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Jalapão: o tesouro natural no coração do Brasil

29 de agosto de 2025

No leste do Tocantins, o Jalapão reserva experiências únicas. Entre fervedouros cristalinos, dunas douradas, cachoeiras, cânions, serras e planícies do Cerrado, há uma infinidade de paisagens que ficam para sempre na memória.

Foto por Patrícia Chemin

Uma expedição pelo Jalapão inclui longos períodos dentro de um 4×4 em estradas de terra batida, muito sol e calor. Mas o que fica mesmo na memória são as paisagens e as sensações que cada lugar desperta. Sentir as areias douradas sob os pés ao caminhar por dunas enormes em pleno Cerrado, sentir a água te empurrando para cima ao mergulhar nos fervedouros, sentir a natureza tão próxima em um local ainda pouco invadido pelo homem.

Para entender o Jalapão é preciso saber que essa região, localizada no leste do Tocantins, é enorme. Ela compreende cerca de 34 mil km² (área maior que os estados de Sergipe e de Alagoas) e um total de oito cidades, todas com áreas urbanas bem pequenas, para além dos contornos do Parque Estadual do Jalapão. Santa Tereza do Tocantins é a mais próxima de Palmas (em torno de 70 km de distância), mas os municípios que concentram a maior parte dos atrativos são Ponte Alta do Tocantins, Mateiros (a capital do Jalapão) e São Félix do Tocantins.

Foto por Patrícia Chemin

Não há uma paisagem específica para definir o destino, mas sim uma variedade delas. Dunas douradas, fervedouros de águas cristalinas, praias de água doce, rochas multicoloridas, chapadões que parecem cuidadosamente esculpidos, cachoeiras, cânions e planícies que lembram as savanas africanas. Tudo isso é o Jalapão.

Ao longo da última década, a popularidade do Jalapão tem aumentado cada vez mais, e a estrutura do destino acompanha esse crescimento, com mais pousadas, restaurantes e atrativos abertos a visitantes. Agora, o governo do Tocantins promete inaugurar ainda em dezembro deste ano um aeroporto na região, no município de São Félix. A construção conta com um investimento de cerca de R$ 20 milhões. A expectativa é que o novo aeroporto facilite o acesso de turistas e impulsione a economia local.

Fervedouros

Foto por Patrícia Chemin

Cenários marcantes do Jalapão, os fervedouros estão concentrados principalmente entre Mateiros e São Félix – e há cerca de 40 deles catalogados e mais de 20 abertos à visitação. São piscinas naturais formadas pelo fenômeno da ressurgência, a água que brota constantemente a partir dos lençóis freáticos e através do solo arenoso. Como parece que a água está borbulhando por uma fervura, foi dado esse nome – mas isso fica só na aparência mesmo, já que não se trata de águas termais.

Foto por Patrícia Chemin

Cada um tem seu encanto próprio, variando em tamanho, tonalidade (que vai do azul turquesa ao esverdeado), profundidade, pressão da ressurgência, temperatura da água e vegetação ao redor. A água é totalmente cristalina, com vários peixes bem pequenos. No fundo, apenas uma areia branquinha. Nos pontos onde acontece a ressurgência, a profundidade real chega a ser de 60 a 120 metros. Porém, graças à pressão da água, não tem como afundar ali, mesmo quando você tenta mergulhar. Você apenas sente a água te empurrando para cima e a areia fininha mexendo em volta dos seus pés. É como flutuar sobre uma nuvem: você vê um “fundo”, mas não o sente.

Foto por Patrícia Chemin

Em Mateiros, o Fervedouro do Ceiça foi o primeiro a ser descoberto e aberto à visitação no Jalapão. É menor em circunferência, com uma água morninha, e nas áreas de ressurgência a “nuvem” de areia chega até a altura dos joelhos. Já o Fervedouro Recanto do Salto é mais amplo, porém bem rasinho, perfeito para quem não tem muita intimidade com a água. E o Fervedouro Buritis é um dos mais profundos, com uma forte pressão na ressurgência.

