Por Cristiano Moraes | Especialista em turismo e Diretor do Grupo Unika
A primeira viagem internacional dificilmente é esquecida. Porém, entre a empolgação de carimbar o passaporte e a ansiedade de encarar um idioma diferente, surgem dúvidas que são comuns a quem está prestes a sair do país pela primeira vez.
Ao longo de mais de 24 anos trabalhando com turismo, do varejo de viagens ao turismo corporativo e incentivo, já acompanhei centenas de pessoas nessa experiência. Algumas chegaram ao embarque sem passaporte válido; outras bloquearam o cartão na primeira compra fora do Brasil por falta de aviso ao banco; e tem a clássica: a mala de 32 quilos para uma viagem de cinco dias.
Não existe jeito exato para evitar todas as surpresas durante uma viagem internacional, principalmente se for a primeira vez, e a graça de viajar é justamente isso. Mas existem erros que se repetem e que são simples de evitar com um pouco de antecedência. Por esse motivo, separei cinco dicas que sempre indico:
Passaporte e visto: não deixe para última hora
Parece óbvio, mas é o erro mais comum. O passaporte precisa ter validade mínima de seis meses além da data de retorno, muitos países recusam a entrada mesmo com o documento válido se essa margem não for cumprida. Além disso, verifique se o destino exige visto para brasileiros: os Estados Unidos, por exemplo, exigem o ESTA para entrada sem visto, e esse processo precisa ser feito com antecedência. Faça essa verificação com pelo menos 90 dias de antecedência. Renovação de passaporte e processos de visto costumam demorar mais do que as pessoas esperam.
Outro ponto que muita gente ignora são as vacinas obrigatórias ou recomendadas para o destino, já que alguns países africanos e sul-americanos exigem comprovante de vacinação contra febre amarela na entrada, e a falta desse documento pode impedir o embarque. Para verificar de forma prática tudo o que é exigido: visto, vacinas, documentos e restrições atualizadas, vale usar o Sherpa (joinsherpa.com), uma plataforma gratuita que reúne os requisitos de entrada de cada país em tempo real. Uma consulta de cinco minutos pode evitar uma surpresa no aeroporto.
Dinheiro: a combinação certa faz diferença
Nunca viaje com apenas uma forma de pagamento. O ideal é combinar cartão de crédito internacional (avise o banco antes de viajar para não ter a compra bloqueada por suspeita de fraude), cartão pré-pago em moeda estrangeira e uma quantia em dinheiro físico para os primeiros momentos: táxis, gorjetas, compras em mercados locais. Evite trocar moeda no aeroporto de chegada: as taxas costumam ser as piores do destino. Pesquise casas de câmbio com antecedência ou saque em caixas automáticos locais usando seu cartão.
Seguro-viagem: não é custo, é proteção
Uma consulta médica nos Estados Unidos pode custar mais de US$ 500 sem seguro. Uma hospitalização, dezenas de milhares. O seguro-viagem cobre emergências médicas, extravio de bagagem, cancelamentos e atrasos de voo. E o custo, comparado ao risco, é pequeno. Alguns destinos, como os países da Europa que exigem visto Schengen, tornam o seguro obrigatório. Mas mesmo onde não é, eu sempre recomendo. Uma viagem bem planejada não termina bem só por sorte.
A mala: leve menos do que você acha que precisa
Depois de acompanhar grupos para mais de 20 países, aprendi que o viajante de primeira viagem sempre superlota a mala, enquanto o viajante experiente aprende a viajar com menos. Roupas versáteis, adequadas ao clima, em peças que combinam entre si: esse é o critério. Consulte as regras da companhia aérea sobre peso e dimensões de bagagem de mão e despachada antes de fazer as malas. Excesso de bagagem custa caro e começa a viagem com estresse desnecessário.
Conectividade: resolva antes de embarcar
Chegar em um país estrangeiro sem internet é uma situação que gera muito mais ansiedade do que as pessoas imaginam. Mapas, tradutores, aplicativos de transporte, comunicação com a família, tudo depende de conexão. Chips internacionais e eSIMs são as opções mais práticas e econômicas hoje. Pesquise antes de embarcar qual a melhor solução para o seu destino e ative tudo ainda no Brasil. Resolver isso no aeroporto de chegada, cansado após um voo longo, é o cenário que você quer evitar.
Do passaporte à conectividade, cada detalhe bem resolvido antes do embarque transforma a ansiedade em confiança. A primeira viagem ao exterior marca a vida, e o que determina se essa memória vai ser de descoberta ou de estresse é, quase sempre, o quanto a pessoa se preparou. Não precisa ser perfeito. Precisa ser planejado.
Texto por agência com edição de Isadora Lacerda
Texto por Divulgação
