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Viagens controversas: lugares que tiveram passados sinistros

21 de março de 2019

À primeira vista, não há nada incomum no edifício número 15 da Rua Salzburger Vorstadt, uma das principais de Braunau am Inn, na fronteira entre a Áustria e a Alemanha (a 284 km de Viena e 639 km de Berlim). No entanto, olhando a mensagem esculpida em alemão sobre a pedra ao lado da porta, se acessa outra dimensão: as palavras que lembram as milhares de vítimas do nazi-fascismo na Europa na metade do século XX fazem referência ao passado do prédio – foi ali que nasceu Adolf Hitler, em 1889.

Braunau am Inn, Áustria

O local é visitado anualmente por grupos neonazistas durante o aniversário do ex-líder da Alemanha e, quando o governo austríaco anunciou o plano de demoli-lo, em 2016 – adquirindo o imóvel por cerca de R$ 1 milhão –, recebeu críticas de alguns setores minoritários das sociedades austríaca e alemã. O próprio dono anterior da propriedade, Gerlinde Pommer, denunciou as intenções das autoridades à Justiça.

Em fevereiro, uma das cortes austríacas ordenou o governo a pagar R$ 6,5 milhões a mais a Pommer pela venda, em uma decisão que mencionava a relevância histórica do prédio. Ele é apenas um dos exemplos de lugares turísticos polêmicos inclusos em pacotes de viagens e que também lembram episódios sinistros da história.

Predappio, Itália

Foto por iStock / font83

Foto por iStock / font83

Assim como os neonazistas lembram o nascimento de Hitler na casa de Braunau am Inn, o líder fascista italiano Benito Mussolini também recebe homenagens desse tipo. Todos os anos, dezenas de milhares de pessoas vão em períodos diferentes ao pequeno povoado de Predappio, em Cesena (324 km de Roma), onde ele nasceu, em julho de 1883, para visitar o mausoléu onde está o seu corpo, no cemitério de San Cassiano.

Os simpatizantes de Mussolini comemoram não apenas o aniversário dele, mas também a data em que ele morreu linchado por uma multidão, em abril de 1945, e a Marcha Sobre Roma, que aconteceu durante os dias 27 e 29 de outubro de 1922, e que significou a ascensão do fascismo na Itália. Ao contrário da Alemanha, onde existem leis rígidas sobre o legado do nazismo, os italianos têm uma relação mais permissiva com o passado de Mussolini.

Gori, Geórgia

Outro líder polêmico também possui um lugar turístico em seu país: o soviético Josef Stalin, na Geórgia, antigo território da URSS. O cadáver do homem cujo governo foi condenado por controlar uma repressão massiva e por promover milhares de execuções, uma limpeza étnica e gerar um período de fome que durou décadas e matou milhares de pessoas agora descansa em uma tumba discreta ao lado de um dos muros do Kremlin, na capital russa. No entanto, no local onde ele nasceu, em Gori, na Geórgia, a 88 km da capital, Tbilisi, seu legado não passa despercebido.

Na cidade há um museu dedicado a ele ao lado da casa onde nasceu, em 1878, cuja avenida chama-se Stalin (o parque em frente ao prédio também é batizado com o seu nome). O local é, na verdade, um santuário dedicado ao líder que supervisionou a invasão sangrenta do Exército Vermelho ao seu país de nascimento, em 1921, quando ainda era da alta patente das forças armadas soviéticas.

Tikrit, Iraque

Algo semelhante aconteceu com o iraquiano Saddam Hussein, em Tikrit, no Iraque: morto em 2006, três anos depois de sua captura, ele foi enterrado em sua cidade natal, a 174 km de Bagdá. O mausoléu em que foi colocado parecia estar protegido dos ataques dos seus oponentes, já que o município abriga uma minoria sunita dentro de um país de maioria xiita.

Em 2015, no entanto, uma reportagem do jornal The Guardian mostrou que a tumba de Saddam tinha sido destruída durante um combate entre forças militares iraquianas, milícias xiitas e tropas do Estado Islâmico (ISIS). Na época, os moradores locais contaram que o cadáver do ex-líder do país já não estava mais lá – tinha sido retirado antes da chegada do ISIS.

Medellín, Colômbia

Foto por iStock / SPQR_M

Foto por iStock / SPQR_M

Na Colômbia, a jornalista Cynthia De Simone publicou uma reportagem no jornal Perfil sobre o “Pablo Escobar Tour”, organizado por uma agência de viagens local que conta a história do narcotraficante morto em 1993. Entre os lugares visitados, o prédio em que Escobar viveu no final dos anos 1980 até ser bombardeado por cartéis rivais, a igreja onde os seus sicários pediam proteção e, claro, a casa cujo telhado serviu de palco para sua morte, no bairro de Los Olivos.

O tour é organizado por Carlos Palau, um ex-policial que, nos anos 1990, pediu para ser transferido de Bogotá a Medellín para vingar a morte de seus companheiros mortos em missões contra os narcotraficantes. À época, a capital de Antioquia era conhecida mundialmente não apenas por ser a cidade onde vivia Pablo Escobar, mas pela violência descontrolada causada pela venda de entorpecentes: a partir de 1988, as taxas de homicídio começaram a crescer significativamente no município até atingirem o ápice em 1991, quando eram de 750 pessoas para cada 100 mil habitantes. Os números só voltaram a diminuir no começo do século XXI – hoje, a taxa está em 50 homicídios para cada 100 mil habitantes.

Palau, que também é guia do seu próprio roteiro, incluiu recentemente paradas sobre El Catedral, a penitenciária que Escobar construiu para ele mesmo nos anos 1980 tentando evitar sua extradição aos Estados Unidos, e a tumba onde ele está enterrado, no cemitério Montesacro – um dos destinos turísticos famosos de Medellín.

Ele percebeu o crescimento da demanda por seu tour em 2015, quando a série Narcos, produzida pela Netflix e filmada em Medellín, passou a fazer sucesso nos Estados Unidos e na Europa. “Começou a chegar gente de todo lado aqui e, da mesma forma, aumentaram as agências interessadas no narcoturismo”, contou. Se fez a felicidade de uns, trouxe dor de cabeça para outros: as autoridades colombianas, por exemplo, não gostaram da intensificação desse tipo de turismo e, em alguns casos, criticaram diretamente seus motivadores.

Texto por: Agência com edição

Foto destaque por: iStock / Sohadiszno

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