Foto por Patrícia Chemin

Outro destaque é o Fervedouro Bela Vista, em São Félix. É um dos maiores da região, parecendo uma grande piscina. A área de ressurgência também é bem ampla, cobrindo quase toda a circunferência do fervedouro. O Bela Vista conta com uma das estruturas mais completas entre os fervedouros do Jalapão. A começar pelo próprio deque em torno da piscina natural, onde fica uma torre de observação perfeita para tirar fotos do fervedouro do alto.

Dunas do Jalapão

Dentro do Parque Estadual do Jalapão, unidade de conservação integralmente no município de Mateiros, as Dunas do Jalapão são um dos poucos atrativos fora de propriedades privadas. Ao atravessar um riacho raso e cercado por buritis, um paredão de areia dourada aparece. Só a visão dele já é majestosa, mas nem se compara ao que você vai encontrar ao caminhar duna acima. Grandes ondas de areia de até 40 metros de altura se espalham por uma área enorme. Um sobe e desce em constante formação e transformação, enquanto a Serra do Espírito Santo aparece para coroar esta vista totalmente desimpedida em 360º.

Foto por Patrícia Chemin

É extraordinário ver um cenário desse tipo em pleno Cerrado, tão longe do litoral. Ali você é livre para caminhar pela areia fininha (mas sem chegar perto da borda), tirar muitas fotos ou apenas sentar enquanto aprecia toda a magnitude da natureza à sua volta. O pôr do sol é um período especialmente popular para visitar o local, um verdadeiro espetáculo para guardar na memória.

Foto por Patrícia Chemin

As Dunas do Jalapão são formadas pela erosão natural da Serra do Espírito Santo, e a areia que resulta desse desgaste é acumulada ali graças à ação do vento e da chuva. Como as rochas são compostas por uma combinação de ferro, arenito e quartzo, é essa mistura de minerais que dá a coloração dourada das dunas.

Cachoeira do Formiga

Foto por Patrícia Chemin

Também no município de Mateiros, a Cachoeira do Formiga é um dos atrativos favoritos entre os turistas no Jalapão. Para começar, ela conta com uma linda piscina natural de águas cristalinas, cuja tonalidade varia do verde esmeralda a um surpreendente azul turquesa, de acordo com a incidência do sol. Diferente da maioria das cachoeiras, a do Formiga tem uma temperatura muito agradável, quase morna, sendo perfeita para um bom mergulho.

Cânion Sussuapara

Foto por Patrícia Chemin

Em Ponte Alta, o Cânion Sussuapara é um dos lugares mais surpreendentes do destino. Por estar um pouco escondido pela mata ao redor, é só depois de descer a escada que dá acesso ao interior do cânion que você consegue ter a dimensão do que é este lugar. Formado pelo aprofundamento lento do curso de um pequeno rio, o que talvez tenha levado milhões de anos para acontecer, é como um corredor um pouco estreito e cercado por paredões rochosos.

Foto por Patrícia Chemin

O que mais chama a atenção são as enormes raízes das árvores na borda superior do cânion, que descem pelas rochas como um jardim vertical. Por estar em uma vereda (terreno do Cerrado que se mantém úmido mesmo em épocas de seca), a água escorre continuamente do solo acima do cânion pelas rochas e por essas raízes, pingando sem parar. A impressão que dá é que está chovendo.

Foto por Flávio André – MTUR

No meio do cânion passa um riacho bem raso e totalmente cristalino. A água bate só na altura dos tornozelos, e você vai caminhando pelo curso d’água. Curvas revelam novos cenários incríveis, até chegar na ponta final do cânion, um grande salão com uma pequena cascata no meio de uma fenda.

