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Veneza: única e inesquecível

Foto por Istock/ Freeartist

Quem nunca sonhou em conhecer a milenar cidade e seus românticos canais? Impossível não se emocionar com tanta beleza e história. A primeira vez que estive em Veneza confesso que fiquei meio abobalhado diante do que meus olhos viam. Jamais havia imaginado que existisse um lugar como aquele com tantas obras-primas da arquitetura, igrejas cobertas com ouro, mosaicos e afrescos de valor inestimável.

Com tanta arte ao redor, parei várias vezes para ob­servar e pensar como teria sido aquele lugar há mais de mil anos. Que muita gente viveu, morou e traba­lhou naquelas 118 ilhotas banhadas por mais de 150 pequenos canais. Como viviam dentro daqueles pré­dios encantadores que agora afundam lentamente nas águas da lagoa. Um filme imaginário rodou em minha mente sobre o dia a dia dos venezianos. Homens, mu­lheres e crianças frequentando as igrejas, cruzando as mais de 400 pontes e se encontrando na Praça de São Marco (Piazza di San Marco), o coração do lugar.

Foto por IStock/ Givaga

E quantas pessoas como eu já não atravessaram o mundo para conhecer e vivenciar a cidade das gôn­dolas, verdadeira joia do cenário turístico italiano. Turistas que também se encontram na São Marco para curtir as obras de valor inestimável no seu en­torno. Basta fazer uma foto panorâmica para regis­trar uma imagem com a torre do sino da Basílica e suas cinco entradas de mármore e preciosos mosai­cos; o Palazzo Ducale, símbolo da República Serenís­sima, nome pelo qual ficou conhecida porque foi a única cidade italiana que não teve batalhas sangren­tas ou pilhagens; a Torre do Relógio, a obra-prima de engenharia que marca o tempo no destino por séculos; e a Ala Napoleônica, que abriga os museus Correr e o Arqueológico de Veneza, além da Biblio­teca Marciana e suas salas monumentais.

Sem dúvida, um lugar diferente de todas as outras cidades que você já conheceu. Um lugar para parar e sonhar – de preferência sentado tranquilamente em um dos diversos cafés com vista para a praça histó­rica e tomando um legítimo expresso italiano. Se es­colher o Caffé Florian melhor. O mais antigo café da Itália, inaugurado em 1720, é charmoso e elegante. A decoração do seu interior impressiona pela beleza, obras de arte e espelhos. Suas mesas já foram ocu­padas por personalidades como Giacomo Casanova, Lord Byron, Alexandre Dumas e Ernest Hemingway entre muitos outros. Desfrute!

Foto por FLICKR.COM/PHOTOS/SONOFGROUCHO/9755522045/SIZES/K

Lugar para se perder e se surpreender

Primeira providência em Veneza é pegar no hotel um bom mapa da ci­dade. Achar um endereço por lá é missão das mais difíceis. Os pequenos canais, pontes e ruelas formam um verdadeiro labirinto. Não vou dizer para ter cuidado para não se perder porque isso irá acontecer com cer­teza. Mas aí é que está o charme do lugar. A cada momento descobrirá algo novo e surpreendente antes de chegar ao destino procurado. Acaba sendo divertido. Tenha sempre como referência a Praça de São Marco.

Se não estiver com o orçamento curto não deixe de fazer um tour nas fa­mosas gôndolas, símbolos da cidade. Não é barato – cerca de 80 euros mas vale muito à pena. Se estiver com mais pessoas o preço individual cai, pois elas transportam até seis passageiros. Casais apaixonados nem olham o pre­ço. É puro romantismo. Se estiver sozinho pode recorrer ao aplicativo “Go, Gondola”, idealizado por um brasileiro que promove o encontro de turis­tas interessados em dividir o passeio. São seis os roteiros possíveis e com duração entre 30 e 45 minutos. Alguns gondoleiros (gondolieris) cantam durante o trajeto, mas todos gritam para evitar colisões nas curvas cegas.

Foto por Istock/ RossHelen

Fique ao menos dois ou três dias para poder passear e visitar com tran­quilidade os principais pontos turísticos. A principal “avenida” da cidade é o Grande Canal, que tem 4 quilômetros de extensão e largura de 30 a 70 metros. Ele começa em Pun­ta della Dogana e é cortado por quatro pontes: Accademia, Rialto, Scalzi e Constituição.

Principal ponto turístico da cida­de, a Praça de São Marco – é, sem dúvida, uma das mais boni­tas de Veneza e da Itália. Ela é for­mada por construções históricas como a Basílica de São Marco, o Palazzo Ducale, a Torre do Relógio (dell”Orologio) construída no sé­culo 14 e o Campanário (Campa­nille di San Marco), a torre de 99 metros construída no século 9 que guarda os sinos da basílica. Tem ótimos restaurantes e cafés. Mas prepare-se para dividir o espaço com a multidão que visita a praça diariamente – cerca de 50 mil tu­ristas de todas as partes do plane­ta. Quando visitei Veneza pela se­gunda vez era o período chamado acqua alta que causa alagamen­tos. Atravessei a praça com água quase na altura dos joelhos. Mas não se preocupe porque a cidade está preparada e passarelas são colocadas para que os visitantes não molhem os pés.

