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Fórum em São Paulo discute futuro na hotelaria

27 de novembro de 2018

Realizada pelo oitavo ano consecutivo, a iniciativa reuniu mais de 500 colaboradores e fornecedores da AccorHotels, em torno de palestras que debateram as tendências do setor.

Foi-se o tempo que os hotéis eram apenas sinônimo de hospedagem. Em tempos de globalização, de mercados extremamente competitivos e disputados e de crise mundial da economia, esse conceito mudou. E vai mudar ainda mais em um futuro nem tão distante. Ao menos é o que acredita o francês Patrick Mendes, CEO AccorHotels South American, que inclui hotéis como Ibis, Novotel, Sofitel e Mercure. “Há um,dois séculos, os hotéis por uma questão de segurança eram fechados às comunidades e só atendiam seus hóspedes. Hoje, ocorre o contrário com a inclusão das comunidades no cotidiano dos hotéis”.

É o que já acontece no Ibis, no Novotel e em outras marcas da Accor. Nos hotéis Ibis, por exemplo, qualquer pessoa pode trabalhar no lobby, usar o computador e a wi-fi gratuita e pagar somente pelo café e alimentos que consome. Os hotéis da marca também possibilitam uma hospedagem de curta duração, de quatro horas. Já o Trampolim Startup Café, diariamente, abre as suas portas às pessoas que passam pela Rua da Consolação, na capital paulista. Criado inicialmente para apenas servir o café da manhã aos hóspedes, reviu sua filosofia e hoje trabalha com um conceito inovador.

O empreendimento funciona no Ibis Budget e recebe pequenos empreendedores que ali se reúnem para discutir negócios. Com a proposta de conectar pessoas e incentivar o empreendedorismo, conta com mesas adaptadas para servirem a reuniões e apresentações. O espaço serve ainda para a AccorHotels, a companhia hoteleira francesa dona da marca Ibis, encontrar como fornecedores microempreendedores do setor alimentício e contratar pessoas com dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, incluindo refugiados, para trabalhar no hotel.  As contratações de candidatos e fornecedores acontecem por meio de instituições sociais parceiras da rede.

Esses são alguns exemplos. Mas muitas outras mudanças virão pela frente na área de hotelaria. E serão feitas rapidamente por quem está antenado e quer estar na vanguarda do setor. É no que acredita Mendes. O francês foi um dos palestrantes do 8º Fórum de Formação em Compras, realizado na terça (13), no Novotel Center Norte, em São Paulo. Organizado pelo Departamento de Compras Compartilhadas da AccorHotels, o evento reuniu cerca de 500 colaboradores e fornecedores que atendem as marcas do grupo.forum90

“O fórum é uma oportunidade de conversarmos com eles, oferecendo-lhes palestras e treinamentos, a fim de aperfeiçoarmos a qualidade dos nossos produtos e serviços e, posteriormente, repassá-la aos nossos hóspedes”, diz Gabriella Spinola, Head of Procurement AccorHotels America do Sul. A iniciativa, de fato, abordou as atuais dificuldades e apontou as tendências da hotelaria. Mendes, por exemplo, traçou um panorama macroeconômico do Brasil, lembrando que o pequeno crescimento previsto para este ano vem se confirmando.

Segundo ele, a desvalorização do real motivada pelo temor do futuro sobre qual candidato seria eleito para ser presidente do País somada a greve dos caminhoneiros afetaram o setor, que agora começa a se recuperar. “Em 2014, tínhamos uma taxa de ocupação de 69%. Ela chegou a 56% em 2017. Agora, começa a melhorar, registrando 59% este ano, retomando o crescimento de 2015, quando a taxa de ocupação foi de 58%”.

O aumento da taxa de ocupação nos hotéis, contudo, apenas foi detectado em algumas cidades brasileiras. Caso de São Paulo (SP), Fortaleza (CE) e Salvador (BA), só para citar algumas. Já no Rio de Janeiro (RJ), por uma questão de segurança, ela despencou oito pontos percentuais. “Hoje, estamos praticando as mesmas tarifas médias de diárias que cobrávamos há dez anos e não conseguimos sequer repassar a inflação registrada nesse período aos nossos hóspedes”, afirma Mendes, para quem 2019 ainda é uma incógnita.

“Para o ano que vem, a expectativa de crescimento da Accor no Brasil é de 3% do PIB, mas esse resultado depende da consolidação das reformas da Previdência Social, tributária e da privatização de algumas estatais”, observa o CEO. Ele acrescenta que, atualmente, o turismo representa 10% do PIB mundial e gera 9% dos empregos do planeta. Dos 7 bilhões da população do mundo, 1,3 bilhões viajam – no Brasil são quase 100 milhões de turistas domésticos. “Os números comprovam que, mesmo com a crise econômica, as pessoas viajam. E vão viajar muito mais, impactando todo o setor de turismo, que terá de aumentar a oferta, construindo mais hotéis”, explica.