Lagoa do Japonês

Foto por Patrícia Chemin

A Lagoa do Japonês fica em Pindorama do Tocantins e também integra o roteiro das Serras Gerais. É um verdadeiro oásis em pleno Cerrado. Sua água é totalmente cristalina, em vários tons de azul, e tem uma temperatura agradável. Depois de horas de estrada e no meio de um dia quente, um bom mergulho é muito bem-vindo. Ali você pode nadar entre os peixes, e a profundidade varia bastante.

Foto por Patrícia Chemin

Só a primeira visão já é encantadora o suficiente, mas, se você nadar até a gruta que existe no final da lagoa, vai se deparar com um cenário ainda mais incrível. Essa parte da lagoa, onde fica a nascente, é cercada por um enorme paredão rochoso, de onde pendem as raízes das árvores mais acima. A água tem um tom de azul ainda mais intenso, e ali a profundidade chega a 4 metros. O visual é de um paraíso perdido.

Pedra Furada

Foto por Patrícia Chemin

A Pedra Furada, em Ponte Alta do Tocantins, é um dos melhores lugares para assistir ao pôr do sol, compondo assim uma das paisagens mais icônicas do Jalapão. A Pedra Furada é um morro de arenito, cujos desgastes sofridos naturalmente ao longo de milhões de anos criaram formatos incríveis na rocha. São como portais e janelas que parecem talhados intencionalmente. É possível ver ainda as diversas camadas de sedimentos que variam em tons avermelhados.

Foto por Flávio André – MTUR

A trilha dá uma volta quase completa na Pedra Furada, incluindo um pequeno platô da própria rocha em um trecho mais elevado. Cada canto vale uma foto diferente, com panoramas incríveis de fundo, já que ao redor se estende uma enorme planície do Cerrado e diversas serras no horizonte. Ao pôr do sol, o local é ainda mais especial, com uma luminosidade única e o som de diversos pássaros que sobrevoam a Pedra e fazem seus ninhos em buracos na rocha.

Praia Coração do Jalapão

Foto por Patrícia Chemin

Na Praia Coração do Jalapão você pode se refrescar no Rio Novo, um dos maiores rios de água potável do mundo. Ele tem uma forte correnteza, mas há uma faixa mais rasa que é segura para banho. A água é cristalina, porém mais fria, o que é muito agradável depois de um dia de calor. Quem preferir pode só aproveitar o sol na faixa de areia. No entorno dessa praia de água doce, dá para ver o famoso capim dourado do Jalapão crescendo na natureza.

Foto por Patrícia Chemin

Esta praia de água doce fica no Rio Novo, parte do município de Mateiros e uma das nove comunidades quilombolas do Jalapão, provenientes das primeiras famílias vindas do Nordeste que se instalaram na região há 200 anos.

Parque Encantado

Foto por Patrícia Chemin

Já no município de Novo Acordo, o Parque Encantado é o lugar certo para quem quer se refrescar. A começar pelo Poço Encantado, um lago de águas profundas, com uma tonalidade mais escura, que lembra refrigerante, e muitos peixes. Os mais corajosos podem mergulhar no meio do lago, mas quem prefere algo mais tranquilo pode só curtir o sol em uma área bem rasinha que fica ao lado.

Foto por Patrícia Chemin

Seguindo o caminho feito por essas águas, há uma sequência de pequenas cascatas e cachoeiras na descida do morro. As pedras ali formam piscinas naturais dos tamanhos mais variados, das mais abertas a outras que parecem ofurôs individuais. É só escolher um espaço e aproveitar esse spa da natureza. Em dias bem ensolarados, a água chega a ficar quase morna.

Prepare-se para a expedição

O Jalapão não envolve grandes trilhas – é muito mais uma experiência off-road, onde você vai percorrer grandes distâncias dentro do carro, que pode chegar bem perto dos atrativos. Em torno de quatro ou cinco dias, a depender do roteiro escolhido, o percurso total vai de 800 km a 1.100 km de extensão. Para aguentar as estradas de terra batida e às vezes de areia do Jalapão, só mesmo veículos 4×4 bem preparados.

