cardápios irá encontrar as samosas, um tipo de pastelzinho com casquinha crocante; sopa de abóbora com gengibre; cordeiro com molho de tomate; frango com abóbora; e lentilhas com curry. E, na sobremesa, o tradicional pudim malva. Há muitas e boas alternativas na cidade. Não deixe de almoçar em um dos restaurantes das vinícolas – todos são excelentes. Entre os pratos, peça peixes – experimente pedir o Kingklip – e frutos do mar. Se preferir carnes, há exóticas como avestruz, búfalo e antílope (kudo). O preço médio do almoço – incluindo o vinho – é de R315 por pessoa. Confira algumas boas opções da chamada “Rota Gourmet”:

Cidade do Cabo:

Hermanus

Stellenbosch

  • The Terrace – Instalado em um edifício de 1815, oferece jantares com degustação de vinhos de produção própria – www.lanzerac.co.za/terrace-rb

 

ONDE FICAR – A cidade dispões de vasta rede hoteleira com estabelecimentos para todos ostipos de viagens. Confira algumas boas opções:

Cidade do Cabo:

  • Radisson Blu Waterfront  – Opção para quem não abre mão de conforto e vista privilegiada do Oceano Atlântico e da Montanha da Mesa –  www.radisssonblu.com/hotel-capetown
  • Cape Grace – Estrategicamente ao lado do V&A Waterfront e a 25 minutos do aeroporto. Possui uma coleção com 532 garrafas de uísques de diversas partes do mundo – www.capegrace.com

Franschhoek:

Hermanus:

Stellenbosch:

Lanzerac Hotel & Spa – Instalado em uma propriedade de 1692, possui um dos vinhedos mais antigos da cidade. Tem um spa, área de eventos e oferece degustação de cinco tipos de vinhos e chocolates – www.lanzerac.co.za


COMO CHEGAR – A South African Airways (SAA) tem voos diários entre São Paulo e Joannesburgo. A conexão para a Cidade do Cabo no Aeroporto Internacional Oliver Reginald Tambo não ultrapassa três horas. A duração total da viagem é de cerca de 14 horas. O Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo é o segundo mais importante da África do Sul. Informações: www.flysaa.com


ATRAÇÕES TURÍSTICAS:


 

PACOTES TURÍSTICOS:


INFORMAÇÕES TURÍSTICAS:

www.capetown.travel
www.stellenbosch.travel
www.southafrica.net
www.exploreafricadosul.com.br

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