A Basílica de São Marco (Ba­silica di San Marco) foi construída no ano 828 para guardar os restos mortais de São Marcos. Tem cinco lindas cúpulas que misturam estilos bizantino, românico e renascentis­ta. Possui um coro elevado acima de uma cripta e colunas decoradas com relevos do século 11. O retá­bulo é a famosa Pala d´Oro – um trabalho em metal bizantino de 1105. Os dois púlpitos de mármore da nave são ornamentados com es­tatuetas dos irmãos Massegne. Cha­ma a atenção os objetos utilizados na decoração e que eram trazidos de várias partes do mundo pelos navios que retornavam à cidade. Destaque para os cavalos de bronze que ornamentavam o hipódromo de Constantinopla (atual Istambul). O interior é revestido do piso ao teto por mais de 8 mil metros quadrados de mosaicos recobertos de camadas de ouro 24 quilates. O piso do século 12 é uma mis­tura de mosaico e mármore em padrões geométricos.

Entre as quase duas centenas de pontes que cruzam os canais do des­tino, duas delas recebem maiores atenções dos turistas: a de Rialto e a dos Suspiros. A primeira é um dos pontos mais tradicionais e também a mais antiga. Ela cruza o Grande Canal e foi a primeira construída com pedras no século 16. Casais apaixonados costumam colocar cadeados com seus nomes na ponte e jogam as chaves na água. No seu entorno funciona um pequeno centro de compras com diversas lojas e barracas. Nas imediações está, também, o principal mercado local, uma boa opção para quem quiser comprar queijos, embutidos, verduras e frutas frescas.

A Ponte dos Suspiros (Ponte dei Sospiri) liga o Palazzo Ducale ao prédio onde funcionava uma antiga prisão. Uma lenda local conta que o nome da ponte é em referência aos prisioneiros que ao a atravessarem suspi­ravam ao verem a cidade pela última vez antes de seguirem ao cárcere.

Foto por Istock/TomasSereda

E suspiros são inevitáveis em quem vai assistir a um espetáculo de ópera no Teatro La Fenice, o principal teatro lírico de Veneza, que foi destruído várias vezes e reconstruído. A última grande tragédia aconteceu na dé­cada de 1990, quando foi completamente consumido por um incêndio. Após oito anos de obras que custaram 90 milhões de euros, foi reinaugu­rado em dezembro de 2003 com um concerto dirigido por Riccardo Muti.

Museu a céu aberto

Palácios, igrejas e outros antigos edifícios formam, naturalmente, um verdadeiro museu a céu aberto em Veneza. Quem aprecia artes e adora visitar museus não vai se decepcionar na cidade. O roteiro inclui o Pala­zzo Ducale, a Galeria da Academia (Gallerie dell’Academia), a Coleção Peggy Guggenheim, o Ca’ d’Oro e Punta della Dogana, entre outros.

Palazzo Ducale – O elegante edifício na Praça de São Marco foi a casa dos governantes locais, os poderosos doges da República Veneziana, en­tre os anos de 697 a 1797. A construção gótica com delicadas colunas e fachada com mosaicos em rosa e branco tem cômodos decorados com ouro e pinturas. Tem até uma sala de torturas. O maior dos aposentos é o Maggior Consiglio, onde está o imenso quadro Paradiso (inspirado no Paraíso de Dante) de Tintoretto. No andar de cima fica o sótão-prisão onde Casanova foi confinado em 1756 – e fugiu.

Foto por ISTOCK.COM /LUCAMATO

Galeria da Academia – Localizada junto à igreja de Santa Maria della Carità Farto e do mosteiro de Canonici Lateranensi, projetados por An­drea Palladio, possui um vasto e interessante acervo de artistas de Veneza e do Vêneto, do século 14 ao 18. Entre os destaques estão obras de Tin­toretto, Ticiano, Tiepolo, Veronese e Canaletto, entre outros.

Coleção Peggy Guggenheim – Inaugurado em 1951, no Palazzo Venier dei Leoni, um imponente edifício do século 18, reúne em seu acervo importante coleção de arte do século 20, incluindo obras de Miró, Pollock, Dalí e Magritte.

Ca’ d’Oro – Palácio do sécu­lo 15, está no distrito (sestiere) de Cannaregio e voltado para o Grande Canal. Guarda a coleção de arte de Giorgio Franchetti que inclui peças em bronze, escultu­ras, pinturas (venezianas e fla­mengas) e tapetes. No seu pátio interior a atração é o poço renas­centista em brocatello – mármore italiano de cores variada.

Punta della Dogana – A antiga casa da alfândega atualmente é uma importante área de exposição de arte contemporânea com uma exposição permanente da cole­ção da Fundação François Pinault.