Foto por Patrícia Chemin

O mais recomendado é contratar uma agência para conhecer o Jalapão. Há várias delas com base em Palmas que oferecem pacotes e passeios completos e bem semelhantes – o que muda mesmo é o grau do serviço. Os roteiros começam e terminam na capital do Tocantins.

Como as distâncias são bem longas entre os atrativos, os roteiros quase sempre são no formato de expedição. Ou seja, é feito um circuito pelo Jalapão, de modo a aproveitar melhor o tempo, e você vai passar cada noite em uma cidade diferente. O que nos leva à mais uma dica: prepare uma bagagem pequena, apenas com o necessário. Algumas agências, inclusive, pedem que você não leve malas rígidas e com rodinhas, dando preferência a mochilas de até 20 litros.

Foto por Patrícia Chemin

Os carros usados pelas agências costumam ter capacidade para até seis viajantes, mais o guia/motorista. Ao fechar um pacote da expedição, praticamente tudo estará incluso: entrada nos atrativos, transporte, guia, hospedagem em pousadas da região e alimentação (café da manhã, almoço e jantar). Então você não precisa se preocupar com o planejamento. Só as bebidas costumam ser à parte, além de atrações opcionais, como tirolesas, rafting, boia cross e outras atividades mais radicais.

Por causa dos horários de início e fim da expedição, o mais indicado é reservar seus voos para um dia antes da saída e um dia depois da chegada a Palmas. Então você pode aproveitar esse tempo extra para conhecer esta que é a capital mais jovem do Brasil.

Dicas para a sua viagem

O rústico faz parte da identidade do Jalapão, mas a maioria dos atrativos está ganhando cada vez mais estrutura, como banheiros e pontos de venda de comida e bebida. Alguns são ainda mais completos, com pousadas próprias e lojas de presentes. O que realmente permanece mais “bruto” são as estradas – o asfalto dá as caras apenas perto de Palmas e nas pequenas áreas urbanas da região.

Além disso, o sinal das operadoras de celular em todo o destino é muito fraco e, dependendo da empresa, até inexistente. Por isso, prepare-se para se desconectar (o que, no começo, pode parecer uma inconveniência, mas depois se transforma em libertação).

Foto por Patrícia Chemin

Com poucos habitantes, o Jalapão é formado por aquelas típicas cidades dos rincões do Brasil, todas muito tranquilas. É difícil ter acesso a alguns serviços, como agências bancárias, mas você encontra mercadinhos, bares e sorveterias. Administradas por locais, as pousadas também são simples, porém confortáveis, geralmente com banheiro privativo, ar-condicionado, TV, Wi-Fi e café da manhã. Algumas têm até piscina, bar e áreas de convivência.

Foto por Patrícia Chemin

As refeições costumam acontecer em pequenos restaurantes próximos aos atrativos, ou então nas próprias pousadas. Os restaurantes também têm estruturas mais simples e muitos deles estão junto às casas das famílias proprietárias. Todos costumam funcionar da mesma maneira, na qual você pode se servir quantas vezes quiser e recuperar as energias com uma comida bem caseira e saborosa.

As formas de pagamento mais aceitas no Jalapão são dinheiro em espécie ou Pix. É interessante levar dinheiro para possíveis despesas extras, como artesanatos, souvenires ou um ocasional sorvete, além das bebidas, que não costumam estar inclusas nos pacotes.

SERVIÇOS

Como chegar

O aeroporto de Palmas recebe voos da Azul, da Gol e da Latam com origem em várias cidades do Brasil. Reserve seus voos considerando a ida um dia antes da expedição e a volta um dia depois. Para o roteiro no Jalapão, o mais indicado é fechar um pacote com uma agência local.

Passeios e pacotes

100 Limites Expedições – jalapao100limites.com.br

TZ Viagens – tzviagens.com.br

Schultz – schultz.com.br

Mais informações em: turismo.to.gov.br

Texto por: Patrícia Chemin

Foto destaque por: Patrícia Chemin

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