Para dar uma ideia, Mendes cita a China. Em 2020, o país será o maior mercado emissor de viajantes, com 200 milhões de turistas. Porém, os chineses valorizam a segurança e o conforto. Optam por hotéis com serviços chinese-friendly, procuram experiências novas e são bastante conectados. “Quem trabalha no turismo tem de estar antenado com essa tendência, preparando-se desde agora para atender às necessidades dos viajantes chineses”.

Tendências

Diante de perspectivas promissoras, Mendes reafirma a necessidade de o segmento da hotelaria apostar na criatividade, na tecnologia e na oferta de produtos e serviços inovadores, eficientes e de qualidade. Implantados nos hotéis da Accor com o auxílio de parceiros, esses conceitos podem ser simplesmente traduzidos como “a ambição de provocar a vanguarda com a ajuda dos parceiros. “Hoje, ao se hospedar, as pessoas querem vivenciar uma experiência única, o que obriga os profissionais estarem constantemente pesquisando e inovando”.

Em outras palavras, a AccorHotels tem como meta sempre oferecer ao seu hóspede inovação e economia (a capacidade de o hotel entregar o que promete ao cliente). Atrás de uma filosofia aparentemente simples, há muito trabalho.  E ele surge e pode ser notado nos detalhes, desde o atendimento impecável ao design do empreendimento. No setor de serviços dos hotéis, é a experiência do cliente que importa cada vez mais. “Basicamente, é como ele se sente tratado”, resume.

Para que a experiência seja positiva, é preciso que os equipamentos do hotel existam e funcionem bem, oferecendo ao hóspede um wi-fi rápido, uma tevê a cabo de tela grande, um chuveiro quente, ar-condicionado com a temperatura certa e funcionários bem treinados que o atendam muito bem. A experiência positiva para o cliente implica ainda a qualidade de atendimento do setor de alimentos e bebidas (incluindo a elaboração do cardápio disponibilizado em seus restaurantes e bares) e o visual do hotel e de seus ambientes interiores”, afirma Mendes.

Na sua opinião, atualmente, o viajante quer ficar em um hotel diferente, com design inovador e televisão top de linha. Também a tecnologia e o design são itens que merecem a sua atenção, interferindo em sua escolha pelo hotel. Mendes diz que o luxo oferecido pelos hotéis há cinco, dez anos atrás virou obrigatório nos dias atuais. Se antes luxo significava um hotel que oferecia um bom wi-fi, uma tevê com 50 canais e uma cama king-size, agora, já não é mais.

“Hoje, o hóspede quer desfrutar de uma cama grande e confortável, um chuveiro com perfeita regulagem de temperatura, uma tevê com 70 canais e um wi-fi de alta velocidade. Também é inconcebível para ele ficar num lugar que não ofereça internet”, comenta Mendes. Não é só. O design também conta muito no momento de sua decisão.

Tanto que AccorHotels adquiriu recentemente o Hotel Boutique Museum, onde a hospedagem inclui necessariamente a apreciação de um incontável número de pinturas e obras de arte expostas em seu interior. “Hoje, o hóspede quer fugir do comum e ser surpreendido por novas experiências”, afirma. Quanto ao País, ele diz que, nos últimos anos, o brasileiro viajou muito, o que tornou o seu nível de exigência muito grande. “Precisamos estar atentos para sermos capazes de atender a esses requisitos”.

Na prática, todos esses fatores significam que a hotelaria está saindo da padronização, estando mais focada nas experiências, no design, no tech, no segmento de alimentos e bebidas. A indústria está em grande mutação e em crescimento, com gigantes do setor se movimentando, o que impacta a distribuição, as redes hoteleiras, os digitals players… As ofertas vêm se consolidando. E o Travel Space está revolucionando o setor, com players derrubando barreiras.

Com toda a ebulição, a AccorHotels pretende se destacar na América do Sul e tem a ambição de ser atuante neste cenário. Não quer ser apenas uma coadjuvante, mas protagonista desse movimento. “Não queremos ser somente hoteleiros, mas um provocador. Para isso, precisamos de parceiros que nos ajudem com ideias, criatividade e autonomia. Afinal, a agilidade e a confiança são pilares importantes para a nossa marca”, conclui Mendes.

Texto por: Fabíola Musarra

Fotos: Divulgação

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