Foto por Istock/ Michael Paschos

Aproveite para conhecer a igreja Santa Maria della Salute nas proximida­des. Erguida no século 17, abriga obras de Tintoretto e Ticiano.

Outra igreja que vale uma visita é a San Giorgio Maggiore. Projetada pelo famoso arquiteto italiano Andrea Palladio, foi concluída em 1610. Seu design clássico renascentista tem fachada de mármore e altas co­lunas simétricas. Está localizada em uma ilha em frente à Praça de São Marco. Para chegar até lá basta pegar um vaporetto, barco que funcio­na como ônibus no transporte coletivo local.

Vidros coloridos e carnaval de máscaras

Veneza está rodeada pelas ilhas Burano, vilarejo de pescadores com casinhas coloridas e famosa pela produção de rendas; Murano, pelas fábricas de vidros; Pellestrina, caracterizado por dunas e palhetas; e Tor­cello, uma das comunidades mais antigas na área. Murano é a mais pro­curada pelos visitantes por causa das famosas peças produzidas em vi­dros coloridos. Distante apenas 2 quilômetros e acessível por vaporetto, tem lojas especializadas, fábricas e um museu dedicado ao vidro (Museo dell’Arte Vetraria). Desde o século 13, os cristais são produzidos com técnicas passadas de geração em geração, onde o material é moldado em altíssima temperatura apenas com o sopro e movimentos manuais.

Em Veneza as praças são chamadas de campo – com exceção da São Marco. A Campo Santo Stefano, localizada próximo da ponte dell’Ac­cademia, vale uma visita. Ao seu redor estão palácios, galerias de arte, casas coloridas, bares, cafés e a igreja de Santa Maria della Salute cons­truída no século 17. E, nas proximidades, o Palazzo Grassi, outro palácio com importantes exposições de arte.

Foto por ISTOCK.COM / CHAMELEONSEYE

Mas a cidade não é famosa apenas por sua arquitetura e ser a preferi­da dos casais apaixonados. O carnaval veneziano é um dos mais antigos e tradicionais do mundo por causa das belas máscaras, que teriam sido utilizadas pela primeira vez no século 13. Porém, durante muitos anos, a prática foi proibida e quem se atrevia a sair mascarado às ruas acabava na prisão. Elas eram confeccionadas artesanalmente com papel machê sobre moldes de rostos feitos de argila.

A folia veneziana também tem origens religiosas e acontece sempre no final de fevereiro e começo de março. Tal como no Brasil, a festa se espalha pelas ruas e com atrações musicais, além de locais privados com ingressos caríssimos.

Para comprar ou apenas conhecer como são produzidas as máscaras, o lugar mais famoso da cidade é a loja Ca ‘Macana (camacana.com), em Dorsoduro. Saíram de lá as utiliza­das por Stanley Kubrick no filme “De Olhos Bem Fechados”, bem como outras, exclusivas, para apre­sentações no Wiener Staatsoper, o teatro de ópera mais importante de Viena. É possível participar de oficinas de pinturas de máscaras mediante agendamento prévio.

Como chegar

Não há voos diretos do Brasil para Veneza. A Alitalia (alitalia.com/) oferece voos diários e diretos para Roma a partir de São Paulo e Rio de Janeiro. Pela Royal Air Maroc (royalairmaroc.com) saem 5 voos semanais de São Paulo e 2 do Rio de Janeiro para Casablanca, no Marrocos , e de lá para Veneza. Se estiver em Roma, Milão ou Florença a melhor opção é o trem. A partir das principais capitais europeias é melhor pegar um voo direto.

Onde ficar

Hospedagem em Veneza de maneira geral custa caro. Há, claro, opções mais econômicas em pensões simples, po­rém, é necessário levar em conta a dis­tância dos principais pontos de interes­se e como chegar até eles. Os melhores estabelecimentos estão em antigos pa­lácios totalmente restaurados e adap­tados com as conveniências modernas.

The Gritti Palace

Baglioni Hotel Luna

Bauer Il Palazzo

Mercure Venezia Marghera

Hotel Katte

Onde comer

Veneza oferece opções para todos os bolsos. Você encontra sem muito esfor­ço bons locais para uma pizza al taglio – pedaços de pizzas espessas e quadra­das – ou um jantar estrelado regado a um bom vinho italiano. Os peixes e frutos do mar são abundantes na região de Vêneto e, ideais para acompanhar uma massa, arroz ou polenta. Entre os pratos típicos venezianos estão o risoto negro, o esca­beche de sardinha, o antipasti (azeitonas, anchovas marinadas e frutos do mar) e cichéto (petiscos). Para beber experimen­te o spritz, drinque preparado com vinho branco, campari e água com gás.

Caffé Florian

Gelateria Il Dodge

Ai Mercanti

Antico Martini

Osteria da Fiori

Texto por: Roberto Maia

Foto destaque por Istock/ Freeartist

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